Carne: crimes ambientais, conflitos fundiários

As empresas

JBS Friboi, Mataboi, Pantanal e Quatro Marcos.

Perfis

O grupo JBS Friboi é, atualmente, a maior empresa do mundo no setor de carne bovina, atuando também em outros segmentos derivados da pecuária, como a fabricação de couros, produtos PET, biodiesel e produtos de higiene e limpeza. Possui cerca de 140 unidades de produção espalhadas por diversos países.

O Mataboi, fundado em 1949, ...

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Parte da carne bovina na Amazônia é produzida através da escravização de trabalhadores e da destruição do meio ambiente. De acordo com o cadastro de empregadores flagrados com mão-de-obra escrava, a conhecida “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 50% das fazendas em que foi encontrado esse crime contra os direitos humanos tinha a criação de bois como principal atividade...

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QUEM SE BENEFICIA COM A DESTRUIÇÃO DA  AMAZÔNIA

A PESQUISA

Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia

Quem se beneficia com a destruição da Amazônia – Edição 2011

O Conexões Sustentáveis é uma iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Este segundo estudo de cadeias produtivas foi realizado pela ONG Repórter Brasil e a Papel Social Comunicação a pedido do Comitê de Acompanhamento dos Pactos do Conexões Sustentáveis.

Esta segunda pesquisa do projeto Conexões Sustentáveis mostra que grandes empresas que atuam no município de São Paulo continuam presentes na cadeia produtiva de crimes ambientais e sociais cometidos contra a Amazônia brasileira.

Em 2008, quando lançamos a primeira edição do estudo, o objetivo foi identificar a relação de empresas de São Paulo com fornecedores que atuam na Amazônia de forma predatória. Os resultados mostraram que atores que produzem gado de corte, soja e madeira estão diretamente envolvidos com o desmatamento ilegal e o trabalho escravo. Esse atores se conectam a outros, indústrias ou tradings, até chegar a varejistas que operam na capital paulista. Dessa forma, grandes empresas baseadas em São Paulo acabam financiando cadeias produtivas insustentáveis.

Passados três anos, importantes mudanças aconteceram, mas o problema está longe de ter a solução que merece. Um fato importante foi o lançamento dos pactos setoriais da pecuária bovina, da soja e da madeira. Eles representam um importante esforço de empresas que não querem ver seus nomes ou seus produtos associados à devastação de um dos mais importantes patrimônios naturais e sociais do planeta. Atualmente, são mais de 70 empresas empenhadas em monitorar suas cadeias produtivas e evitar a compra de produtos ligados a crimes contra a Amazônia.

Sempre tendo como foco o município de São Paulo, na edição 2011 a pesquisa relacionou também os varejistas. Matérias-primas obtidas de fornecedores ligados à devastação da floresta e de sua gente tornam-se produtos nas gôndolas de supermercados, lojas de móveis e ou mesmo na construção de nossas casas.

O objetivo principal desta investigação é alertar as empresas e os consumidores sobre a importância de adotar modelos de negócios que não financiem a exploração predatória dos recursos naturais, a exploração desumana de trabalhadores ou que cause danos às populações tradicionais. É possível produzir na Amazônia sem devastá-la. Obter alimentos e móveis de forma sustentável, com respeito ao meio e às comunidades que dele dependem.

Afinal de contas, “desenvolvimento sustentável” não é apenas uma expressão bonita para ser utilizada em discursos de fim de ano, em campanhas de marketing ou para atrair consumidores. Tem a ver com escolhas que devem ser tomadas para decidir o futuro. O conforto da população da maior metrópole da América do Sul não pode significar a produção de vítimas a milhares de quilômetros de distância. Queremos para nós um progresso que exija sacrifícios dos outros?

Os casos apresentados nessa pesquisa (veja índice no menu à direita) são exemplos de cadeias produtivas predatórias. Servem para ilustrar um problema que não se limita ao que é aqui discutido. A intenção não é procurar culpados (até porque, em última instância, todos nós, consumidores, somos responsáveis), mas unir esforços para resolver o problema e monitorar a solução. Com a transparência que uma sociedade que vive na era de informação exige.

São Paulo continua como a mais importante financiadora da devastação da floresta amazônica por ser a principal consumidora de seus produtos. Com essa segunda pesquisa do projeto Conexões Sustentáveis, esperamos contribuir para reverter esse quadro.

 

Leonardo Sakamoto, Repórter Brasil
Marques Casara, Papel Social Comunicação

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