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Tripoli e SVB organizam seminário sobre merenda vegetariana na Câmara Municipal


A introdução do cardápio vegetariano nas escolas do município começou em 18 de novembro de 2011 e resultou de gestões realizadas por Tripoli desde 2009. Uma vitória que, para ele, foi um passo fundamental para iniciar as discussões em torno da redução do consumo de carnes nas escolas. Atualmente são servidas 1 milhão e oitocentas mil refeições às crianças das escolas e também das creches municipais.

A iniciativa de Tripoli ganhou rapidamente a parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira e atualmente conta também o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal do Verde e Meio do Ambiente. “Apesar de achar que ainda estamos atrasados na questão do vegetarianismo, acho que São Paulo saiu na frente, pois já conseguimos uma grande conquista com a participação de duas Secretarias”, ressaltou o vereador.

O Seminário começou a ser organizado em dezembro do ano passado, após a uma reunião entre o vereador Tripoli e Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira e da União Vegetariana Internacional. “Levamos quase 5 meses discutindo e organizando e hoje conseguimos reunir pessoas de todo o Brasil para falar e ouvir sobre o tema, por isso digo que estamos realizando mais um sonho”, relatou Tripoli. “É muito importante que isso aconteça aqui, pois São Paulo é o tambor do Brasil, então se estamos conseguindo equacionar esse tema levando para debate, certamente isso vai ter repercussão no país todo”, completou Winckler.

Durante o evento, o Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente Eduardo Jorge, presente na mesa de abertura, afirmou que a dieta vegetariana deve ser vista como uma exigência ambiental e ressaltou: “E é uma exigência ambiental das mais importantes para ao planeta, pois além de suas virtudes já tradicionais de benefício para Saúde Pública e sua abstenção de causar sofrimento nas outras espécies de seres vivos, diminui o desmatamento para o uso de terras para criação de gado para consumo humano, uma das grandes causas da crise climática e do aquecimento global”, disse.


Seminaristas fazendo perguntas ao Dr. Eric Slywitch

Representando a Secretaria Municipal da Educação, Daniel Guth, vegetariano há 10 anos, relatou que tem atuado diariamente para que a introdução do cardápio vegetariano vá além da Rede Municipal. “Além da alimentação vegetariana, temos discutido a redução de alimentos com gordura trans e sódio. Queremos diminuir o índice de obesidade das crianças e também melhorar a saúde delas. Trabalhamos diariamente dentro da Rede Municipal de Educação para que isso seja cada dia maior e tenha cada vez mais impacto na sociedade”, afirmou.

Ao longo das 7 horas de duração, o seminário trouxe à tona temas como:
Merenda Vegetariana do Ponto de Vista Nutricional; Segurança Alimentar e Alimentação Vegetariana; Posição do Conselho Regional de Nutricionistas sobre Alimentação Vegetariana; Produção das Refeições Vegetarianas no Restaurante Universitário da Universidade de Brasília; e também a palestra Principais Zoonoses Ligadas ao Consumo de Carne, apresentada pelo veterinário Wilson Grassi, que além de palestrante, faz parte da organização do evento e da concepção do projeto do vereador Tripoli. Também presente na mesa de abertura, Grassi falou sobre sua satisfação em fazer parte de tais conquistas: "Participar da organização de um evento como este é uma grande honra para mim, inclusive pelo ineditismo deste debate em um parlamento de uma cidade como São Paulo”.
O evento também contou com o apoio Conselho Regional de Nutricionistas SP – MS e da Universidade de Brasília.

Segundo Marli Winckler algumas barreiras vem sendo derrubadas, mas ainda há algumas “pedras no caminho” do vegetarianismo. “Há o desconhecimento por um lado e por outro há uma cultura, um hábito arraigado e é exatamente isso que a gente está querendo debater”, afirmou a presidente da SVB.

E apesar de seu projeto ir de “vento em popa”, o vereador Roberto Tripoli ainda acha que há muito para fazer: “O que aconteceu aqui hoje foi muito positivo e estou muito feliz, mas espero que esse evento não seja apenas mais um seminário, e sim que daqui saiam propostas concretas para que possamos desenvolver na cidade de São Paulo e em todo o Brasil”, finalizou Tripoli.



Fotos: Elaine PaivaLeia mais

Tema de seminário, merenda vegetariana já é realidade em SP

Alimentos com proteína de soja no lugar da carne, desconhecidos de boa parte dos paulistanos, passarão a compor o cardápio da merenda nas escolas municipais. Através de um programa da Secretaria de Educação, periodicamente os alunos dessas unidades de ensino terão refeições vegetarianas.

O escondidinho e o macarrão à bolonhesa em versões em que a soja substitui a carne já foram testados em algumas escolas da Prefeitura e tiveram boa aceitação, como anunciou Daniel Guth, da Secretaria de Educação, em um seminário sobre merenda vegetariana realizado nesta segunda-feira na Câmara Municipal.

O vereador Roberto Tripoli (PV) defende que a novidade nas escolas paulistanas terá reflexos no resto do país, mas reconhece que é um projeto “que leva tempo e é difícil”.

Para Guth, a inclus...

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Dia sem carne em escolas: União Vegetariana Internacional apóia conquista do Vereador Roberto Tripol

Winckler visitou Tripoli na Câmara, dia 8 de dezembro, e aproveitou para combinar com o parlamentar a realização de um seminário, em abril, para debater a merenda vegetariana. Durante a reunião, Marly presenteou o vereador com uma camiseta e Tripoli “vestiu a camisa” da campanha Segunda Sem Carne.

A idéia é trazer especialistas e convidar os técnicos da Secretaria da Educação para debater com a população a importância da merenda vegetariana, não somente para a saúde das crianças, mas para o meio ambiente e para a redução dos graves problemas climáticos que o planeta enfrenta.

Winckler acaba de voltar de um congresso vegetariano realizado na China e conta que “as culturas milenares, como a chinesa, a indiana, eram fortemente vegetarianas. As carnes não passavam de um condimento, e raramente estavam disponíveis. Essa centralidade da carne no cardápio e a conseqüente linha de produção são coisas recentes, de algumas décadas. Devemos portanto resgatar hábitos alimentares dessas culturas”, observa a presidente da União Vegetariana.

O consumo excessivo de carne, gorduras, comida industrializada vem provocando um surto de obesidade, problemas cardíacos e diabetes, lembra Winckler. Ela conta que a incidência de diabetes em vegetarianos é 50% menor em comparação com os consumidores de carnes; cardiopatias, 31% a menos; e essa redução chega a 88% nos casos de câncer no intestino grosso. Os benefícios da dieta vegetariana, segundo Winckler, já foram comprovados pela Associação de Nutricionistas do Estados Unidos e Canadá.

Reduzir o consumo de carne também é um passo decisivo para brecar os desmatamentos e reduzir a emissão de gases do efeito estufa, segundo a presidente da União Vegetariana Internacional. “A produção de carne em larga escala também impacta a oferta de água, aumenta o risco de zoonoses e a perda da biodiversidade. Somente reduzindo o consumo de carne, o governo já consegue amenizar a destruição ambiental”, afirma.

Assim, a SVB e a União Vegetariana Internacional pretendem ajudar a fortalecer e ampliar a conquista do vereador Tripoli, de preferência casando o cardápio das escolas com a campanha Segunda Sem Carne. No lançamento do cardápio sem carne, a Secretaria Municipal da Educação criou pratos vegetarianos com proteína de soja para serem servidos a cada 15 dias. “Vamos fortalecer a conquista, ampliá-la ajudando a introduzir a campanha Segunda sem Carne, que é sucesso em vários países, e vamos levar a idéia da merenda com cardápio vegetariano para outras cidades, em todo o país”, garante Marly Winckler.

(Texto: Regina Macedo / jornalista ambiental – Foto: Wilson Grassi)

 

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