Campos e florestas de araucária

Devido a esta dupla invasão, não só o conhecimento ameaçava desaparecer, mas principalmente a natureza, pela conversão em monoculturas nas grandes propriedades do agronegócio. A mesma natureza onde se encontram estes poderes de cura! Por exemplo, há cem anos, grande parte do Paraná ainda era coberta com florestas de araucária e campos. As florestas eram compostas de uma diversidade extraordinária de pinheiros, imbuia, erva-mate e muitas outras espécies frutíferas, bem como uma flora multicolorida. Os campos são as estepes naturais do Sul do Brasil. A biodiversidade vegetal superava a das florestas. Destas florestas e campos originais, menos de 1% está preservado. Até a década de 1970, a beleza dos campos floridos havia sobrevivido, parcialmente, à invasão dos imigrantes europeus. Em muitas regiões, havia criação de gado de maneira muito extensiva. Está prática não prejudicava a riqueza da flora, muito pelo contrário. Devido à Revolução Verde – novamente a já bem conhecida história –, este cenário multicolorido foi convertido em ‘desertos verdes’. A expansão do agronegócio fez com que, a partir de 1999, eu observasse desolado como os últimos campos em torno de Guarapuava e em Santa Catarina foram convertidos em lavouras. Afinal, até 2004, o preço internacional da soja estava interessante demais para permitir que estas áreas ‘brutas’ não fossem cultivadas. O dólar colocou o arado em ação.

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