Carne sem assassinato

Você comeria um hamburguer se ele fosse feito sem matar uma vaca? Voce consegue imaginar um mundo aonde a cruelty-free (livre de crueldade) se aplique não somente aos calçados e shampus mas também às salsichas e nuggets de frango?

Jason Matheny consegue. Ele não é apenas um vegetariano, ele é um estudante de doutorado e cientista da Universidade de Maryland em College Park, e ele está comprometido com a mudança na forma com que a carne chega à mesa de jantar. Em Julho passado, ele e um time internacional de pesquisadores anunciaram um novo método de se "produzir" carne. Ao invés de abater animais de fazenda, eles estão produzindo carne no laboratório. "Em teoria, a tecnologia poderia produzir toda a demanda de carne do mundo sem nunca matar um único animal," diz Matheny.

A técnica envolve um processo relativamente indolor de remover-se células de músculos de um animal vivo através de uma fina agulha, então deixar as células crescerem e se dividirem em uma espécie de placa de petri* gigante – um barril mantido na mesma temperatura que o corpo do animal e preenchido com glicose, aminoácidos e minerais. Essa sopa nutricional é então derramada em largas folhas de plástico que são constantemente esticadas para "exercitar" as células e mante-las em crescimento. Após algumas semanas, uma folha milimétria compacta de carne pode ser retirada, enrolada, moída e transformada em um hamburguer.

"Existem todos os tipos de vantagens éticas e saudáveis para esta tecnológia," diz Matheney. "primeiro, nenhum animal tem de ser morto. Em teoria, nós poderiamos coletar células de um de cada tipo de animal criado para comida hoje em dia, ao invés do que assassinar 40 bilhões de criaturas a cada ano." Reduzir o número de animais de fábricas-fazenda iria também significa uma tremenda redução da poluição na terra e na água causada pelos excrementos de animais. De acordo com o Departamento de Agricultura, animais criados para comida atualmente produzem 1.6 bilhões de toneladas de esterco a cada ano.

Carne produzida em barris iriam também ser mais seguras e mais saudavéis do que a carne de hoje em dia, diz Matheney. "Existem tantos problemas de saúde associados coma carne de fazenda. Em adição à preocupação com antibióticos, esteróides e contaminações, a carne tem um nivel muito alto de gordura saturada. Mas com a cultura de tecidos, nós podemos reduzir isso ou ainda trocar por uma gordura mais saudável," ele diz. E as pessoas não teriam que se preocupar com a doença da vaca louca ou com a gripe aviária.

Vai vender?

É a carne feita em laboratória muito estranha ou muito "ficção científica" para um dia se tornar comerciável? A Dutch não pensa assim. Eles investiram aproximadamente $5 milhões em pesquisas para cultivar porcos a partir de células tronco. O pesquisador líder, henk Haagsman, PhD, um cientista na Universidade de Utrecht, acredita que eles poderiam ter um produto de carne alicerciado em tão pouco quanto 6 anos.

"É claro que existem pessoas que acham que isso é comida de Frankestein," diz Vladimir Mironov, MD, PhN, diretor da Universidade Médica da Carolina do Norte em Charleston. "Eles veêm isso como inatural, mas não tem nada de inatural aqui. Nós usamos células animais e as cultivamos em um meio elaborado. A única diferença é que nós não matamos nenhum animal.

Mathey leva isso a um passo adiante. "Nós já aceitamos muitas comidas desenvolvidas em laboratório, como o vinho, queijo, tofu e tempeh. Nenhuma delas são encontradas na natureza."

E também, ao contrário do que muitos podem pensar, o processo é completamente diferente da clonagem. "O tipo de multiplicação celular que ocorre é do mesmo tipo da que ocorre em nosso músculos quando nos exercitamos," explica Matheny. "clonagem, por outro lado, envolve reproduzir um animal inteiro a partir de uma células germinadora, o que é um processo altamente artificial."

Ainda assim, quão realístico é esse bravo novo mundo de carne livre de assassinatos fora da Holanda? "Se existir demanda, ela pode estar avaliável e no mercado nos próximos 5 a 10 anos," diz Mironov. Na verdade, ele ve um futuro aonde as pessoas terão aparelhos similares a fazedores de pão que poderia produzir carne da noite para o dia. "Não é uma questão de tempo, é uma questão de dinheiro. Com um programa bem financiado, isso poderia se tornar uma realidade na próxima década," diz ele. O custo é uma das maiores pedras no caminho. Cientistas tem ainda de achar um jeito de como fazer as células proliferarem de forma barata para a carne cultivada em laboratóriao ser produzida em massa e economicamente.

"Assim como qualquer técnologia nova, será muito, muito caro produzir de início," diz Mironov, "pelo menos $5,000 por libra. mas eventualmente, o preço irá decair dramaticamente – 1,000 vezes. A Dutch não estaria pensando a frente se eles não acreditassem nisso. Além disso, eles reconhecem que eles não tem terra o suficiente e eles estão muito preocupados com o meio-ambiente. Eles querem liderar o caminho nessa tecnologia."

O que os vegetarianos farão?

Não surpreendentemente, ativistas do direito animal e vegetarianos suportam a idéia da carne sem assasinato. "Este é um dos mais excitantes desenvolvimentos já feitos," diz Ingrid Newkirk, presidente da PETA, a maior organização dos direitos animais no mundo. "Isso remove o sofrimento de bilhões de animais e ainda dá as pessoas a oportunidade de comer o que eles querem, menos a crueldade."

John Cunningham, coordenador da pesquisa de consumo do The Vegetarian Resource Group em Baltimore, diz que ele tem ouvido comentários semelhantes. "Enquanto a maioria dos vegetarianos não considerariam voltar a comer carne independente de como ela é produzida, muitos deles acham essa uma boa idéia para não vegetarianos," ele diz.

Mas é mesmo?

"Carne não é necessária ou saudável. Nós não precisamos comer," diz Amy Lanou, PhD, cientista senior de nutrição para o Comitê de Físicos para a Medicina Responsável em Washington DC. "Se nós como um país não dermos os maiores passos em evitar alimentos com base animal, nós não iremos ver pessoas mais saudáveis ou um declínio nas doenças crônicas."

Existem mais alguns pontos-chave a serem considerados, diz gregory Jasse, diretor de biotecnologia no Centro para Ciencia no Interesse Público, um grupo de advocacia em comida segura em Washington, DC, "incluindo segurança, nutrição, custo, sabor e ultimamente nossa cultura e nos conexão como alimento. Ainda que nós constantemente nos alimentemos de alimentos altamente processados – muito longe do que é cultivado em um campo ou produzido em uma fazendo – a questão fundamental será se as pessoas realmente vão querer comprar carnes cultivadas em barris. Eu não sei se vão."

 
Tradução: Marcelo Facin Brisolla
Original: http://www.vegetariantimes.com/document_display.cfm?section_id
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