Café colonial

Luc Vankrunkelsven

Há poucos dias, cheguei novamente ao Brasil. Preciso acostumar-me um pouco novamente, pois não é fácil viver em dois mundos. Sentir-se em casa em todo lugar e em lugar nenhum. Um andarilho cheio de admiração pelo que vê e sente. Um monge em forma de esponja. Esponja que absorve de tudo.

No último semestre, construímos um projeto de intercâmbio entre uma escola em Dendermonde [Bélgica] e uma escola da comunidade avá-guarani, nas proximidades de Foz do Iguaçu (1). Foi neste âmbito que tive a oportunidade de vivenciar alguns momentos intensos junto com estes indígenas, às margens do lago da imensa hidrelétrica que os obrigou, em meados da década de 1980, a abandonar suas terras. Fico sabendo que São Miguel do Iguaçu, o município onde foram alocados, recentemente instituiu a ‘Árvore da Vida’, criada pelos avá-guarani como artesanato-símbolo da cidade. Veja as voltas que o mundo dá! Inicialmente, os avá-guarani são obrigados a fugir das águas. Os animais buscaram refúgio nas árvores, de onde eram resgatados por salva-vidas em embarcações. Nunca esquecerei estas imagens na TV: um dilúvio para homens e animais. Tudo isto para construir a maior hidrelétrica do mundo, Itaipu (2) e, em seguida, desperdiçar energia como observo em todo lugar à minha volta. A imagem daqueles animais nos galhos das árvores causou tal impacto nos avá-guarani que eles ampliaram seu artesanato com uma ‘Árvore da Vida’ simples, cheia de animais. E agora os descendentes dos ‘colonos’ europeus transformaram a Árvore dos avá-guarani em símbolo de seu município. Será uma homenagem aos Avá-Guarani ou será que estão, mais uma vez, tomando a sua vida? Serão eles novamente colonizados, embrulhados e esquecidos?

Sabor colonial e a ‘Semana do Sabor’

Após dez horas de viagem de ônibus, estou de volta a Chapecó: mais um nome emprestado do povo tradicional que originalmente vivia aqui. Para dar nomes às localidades, os colonizadores adotaram muitas denominações locais – é só pensar em Guarapuava (3) – embora deva ser mencionado que também é possível encontrar a ‘re-fundação’ de muitas cidades européias – pense em Novo Hamburgo, Nova Friburgo, Nova Veneza, Nova Lourdes, todas aqui no Sul do Brasil! Afinal, este era o ‘Novo Mundo’, uma terra de ninguém a ser ocupada. Uma imagem refletida da Europa. Muitas cidades também contam com a palavra ‘conquista’ no seu nome. Nós conquistamos o lugar e não vamos deixar que eles tomem de volta!

[Foto 46]

À margem da feira: os kaingang

 

Acomodo-me no ‘apartamentinho’ de Fetraf e, nesta manhã, vou comprar meus produtos na feira do agricultor. Os aventais das vendedoras e seus produtos ostentam, orgulhosamente: ‘sabor colonial’. À margem da feira, alguns kaingang vendem seu artesanato. O que será que eles acham do sabor colonial? Um sabor residual amargo? Portanto, levo para casa o sabor colonial enquanto exatamente nestes dias – a 10 mil quilômetros daqui! – Wervel está colaborando com a organização da primeira ‘Semana do Sabor’. Com 700 atividades em Flandres e Bruxelas, nós flamengos, queremos nos lembrar que temos raízes borgonhesas[1]. Borgonheses que não querem se deixar colonizar pelo sabor imposto universalmente por Coca-Cola e McDonald’s. Wervel quer acrescentar seu tempero próprio com ‘Pense globalmente – Alimente-se localmente’.

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[1] De Borgonha (francês: Bourgogne), uma região administrativa da França, habitada – em ordem cronológica – por c da tribo dos g, Romanos e galo-romanos, e vários povos gGermânicos, dentre os quais os mais importantes foram os burgúndios (donde deriva o seu nome atual, por meio de uma forma medieval Burgúndia) e os francos. Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Borgonha>. Ao longo da história, Flandres já fez parte de vários reinos maiores. Durante determinado período, a província foi incorporada pela Borgonha. Atualmente, quando utilizamos a palavra ‘borgonhesa’ queremos dizer que os flamengos, ao contrário dos holandeses, dedicam muita atenção à boa comida.

Colonização – descolonização

Toda esta salada saborosa de impressões me faz refletir sobre colonização.

Desde a década de 1960, ‘colonização’ tem um sabor residual desagradável lá em Flandres. Muitos europeus se envergonham, com toda razão, sobre nossa história colonial coletiva. Como uma dívida coletiva, que seria melhor pagar logo. Se, por exemplo, a Europa fosse obrigada a devolver todo seu ouro e sua prata à América Latina, nem haveria ‘dívida externa do Terceiro Mundo’. Teríamos, imediatamente, uma inversão da dívida externa. Não, de acordo com os fatos, nós herdamos uma dívida inversa. Só que ela não é chamada assim. E ainda nem falamos do sofrimento imposto aos povos tradicionais em todo o mundo.

Não faz muito tempo que a conscientização sobre relações coloniais em nossa região era totalmente diferente. Na minha cidade natal, Diest, meu avô comercializava ‘produtos coloniais’. Café & Cia. Foi somente a partir da década de 1960 que ‘nossas’ colônias européias caíram, uma a uma: Congo [Bélgica], Indonésia [Holanda], Argélia [França], Angola [Portugal], etc. Não porque nós não as quiséssemos mais; elas conquistaram sua liberdade com muita luta para, em seguida, serem submetidas a novas formas de colonização. Escrevi detalhadamente sobre o tema no prefácio de ‘Navios que se cruzam na calada da noite. Soja sobre o oceano.’ Portanto, não vou me repetir, ainda que a vida tenha sido dura durante estes cinco séculos. É uma história com muito sangue e lágrimas.

Os agricultores como colonizadores

O interessante é que o termo ‘colonial’, aqui no Brasil, não possui (ainda) este significado negativo. Ao contrário, é uma expressão de identidade e até de renovação. O termo ‘colonial’ dá aos agricultores e às comunidades uma característica própria, assim como ‘norbertino’ diz algo sobre minha identidade. ‘Colonial’ carrega, com razão, as lembranças do sofrimento dos primeiros colonos enquanto, nas aulas de história, o sofrimento e a morte dos indígenas são injustamente silenciados. Às vezes, o sabor colonial se transforma em ‘sabor natural’: estes são os produtos da agricultura familiar. Produtos cuja fabricação os agricultores familiares querem manter em suas próprias mãos, longe das garras do agronegócio que quer dominá-los. Ou será que os agricultores aqui simplesmente querem manter o significado original da palavra latina colonus, indiferentes à história de violência associada à palavra (4)? Também não se pode deixar de mencionar que aqui, em Santa Catarina, ainda há uma grande quantidade de conflitos entre agricultores e sociedades indígenas. Isto, obviamente, está relacionado com a invasão não tão pacífica dos agricultores. No último século, as relações não foram – e não são – isentas de comportamento racista. Veja uma crônica anterior, de 25/02/06, sobre ‘Erva Mate’; escrita na casa de Rose e Orlando. Aliás, qual é a diferença com a colonização do território palestino pelos israelenses? Sim, talvez seja esta a grande diferença: os palestinos não têm para onde ir, porque a Terra ‘Santa’ é menor do que um selo no mapa-múndi. Os guarani, os kaingang, os yanomami ainda podem fugir para regiões mais distantes neste imenso país chamado Brasil. Os palestinos são confinados atrás de muros. Os indígenas recebem reservas. É um ‘benefício’. As terras são cedidas em regime de comodato pelo Estado brasileiro, enquanto a América é sua terra ancestral.

Sujeitai e dominai

Talvez o significado original da palavra latina e a história desse termo pudessem ser comparados com a notória passagem da história da criação, em Gênesis 1: 26-28: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele DOMÍNIO sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e SUJEITAI-A; DOMINAI sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. É claro que é possível dar uma explicação exegética[1] para isso. Se compreendêssemos verdadeiramente o contexto, a espiritualidade judaica e o tom básico da bíblia, deveríamos interpretar estes termos ‘dominar’ e ‘sujeitar’ de maneira diferente do que estão escritos. Por mim, tudo bem, mesmo sabendo que já existe, há 40 anos, um intenso debate em torno disso (5). O que lembro bem é como esta passagem adquiriu vida própria ao longo dos séculos. Tornou-se uma ‘Declaração de Missão’, que legitimava uma ideologia de subjugação e dominação. Subjugação da natureza. Subjugação dos povos indígenas, que geralmente se consider(av)am parte dessa natureza. Os ‘índios’ costumam ter uma relação diferente com a terra que nos mantém. Mas o texto adquire um significado à parte quando é lido durante a Vigília Pascal (6) e se observa que são os descendentes dos colonos que ocupam a catedral. A Páscoa trata da ‘Nova vida’. Nova Terra! Eles não atravessaram o mar? O oceano! Para, em seguida, sofrer privações numa terra inóspita, às vezes durante décadas. E quando, finalmente, as árvores foram derrubadas, as cobras exterminadas e os nativos expulsos, só então ela poderia tornar-se sua ‘Terra Prometida’. Sujeitada. Para exercer seu domínio sobre todo ser vivente. Em Chapecó, principalmente sobre galinhas, perus e porcos. E sobre os demais seres humanos: agricultores que, por contrato e para atender aos ditames do mercado mundial, precisam engordar excessivamente os animais. Trabalhadores que, continuamente, são obrigados a fazer ‘cortes especiais’ destas novas vidas, como se fossem seres sem alma.

Uma das mulheres do povo suspira: ‘Para Chapecó ainda temos o fato de que a população aqui é extremamente consumista, muito mais do que em outras regiões. Sempre querem novidades.’ A eterna busca por novas emoções e coisas novas. Coisas novas! Não só uma TV, mas logo três por família. Não um carro comum, mas uma 4 X 4. Como o vizinho. Vida nova?

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[1] Exegese – comentário ou dissertação para esclarecimento ou minuciosa interpretação dum texto ou duma palavra. [Aplica-se de modo especial em relação à Bíblia, à gramática, às leis.] Fonte: FERREIRA, Aurélio B. de H. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

Novo

Na verdade, há mais de dois mil anos já carregamos esta palavra ‘colônia’ como uma evidência, mesmo que seu significado original fosse mais puro. Não havia diversas colônias de Roma em nossa região, atualmente a Alemanha? E o nome da cidade Köln não é derivado da denominação latina Colonia Agrippina, ou seja, ‘colônia’ em português? Trier (ou Tréveris) não derivou de Colonia Augusta Treverorum, e Xanten de Colonia Ulpia Trajana?

Será que não deveríamos nos aprofundar mais na história, nas migrações germânicas que engolfaram a população original? Será que isto não é colonização antes mesmo de essa palavra existir? E será que posso recuar ainda mais no tempo? Na África, o homem evoluiu dos ancestrais primatas. A partir desse continente ele migrou, ele ‘colonizou’ a Europa, Ásia, América, Austrália. Pelo menos, esta é a teoria vigente sobre o surgimento do homem.

 

Ao longo de toda a história encontramos o desbravamento de terras. Colonização. Quando se está ao norte de Hamburgo, na Sollenspieker (7), apreciando o rio Elba e a paisagem em torno, é possível ler a explicação histórica: ‘No século XII, os agricultores colonizaram esta região.’ Seis séculos depois, nos século XIX e XX, seus descendentes (8) repetiram a dose no Rio Grande do Sul. Em Novo Hamburgo, por exemplo. Moradores de Amsterdã, com São Nicolau como figura de proa, partiram para a América do Norte e fundaram Nova Amsterdã: Nova Iorque. E assim existem inúmeros exemplos. É uma história de colonizar e ser colonizado. No Brasil de 2006, a palavra ainda é empregada diariamente. Novas regiões na região amazônica são colonizadas; o órgão federal oficial de reforma agrária chama-se Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

 

[Foto 47]

Café colonial ou Pense Globalmente – Alimente-se Localmente?

Almoço de confraternização em Bruxelas

E por que é que eu estou incomodado?

Eu quero colaborar com lealdade na identidade e fortalecimento (internacional) da agricultura familiar? Bem, então eu preciso aceitar esta história de colonização como um fato, mesmo que eu não consiga deixar de sempre pensar nas vítimas. Nos guarani, os kaingang e nas outras 215 sociedades indígenas ainda existentes neste país. Tomemos, por exemplo, os xetá, no Paraná. Somente foram ‘descobertos’ na década de 1930, durante o avanço dos colonizadores. Na década de 1960, já estavam quase extintos. Kiko Borges, que me levou esta semana até os guarani, realizou uma pesquisa interessante sobre os últimos integrantes deste grupo autóctone. Enquanto escrevo casualmente esta palavra ‘autóctone’, vejo a dupla autóctone‑alóctone sob outra luz: os europeus e seus descendentes como alóctones. Em Flandres, os alóctones são os marroquinos e os turcos. O contexto e a história nos ensinam algo sobre autóctones e alóctones, colonizadores e colonizados.

Café colonial

Ao contrário do que ocorre na Bélgica, as palavras ‘Deus’ e ‘Jesus’ são onipresentes, assim como a palavra ‘colonial’. Quarta-feira, nas proximidades da comunidade guarani, eu vi a palavra até num ônibus escolar. Um ônibus amarelo, com ‘escolar’ e ‘colonial’. Ensino como parte da cultura colonial? Ensino como dominação colonial dos espíritos, ainda que, há alguns anos, esteja sendo desenvolvida uma iniciativa louvável de implantar o ensino bi-cultural, português-guarani.

‘Café colonial’ é anunciado em muitos restaurantes. O novo folder de ‘Caminhos da Agricultura Familiar’[1] – uma ação inovadora de Fetraf, em Marcelino Ramos (RS) – traduz seu significado de maneira marcante. Um dos locais indicados na rota turística para conhecer a agricultura familiar tem o promissor nome: ‘Café colonial da Tia Lili’: “Panificação e café colonial, onde são oferecidos mais de 100 produtos característicos de um café colonial acompanhados de chá, café com leite e sucos. Tortas, bolos, bolachas, pães, compotas, vários tipos de embutidos, queijos, frutas. Receitas passadas de geração em geração, que preservam o sabor da colônia e de uma mesa farta. O ambiente aconchegante com lareira, a decoração tradicional e a hospitalidade da família Lazarin são um convite para ficar e aproveitar as delícias da mesa.”

Confesse: não é possível ter algo contra! Foi por isso que nós, integrantes de Wervel, fizemos nossa refeição lá com prazer, durante nossa viagem de intercâmbio, em março de 2005. Enquanto eu também puder descrever os bastidores da história, compartilho com prazer esta mesa com café colonial. E vou entender a palavra ‘colonial’ simplesmente como sinônimo de ‘agricultor e liberdade’. Afinal, também em nossa língua nós ainda conhecemos colônias quando se trata de atividade agrícola: é só pensar nas Veenkolonies (colônias de extração de turfa) na Holanda, ou nas antigas ‘landloperskolonie [colônias de andarilhos]’, em Wortel, ou a colônia infantil, em Averbode. O fenômeno de abrigar pacientes psiquiátricos nas fazendas, em Geel (um precursor distante das atuais fazendas que oferecem laborterapia), também era chamado de ‘colônia’. A Bélgica realizou sua última tentativa de colonização em Lommel, em 1850 (8). Foi uma tentativa extrema para combater da escassez de alimentos da época. A mesma escassez de alimentos que, em meados do século XIX, fez com que muitos europeus se mudassem para as Américas para… ‘colonizar’ a região (9). Nós simplesmente transferimos nossas terras.

 

Talvez ainda chegue uma época em que agricultores e ‘índios’ convivam em paz. Na alegria e na tristeza. E veja: aqui e ali isto já é realidade. Para minha grande satisfação, encontro por esses dias em meu trabalho de estudos um impulso para mudança. Associados ao novo termo ‘Soberania alimentar’ (10), destacam-se claramente enumerados ‘agricultores familiares e pequenos produtores, pastores, trabalhadores sem terra, pescadores tradicionais e povos indígenas’. Trata-se de todos eles juntos. Em linguagem religiosa: ‘Um novo céu e uma nova terra’. Aqui e agora.

Um ‘Café mundial’.

 

Chapecó, 18 de novembro de 2006.

 

PS.: A vizinha em frente a nosso apartamento já pendurou uma guirlanda com enfeites de Natal na porta. Pelo jeito, a colonização foi bem sucedida. É como se ela fora à feira de produtos natalinos em Keulen. O Natal como ponto culminante de um ano inteiro de importação e dominação cultural. Da Europa e da América do Norte. Nessa ordem.

 

(1)   ‘Foz do Iguaçu’ é o ponto em que o Rio Iguaçu deságua no Rio Paraná; ‘Dendermonde’, ou ‘Foz do Dender’, é o ponto em que o Rio Dender deságua no rio Schelde.

(2)   ‘Itaipu’, uma palavra de origem tupi-guarani, é formada por itá ‑ pedra + ‘y ‑ rio + pu ‑ barulho, ruído, ou seja, barulho do rio das pedras[2], também interpretado como ‘pedra que canta’. Outro autor dá uma explicação diferente: Itaipu: itá – pedra + ypú – fonte¸ ou seja, água que sai do meio das pedras[3]. A água ocupa o lugar central em sua história e espiritualidade, tanto que, na entrada de sua casa oração, eles têm um altar com água.

(3)   Guarapuava: lobo bravo.

(4)   Colônia é derivada do latim colonus e significa agricultor e, portanto, ‘liberdade’. Literalmente, colonizar significa ‘praticar agricultura’. Posteriormente, a palavra foi utilizada para designar militares livres e que recebiam terras nas regiões conquistadas. A peculiaridade é que estes militares mantinham seus direitos de libertos. Mais tarde, tornaram-se não-livres. (Conforme Colonus: Originalmente livre/liberto, que – a partir do século IV – tornaram-se vinculados à terra por herança). Colonus: plural Coloni, agricultor do final do Império Romano e europeu. Os colonos eram escolhidos entre pequenos agricultores livres empobrecidos, escravos parcialmente emancipados e bárbaros enviados como trabalhadores rurais dos proprietários de terras. Pelas terras que arrendavam, eles pagavam com dinheiro, produtos ou serviços. Pode ser que alguns tenham se tornado colonos para receber proteção… (Fone Encyclopedia Brittanica).

      Para finalizar:

Idioma

Palavra

 

 

Francês

Agrarien

 

 

Frísio

Bouboer

 

 

Húngaro

Földmûves

 

 

Italiano

Agricoltore

 

 

Latim

Colonus

 

 

Português

Agricultor

 

 

Sueco

Jordbrukare

 

 

E também: Colonos: local de nascimento de Sófocles (Grécia)

(5)   Desde a publicação do controverso artigo de Lynn White, na revista Science, 1967, surgiu um intenso debate entre os assim chamados antropocentristas (o homem é o centro) e os ecocentristas (o ecossistema é o centro). Gradativamente somaram-se a estes os zoocentristas (que defendem os direitos dos animais a partir da percepção de que também sentem dor).

(6)   Em 2007, a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica, no Brasil, tem como foco a ameaça à região amazônica e aos povos indígenas que lá vivem. Enquanto muitas vias crucis na Sexta-Feira Santa possuem um cunho ecológico, é divulgado o segundo relatório sobre o aquecimento global. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC; veja <http://www.ipcc.ch>) prevê que a Floresta Amazônica será a mais atingida pelo aquecimento global, entre 2°C e 3°C por volta de 2050. De acordo com o modelo do Hadley Centre, a Floresta Amazônica desaparecerá por volta de 2080. A maior parte da região estaria transformada em um Cerrado.

(7)   Sollenspieker: uma espécie de posto de pedágio da Idade Média. Devia-se pagar pedágio para atravessar o rio Elba. Veja <http://www.zollenspieker-faehrhaus.de/umgebung.htm>.

(8)   Na Bélgica, a última tentativa de colonização ocorreu em 1850, em Lommel. São poucos os que conhecem esta história. Por isso, a prefeitura de Lommel decidiu, há alguns anos, comprar uma das fazendas estatais na Koloniestraat [Rua da Colônia] e restaurá-la. Uma exposição conta a história por trás da Colônia Lommel.

 

Vamos voltar um pouco no tempo: 1850 – as indústrias têxteis, que até pouco tempo viviam seu apogeu em Flandres Oriental e Ocidental, definharam. Flandres estava superpovoada e a frustração da safra de batatas trouxe grande pobreza e fome. “O governo pensou que poderia solucionar o problema da fome explorando as terras pouco férteis da região de Kempen”, conta Veerle Leysen, do Museu Kempenland, em Lommel. Foi construída, em de Kempen, uma rede de canais para facilitar o transporte entre as cidades e o campo.

“Em Lommel, a principal função do canal era criar um sistema de canais para os campos irrigados, permitindo a exploração dos solos arenosos da região”, continua Leysen. As pessoas partiam do princípio de que com água se consegue capim e que, com capim, é possível alimentar o gado e que este produzirá esterco para a agricultura.

O governo selecionou trabalhadores dedicados de Antuérpia, Flandres Oriental e Ocidental enviando-os para de Kempen para o projeto ‘colônia agrícola’. “Foram demarcados 20 sítios, dez em cada lado do canal, onde hoje se localiza a Rua da Colônia. Também construíram uma igreja, uma casa pastoral e uma escola”, explica Veerle. “Os agricultores receberam praticamente nada. Cada sítio correspondia a cinco hectares de terra, dos quais um hectare irrigado, um hectare de terra arada e adubada, com a metade semeada com centeio. Além disso, cada sítio recebeu um pouco de esterco.”

O governo queria demonstrar que o projeto poderia ser bem-sucedido sem investimentos e esperava que empreendedores privados seguissem o exemplo. “Com tão poucos recursos, os agricultores não conseguiam se sustentar. Portanto, eles resolveram auxiliar na construção do canal e sobreviviam trabalhando como bóias-frias nos campos irrigados. Não levou dez anos para que o projeto se revelasse um fracasso. E isto significou também o fim do último projeto de colonização na Bélgica.” Os sítios foram vendidos, principalmente para moradores da própria região e assim surgiu o vilarejo Colônia Lommel. Veja: <http://www.vilt.be/nieuwsarchief/detail.phtml?id=10878>.

(9)   Cada um dos migrantes dos muitos fluxos que, desde o final do século XIX, vieram para o Brasil recebia uma ‘colônia’. Por isso, o agricultor também é chamado de ‘colono’. Uma colônia equivale a 10 alqueires, ou seja, quase 25 hectares (24,2 ha). Atualmente, porém, há muitos agricultores com 12 hectares ou menos. Em São Paulo localiza-se o interessante ‘Museu do Imigrante’. De maneira vívida é invocada a história das centenas de milhares de migrantes que, a partir do século XIX, vieram para este país, principalmente para o Sudeste e o Sul. Devido à proibição internacional do comércio de escravos, em 1850, e o fim da escravidão no Brasil, em 1888, havia necessidade premente de mais mão-de-obra. A partir do final do século XVIII, o consumo de café tornou-se moda na Europa. Isto provocou um intenso fluxo de imigrantes italianos pobres – e também alemães, poloneses e outros europeus – para o Brasil, que continuou durante boa parte do século XX. No início do século XX, a cafeicultura e os imigrantes fizeram com que São Paulo se transformasse numa cidade com milhões de habitantes. Toda essa migração coincidiu com a grande escassez de alimentos na Europa (veja a nota seguinte).

(10)                      Veja: <http://www.foodsovereignty.org>.

 

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[1] <http://www.rotadaagriculturafamiliar.com.br/>.

[2] Fonte: Curso breve de tupi antigo em dez lições. Micro-curso escrito por Eduardo Navarro <http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno03-02.html>.

[3] Fonte: Estudo Lingüístico Histórico. J. Moura Lima. Veja: <http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=29050&cat=Artigos&vinda=S>.

 

 

 

 

 

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