Câmara Municipal cria grupo para merenda vegetariana após discutir a dieta

No plenário da Câmara Municipal, em uma das últimas reuniões da comissão que estuda a coexistência entre os homens e os animais no município de São Paulo, presidida pelo Vereador Roberto Tripoli, do Partido Verde, o assunto debatido foi o vegetarianismo [em 05/08/09].

Entre os convidados para a reunião, estava um representante do Greenpeace, Márcio Astrini, que apresentou um trabalho chamado “A Farra do Boi na Amazônia”, deixando claro que  a pecuária brasileira é responsável por 14 % do desmatamento no mundo inteiro. Durante três anos, o Greenpeace estudou e pesquisou o assunto e os resultados estão em um relatório que mostra que a pecuária é responsável por 80% do desmatamento na floresta.

“As pessoas não costumam relacionar a pecuária ao desmatamento”, diz ele. “Outro fato desconhecido é que o maior consumidor dessa carne é o próprio mercado interno brasileiro”, afirmou o consultor do Greenpeace.  Para piorar, Astrini revelou que a pecuária na Amazônia também é causa de trabalho escravo. “É necessário entender que, quando você consome os produtos que provêm de áreas ilegais, acaba se tornando um corresponsável econômico no incentivo dessa prática”, disse ele.  

Seguindo a programação da reunião, falou o Médico Nutrólogo Eric Slywitch, especializado em alimentação vegetariana. Slywitch apresentou dados científicos que relacionam o consumo de carne à maior incidência de câncer de intestino, diabetes e outras doenças.

Afirmou a segurança da dieta vegetariana e seus benefícios, inclusive nas crianças. Mostrou também o lado econômico da história, onde as pessoas gastam menos comprando os vegetais, que somam mais de 350 opções diferentes, só na nossa região; e, por outro lado, a economia que o país teria com os gastos no sistema de saúde público, pois pessoas mais saudáveis usam menos o hospital.

Experiência do interior com merenda semi-vegetariana

O prefeito Lener Ribeiro, da cidade paulista de São Lourenço da Serra, que durante gestões anteriores cortou a carne vermelha e deu ênfase na alimentação saudável na merenda escolar daquela cidade, apresentou relatórios do Ministério da Saúde e vinculou a estas iniciativas uma redução drástica no índice de mortalidade infantil da cidade, que antes era dos maiores do Estado e passou a ser dos menores, com a mudança na alimentação. Infelizmente, ao ser substituído, o prefeito seguinte cancelou o projeto Alimentação Saudável, que agora Lener está retomando.
 
Para fechar os trabalhos, foram convidadas as nutricionistas responsáveis pela merenda escolar do Município de São Paulo. Falou em nome do grupo a Dra. Laura da Silva Dias Rahal, que considerou interessante a introdução do vegetarianismo na merenda escolar, mas se disse preocupada com o acompanhamento que as crianças teriam fora da escola.
 
Para que esta discussão não acabasse, o Vereador Tripoli pediu a criação de um grupo de trabalho, com a participação das nutricionistas da Secretaria de Educação, do Médico Nutrólogo Eric Slywitch, e deste colunista, para que se estude um projeto piloto, visando introduzir o vegetarianismo na merenda escolar da cidade de São Paulo, promovendo assim a saúde de nossas crianças e combatendo o desmatamento da Amazônia.

Este é um projeto bastante pertinente e viável, mas no fundo, no fundo e principalmente, o que queremos mesmo, é mostrar que podemos viver sem a exploração dos animais.

Veterinário Wilson Grassi
wwgrassi@yahoo.com.br

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Publicado no jornal Fato Paulista (agosto de 2009)

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