Buda morreu por ter comido carne de javali? – H.P.Blavatsky

Um Prândba, ou a metade da existência de Brahmâ, na acepção ordinária desta medida de tempo, já escoou no Mâhâ Kalpa atual; o Kalpa anterior foi o Padma ou o do Lótus de Ouro; o presente é Varâha*, a Encarnação ou Avatar do "Javali".  
 

    (*) Há uma informação bem curiosa nas traduções esotéricas budistas. A biografia alegórica exotérica de Gautama Buddha nos mostra haver o grande Sábio morrido de uma indigestão de "porco e arroz"; desfecho prosaico, em verdade, e mui pouco solene! Explica-se a lenda como uma referência alegórica ao seu nascimento ocorrido no Kalpa do Javali ou Varâha, quando Vishnu tomou a forma deste animal para tirar a Terra das "Águas do Espaço". Ora, como os brâmanes descendem diretamente de Brahmâ, e estão, por assim dizer, com ele identificados; e como são, ao mesmo tempo inimigos mortais de Buddha e do Budismo, temos aí o verdadeiro sentido dessa curiosa combinação alegórica. 0 Bramanismo do Kalpa do Javali, ou Varâha, destruiu a religião de Buddha na Índia, expulsando-a do pais. Assim se explica por que Buddha, identificado que é com a sua filosofia, passa por ter morrido depois de comer carne de porco selvagem. A idéia de que aquele que instituiu o vegetarianismo e o mais rigoroso respeito a vida animal (ao ponto de se recusar a comer ovos por serem veículos de vida latente), é em si mesma contraditória e sumamente absurda, e tem confundido mais de um orientalista. Mas a explicação que agora mencionamos levanta o véu da alegoria, e tudo esclarece. Contudo, o Varâha não é simplesmente o Javali; mas, de início, segundo parece, deve ter significado algum animal lacustre antediluviano, "que se comprazia em – brincar dentro d'água" (Visbnu Purâna).

One Parardha—in the ordinary acceptation of this measure of time—or half of the existence of Brahmâ (in the present Maha Kalpa) has already expired; the last Kalpa was the Padma, or that of the Golden Lotus; the present one being Vârâha* (the "boar" incarnation, or Avatar) 

There is a curious piece of information in the Buddhist esoteric traditions. The exoteric or allegorical biography of Gautama Buddha shows this great Sage dying of an indigestion of pork and rice, a very prosaic end, indeed, having little of the solemn element in it. This is explained as an allegorical reference to his having been born in the "Boar," or Vârâha-Kalpa when Brahmâ assumed the form of that animal to raise the Earth out of the "Waters of Space." And as the Brahmins descend direct from Brahmâ and are, so to sneak, identified with him; and as they are at the same time the mortal enemies of Buddha and Buddhism, we have the curious allegorical hint and combination. Brahminism (of the Boar, or Vârâha Kalpa) has slaughtered the religion of Buddha in India, swept it away from its face; therefore Buddha, identified with his philosophy, is said to have died from the effects of eating of the flesh of a wild hog. The idea alone of one who established the most rigorous vegetarianism and respect for animal life—even to refusing to eat eggs as vehicles of a latent future life—dying of a meat indigestion, is absurdly contradictory and has puzzled more than one Orientalists. But this explanation, unveiling the allegory, explains all the rest. The Vârâha, however, is no simple boar, and seems to have meant at first some antediluvian lacustrine animal ‘delighting to sport in water." (Vâyu Purâna.)

Extrato de A Doutrina Secreta de H.P.Blavatsky, Seção VII, Os Dias e Noites de Brahmâ, p. 72, Volume II. 

 

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