Cazé

segunda-feira, 25 de outubro de 2004 "Cazé, o apresentador mais elétrico da MTV, numa conversa sobre vaidade, drogas, familia e a frustrada tentativa de sucesso na globo!" Por: Claudia Amorim. Foto> Daniel Mattar!

A verve que ele exibe no vídeo já é conhecida do grande público. Mas, além de perspicaz, o apresentador Cazé Pecini, 36 anos, é também uma pessoa que gasta energia malhando até cinco vezes por semana, lendo muitos livros de economia – uma de suas paixões – e convivendo com os filhos Rubi, de 7 anos, Iggy, de 4, e a enteada Danaë, de 13. Casado há dez anos com Frederica, uma fã que conheceu numa boate paulista, ele é vegetariano há 14 anos. A origem de tal hábito guarda uma história no mínimo inusitada: Cazé deixou de comer carne na época em que morou com monges no Japão. "É um sacrifício, porque adoro picanha e coração de galinha", diz. "Mas a dor do animal me incomoda." Nascido e criado no bairro carioca da Tijuca, ele já foi professor de inglês e poeta alternativo. Ao passar num teste para a MTV, em 1993, mudou-se para São Paulo e tornou-se um homem de TV. "Mas nunca havia pensado nessa carreira antes", admite ele, que chegou a ingressar nas faculdades de Oceanografia e de Publicidade. Com 65 quilos em 1,83 metro de altura, Cazé fala, a seguir, sobre beleza e envelhecimento, os altos e baixos da profissão, e sobre temas polêmicos como os que aborda no Buzzina, seu programa que vai ao ar nas noites de quinta na MTV.

Dá para perceber que o seu corpo mudou por causa da malhação. Fora isso, a sua alimentação é cercada de cuidados. Você é vaidoso? Sou. Eu não era gordo, mas tinha um barrigão. Resolvi mudar porque minha mulher merece um homem melhor. A malhação faz um bem fodido para a minha cabeça. Vou na academia três, quatro, até cinco vezes por semana. Tem o aspecto da vaidade, sim, mas é bom para a saúde também, diminui a osteoporose na velhice. A única coisa ruim da academia é o som, que acho uma merda. Levo uns tampões de ouvido, porque odeio aquele barulho, quero me concentrar no exercício. Academia, para mim, não é festa, não vou lá para azarar, para ver as gatinhas.

Daqui a quatro anos você vai completar 40 anos. Isso é motivo de preocupação? Não é uma coisa que ocupe muito a minha mente. Até porque, depois que deixei o cabelo crescer, muita gente falou que fiquei com cara de mais novo. Mas acho que dizer "Ah, eu não me preocupo com a velhice" não dá. Vai chegar um momento em que isso vai pesar, sim. Olho para o meu rosto e já vejo marcas de expressão. Não sou um menino, não tenho a pele que tinha antigamente. Daqui para a frente, vou decair. Posso continuar fazendo meus exercícios, mas estou entrando numa etapa de lenta e gradual decadência física.

Você diz que a carreira televisiva é feita de altos e baixos. Como foi sua experiência na Globo? Começou como um alto. Eu estava no auge da minha carreira na MTV, com o programa que mais amei fazer na vida, o Teleguiado. Quando fui para a Globo, havia uma aspiração. Mas eu não tinha experiência: a MTV era muito diferente do que é hoje e extremamente diferente do que era a Globo. Acho que nisso a gente se atrapalhou. Foram dois anos em que o que eu aspirava era ganhar mais dinheiro e ter um alcance maior. Até consegui, por pouco tempo, esse alcance maior. Mas perdi dinheiro. Na MTV, eu ganhava quase tanto quanto na Globo, mas depois, como desapareci do vídeo, não fiz mais publicidade.

Você foi para a Globo no início do ano 2000 e demorou 15 meses para estrear. O que aconteceu? As coisas demoram a andar. Você diz: "Pô, por que me contrataram, então? Vamos botar o programa no ar!". Mas aí não tem espaço na grade de programação, e eles explicam que contrataram muita gente… Você vai percebendo que as coisas não funcionam como você imaginava. Tem um departamento que contrata, outro que faz a grade, e a comunicação entre eles é ruim…

O seu programa ficou apenas nove semanas no ar. Foi essa a sua maior frustração? Foi horrível quando o Sociedade anônima acabou. Pode-se questionar um monte de coisas, como o horário que a Globo escolheu (aos domingos, depois do Sai de baixo) e o fato de os caras terem me colocado para competir com o Silvio Santos. Mas nós da equipe do programa também tivemos a nossa responsabilidade. Depois, rodei tudo lá dentro e surgiu um espaço para mim no Fantástico. Foi uma experiência que me trouxe alívio, porque deu audiência. Só que tivemos muitos problemas editoriais.

Fonte: http://www.cazepecanha.weblogger.terra.com.br/ 

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