Bem-viver: proposta de vida na Terra

Não há dúvidas de que há uma crise mundial. Crise financeira, desde setembro de 2008, que pareceu superada em 2010 mas agora voltou com força. Crise ecológica, que já vem de longe (em 1992 na Conferência do Rio tornou-se pública). Crise política: desde 1974 faliram os organismos mundiais de governança, e cada Estado impõe seus interesses.

Neste contexto de crise planetária, as pessoas que proclamam “um novo mundo possível” se voltam para outras fontes de saber, que não seja aquela que nos levou à crise. De Nossa América vem a novidade do Bem-viver que, como toda utopia, tem a função prática de fazer avançar, corrigir erros e retificar a caminhada, bem como a função teórica de abrir novos horizontes para a ética, a economia, a cultura, a política e a espiritualidade.

O Bem-viver como projeto alternativo

O Bem-viver é um conceito que visa recriar, diante do fracasso do neoliberalismo, um antigo conceito de certas culturas andinas como os Quetchua (Sumak Kawsay) e Aymará (Suma Qamaña). Depois de cinco séculos de colonialismo e dominação européia, os povos tradicionais do nosso Continente buscaram em sua sabedoria ancestral uma proposta de vida que os ajudasse a construir uma nova ordem social e política. No período de mobilização popular contra as políticas neoliberais, aquele projeto de vida coletiva ganhou novo conteúdo e nova forma, e sua força foi tanta que acabou sendo incorporado nas Constituições da Bolívia (2009) e do Equador (2008). Isso despertou a atenção de grupos e movimentos alternativos em outros países e foi assim que, nos últimos anos, o Bem-viver entrou na agenda de um número cada vez mais amplo de movimentos sociais, grupos e pessoas de todo o mundo.

Antes de explicar o que é o Bem-viver, é preciso deixar claro o que ele não é: uma volta a um passado idealizado. Os povos que viviam neste Continente antes da colonização européia tinham – e, de certa maneira ainda mantêm – modos de vida muito diferentes da moderna sociedade de mercado. Em todos eles o predomínio de relações de reciprocidade para a circulação de bens (dar / receber / retribuir), em lugar de relações de mercado (vender / comprar) e uma tecnologia rudimentar (se comparada à tecnologia ocidental posterior à revolução industrial), condicionaram a constituição de sociedades sem concentração da riqueza, embora socialmente estratificadas conforme seu acesso ao poder político, religioso ou cultural. Por isso, seus valores, suas leis e seus costumes eram – e ainda são – bem diferentes dos valores, leis e costumes da civilização ocidental-cristã. Por este motivo são conceitos inspiradores, mas não modelos a serem imitados.

Se não é um modelo a ser seguido, o que é então o Bem-viver?

O conceito refere-se a duas palavras com significados semelhantes em Quetchua e em Aymará: suma(k) > muito bom, e kawsay ou camaña > conviver. Literalmente, deveria ser traduzida como “boa vida”, mas sua conotação no Brasil daria confusão. Sua idéia central é a vida em harmonia (i) consigo mesmo, (ii) com outras pessoas do mesmo grupo, (iii) com grupos diferentes, (iv) com Pachamama – a Mãe Terra (v) seus filhos e filhas de outras espécies e (vi) com os espíritos.

Sua importância reside principalmente em sua capacidade de abrir nossas mentes para uma outra forma de viver que não seja só uma reforma da forma atual.

A espécie humana e a Terra

A história das relações entre a espécie humana e a Terra está chegando a um ponto crucial. Desde 100 mil anos atrás, quando nossos ancestrais iniciaram sua migração da África para outros continentes e formaram diferentes povos e raças, muitos eventos marcaram essa história. Dois deles representam mudanças estruturais e por isso são chamados de “revoluções”: a revolução neolítica (há 10 mil anos) que teve como base a domesticação de plantas (agricultura) e animais (criação de gado e aves) e a revolução moderna ocorrida há cerca de 500 anos. A primeira possibilitou a fixação dos grupos humanos em territórios e também seu crescimento demográfico. A segunda deu à nossa espécie o domínio técnico sobre a natureza, e assim trata a Terra como um enorme reservatório de recursos naturais a serem retirados, transformados, consumidos e descartados em forma de lixo. Mais recentemente, o processo de globalização levou os frutos da tecnociência até os confins da Terra. Assim, a espécie homo sapiens reina absoluta no Planeta mas vê, assustada, que sua sobrevivência está ameaçada. O Planeta tornou-se pequeno demais para ela.

O resultado é que hoje a espécie humana detém uma riqueza tão grande que escapa à compreensão de quem não é estudioso do tema: o valor da produção mundial está em cerca de US$63 trilhões. Para termos uma ideia do que ela representa, basta pensar que se fosse repartida entre toda a população do mundo, cada pessoa receberia US$9.000 por ano (R$1.300 por mês ). Mas essa riqueza está concentrada nas mãos de pouca gente: os bilionários, que hoje chegam a 1.210 pessoas, possuem um patrimônio total de 4,5 trilhões de dólares (média de US$2.250.000.000). Um estudo com base em dados de 37 milhões de empresas e investidores foi divulgado pelo IHU em 26/11/2011. Ele identifica 43 mil grandes empresas transnacionais e traça as conexões de controle acionário entre elas. Seu núcleo são 1.318 mega empresas, que em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo. Seu controle sobre a economia real atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo. Mas a pesquisa vai mais fundo e identifica uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente interrelacionadas que concentram riqueza e poder e controlam 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas. A maioria delas são bancos.

Quando a economia mundial cresce, as grandes fortunas aumentam mais do que a miséria diminui. Quando sobrevém uma crise, é contrário: os pobres perdem mais do que os ricos. Ou seja, o aumento da produção beneficia mais os ricos do que os pobres. No caso do Brasil, em 2011 está previsto gastar R$180 bilhões em juros da dívida pública (uma mega-sena acumulada de R$20 milhões por hora 365 dias do ano). Ou seja, ao aumentar o PIB e tornar-se o maior exportador de commodities (minerais e produtos agropecuários) do mundo, o Brasil responde antes aos anseios de seus credores (o sistema financeiro privado) do que às necessidades da nossa população. O governo se vê obrigado a fazer todo tipo de concessões ao agronegócio e às empresas de mineração (desmatamento, sementes transgênicas, agrotóxicos que contaminam pessoas, terras e águas, e desertificação), para satisfazer a voracidade dos credores e assim manter a estabilidade financeira e aumentar o consumo da população. Ao endividar-se para produzir, e produzir para pagar juros, o ambiente é quem paga a conta e fica com os prejuizos – que no futuro recairão sobre nossos netos e netas.

Muita gente aceita essa realidade, como se fosse natural, inevitável ou sempre tivesse sido assim, e acha que um dia as coisas vão melhorar para todos. É aí que é preciso pensar e questionar: como é que pode a economia crescer sempre, se a Terra continua do mesmo tamanho? A tecnologia avançou tanto que hoje já se exploram os recursos da Terra em locais antes inimagináveis como o petróleo na camada do pré-sal, a 5.000 metros abaixo do nível do mar. Mas não há tecnologia capaz de fazer a Terra crescer. Quando transformarmos todos os recursos da Terra em matéria-prima para a indústria, eles se esgotarão. E aí será o apagão da economia, porque o sistema produtivista-consumista está programado para funcionar até o esgotamento de suas fontes de matéria-prima e energia.

Ninguém consegue prever com certeza quando será esse apagão, mas é certo que a produção e a acumulação de riqueza gasta muito mais recursos do que a natureza consegue repor. Apesar das advertências, a receita econômica é a mesma: produzir, consumir e crescer sempre! Isto porque o sistema de mercado só funciona ao produzir mais riqueza. O pior é que a economia de mercado produz luxo e lixo. Retira os recursos da Terra, aproveita uma parte e descarta a outra em forma de lixo. É todo tipo de lixo: industrial, nuclear, venenos agrícolas, gazes de efeito estufa e outros materiais que a natureza não consegue reciclar. E assim a espécie humana vai alegremente destruindo a vida do Planeta porque acredita piamente que um dia a tecnociência vai resolver o problema da escassez de recursos e que nossos descendentes serão ricos e felizes para sempre. Este é o mito do progresso sem fim, que embala os sonhos de tanta gente pelo mundo afora…

O Bem-viver como alternativa para a economia mundial

É aqui que entra o Bem-viver como uma alternativa econômica ao sistema produtivista-consumista. Se a Terra não é um grande depósito de recursos naturais a serem explorados para produzir riquezas, mas sim a mãe de todas as espécies de vida – a Pachamama – o modo de produzir os bens de que necessitamos para viver tem que ser inteiramente diferente. Em vez de extrair / transformar / consumir / descartar, a economia deve ser regida pelo princípio do respeito à Terra. Ela é mãe generosa, mas não é rica. Mãe que nada nega a seus filhos e filhas, mas nós – como crianças mimadas e insensatas – exploramos a generosidade da mãe, tudo exigindo e nada retribuindo. Mesmo adoecida e desgastada como está hoje, a Terra continua a nos oferecer tudo aquilo que durante milênios produziu e conservou em seu seio. O Bem-viver propõe então outra forma de relação com a Terra: uma relação regida pelo respeito aos Direitos da Terra. Por conseguinte, é preciso proibir toda obra que lhe cause danos graves, como o projeto de usina hidrelétrica em Belo Monte, no Xingu.

É evidente que, se todos os Direitos da Terra forem respeitados, a produção de riquezas sofrerá uma drástica redução. Mas, pensando bem, mais cedo ou mais tarde o apagão dos recursos naturais obrigará nossa espécie a viver pobremente. Podemos então nos antecipar a ele e aprender a diminuir voluntária e planejadamente nosso consumo, e assim realizar o que o economista Serge Latouche chama de sereno decrescimento econômico. Não se trata de voltar a modos de vida de séculos passados, mas sim de iniciar desde agora o processo de redução geral de riquezas, de modo a nos prepararmos para um modo de vida muito mais simples. É claro que este não é o projeto dos 1.210 bilionários e das dezenas de milhares de milionários que vão perder sua fortuna, mas é por aí que podemos construir uma economia conforme o Bem-viver.

Lembremos a diferença entre desenvolvimento e crescimento. Quando nascemos, precisamos crescer, mas na idade adulta podemos nos desenvolver sem crescer. Pois isso se aplica à economia: chega de crescer! Podemos viver muito bem sem acumular riqueza, desde que aprendamos a desenvolver outras capacidades humanas e nos ocuparmos com as artes, a cultura, o campo espiritual, a sociabilidade, o esporte…

Uma importante experiência atual neste sentido é a da Economia solidária. Se ela for levada a sério como proposta para todos os âmbitos da economia – e não como solução de emergência para situações de precariedade do trabalho – ela poderá abrir um novo horizonte para a resolução do velho problema econômico: satisfazer os ilimitados desejos humanos com recursos naturais limitados. Esse desafio abre nossa reflexão para outra contribuição do Bem-viver para um novo horizonte.

Nova concepção do ser humano integrado à comunidade de vida

Fomos formados para entender o ser humano como representante de uma espécie superior a todas as outras. A tradição religiosa judaico-cristã enfatiza que somos “imagem e semelhança de Deus” e que fomos criados para “dominar a terra”. Uma interpretação literal dessa tradição dá origem ao antropocentrismo – que coloca o ser humano no centro e no topo da criação. A esta concepção refere-se L. Boff:

Ela surgiu há pelo menos cinco milênios, quando começaram a se constituir os grandes impérios, ganhou força com o Iluminismo e culminou com o projeto de tecnociência contemporâneo. Ela partia de uma visão mecanicista e antropocêntrica do universo. (…) O ser humano se entende fora e acima da natureza, como seu dono e senhor, que pode dispor dela a seu bel-prazer. (…) As ecofeministas nos chamaram a atenção para a estreita conexão existente entre antropocentrismo e patriarcalismo, que desde o neolítico faz violência às mulheres e à natureza.

O antropocentrismo é um equívoco, pois o ser humano não é um centro exclusivo, como se todos os demais seres somente ganhassem sentido enquanto ordenados a ele. Ele é um elo, um entre outros, da corrente da vida. Todos os seres vivos são parentes entre si, primos e primas e irmãos e irmãs, porque todos são feitos do mesmo pó cósmico e construídos com as mesmas informações contidas no código genético.

Para superar o antropocentrismo, L. Boff traz a proposta da comunidade de vida, tema central da Carta da Terra . Ela tem o mérito de entender a Terra como um grande organismo vivo do qual somos apenas uma parte, e isso é um avanço na construção de um sistema social, econômico e político de âmbito planetário fundado no respeito dos povos entre si e com o Planeta. Apesar disso, ela ainda conserva o viés antropocêntrico porque também para a Carta da Terra existe uma ruptura entre a humanidade e todas as outras espécies vivas. Por ser dotada de consciência e por isso ser a única espécie capaz de produzir conhecimento , a espécie homo sapiens fica acima de todas as outras. É como se todos os seres vivos fossem classificados em apenas duas categorias: uma, os pertencentes à espécie homo sapiens; a outra, a congregar indistintamente todas as demais espécies, a priori definidas como “inferiores”.
Hoje começamos a perceber que essa atribuição de superioridade à nossa espécie por causa de sua diferença em relação às outras é o preconceito do especismo. Assim como o racismo e o sexismo, ele desqualifica o diferente e estabelece uma hierarquia para justificar a dominação. Ora, onde a hierarquia entre diferentes justifica dominação, não há comunidade.

Aqui a novidade do Bem-viver, que supera o antropocentrismo e o especismo ao entender que todas as espécies vivas são igualmente filhas de Pachamama, a Mãe-Terra. Somos, sem dúvida, a única espécie a orgulhar-se de sua consciência, mas não somos a única capaz de perceber por meio dos sentidos a própria individualidade, estabelecer relação com outros indivíduos – da própria e de outras espécies – e com o ambiente natural onde vive. Embora os limites do que se chama senciência não sejam nítidos, é inegável que muitas espécies vertebradas – pelo menos entre mamíferos e aves – têm esse atributo. São capazes de perceber o próprio corpo, sentir dor, prazer, medo, carência, satisfação e empatia com seus semelhantes, especialmente quando estes são filhotes. Por isso, a senciência é o fundamento da igualdade básica entre as espécies que formam a comunidade de vida, assim como a consciência é fundamento da dominação da nossa espécie sobre as demais.

O Bem-viver exige abertura de espírito para a inclusão de outras espécies como sujeito de direitos. Ainda não sabemos como isso poderá realizar-se, porque os animais não conseguem expressar-se por meio da fala e dependem que a nossa espécie, pelo exercício da razão, reconheça seus direitos. Com certeza o primeiro passo é entender que a diferença não pode jamais ser motivo para dominar outras espécies nem, pior ainda, tratá-las como coisas. Este primeiro passo pode levar a muitas mudanças em nossa vida prática, como a proibição de uso de animais em experiências de laboratório, a abolição dos tratamentos cruéis e do enjaulamento, bem como a adoção de dieta alimentar vegetariana.

Na medida em que dermos o primeiro passo no sentido de incluir na esfera dos direitos outras espécies vivas – pelo menos aquelas dotadas de senciência – conseguiremos vislumbrar o passo seguinte na implementação de uma comunidade de vida digna desse nome. Antes desse primeiro passo, porém, tudo que dissermos será apenas elucubração inconsequente.

Conclusão: novo horizonte para a política

O Bem-viver representa hoje um enorme desafio ao pensamento e à prática, porque constitui uma nova utopia, que toma o lugar da antiga utopia do progresso sem fim que está desmoronando. Como toda utopia, o Bem-viver é ideia-força, não um sonho irrealizável. É ideia que deve mobilizar as vontades para tornar-se realidade na história, e não um ideal ilusório que nos afasta do real. Para quem já não acredita mais na utopia do progresso sem fim e não se contenta com medidas no sentido de reduzir os danos do atual sistema de mercado, o Bem-viver desperta uma nova esperança e abre o horizonte para projetos radicalmente diferentes.

Ao superar o antropocentrismo e entender a espécie humana como parte responsável por cuidar da grande comunidade de vida – e não como espécie com o direito de dominar as demais – o Bem-viver obriga a reformular nossa teoria econômica. Nesta perspectiva, os fatores naturais e ecológicos não podem mais ser considerados “externalidades” ao processo produtivo, mas bens cujo valor econômico precisa ser contabilizado. Seus parâmetros de sucesso não se medem mais pelo PIB, mas sim pelo grau de harmonia que se alcança na relação (i) consigo mesmo, (ii) com outras pessoas do mesmo grupo, (iii) com grupos diferentes, (iv) com Pachamama – a Mãe Terra (v) seus filhos e filhas de outras espécies e (vi) com os espíritos. Aí, e não no consumo de bens e serviços, reside a felicidade humana. Esta é uma lição de sabedoria que o mercado tenta desqualificar como ingênua, mas que poderá resistir à grande crise do apagão dos recursos naturais do Planeta.

Também nossa teoria política precisará passar por profunda mudança para moldar-se ao Bem-viver. Se não somos a única espécie a ser considerada como sujeito de direitos, a teoria política precisa alargar seu horizonte para incluir outras espécies – pelo menos as sencientes – numa ordem planetária muito mais complexa do que aquela que hoje temos em vista. Uma vez estabelecidos e reconhecidos os Direitos da Terra e de toda a comunidade de vida que nela habita, novas formas de governança deverão ser inventadas, para assegurar uma relação o quanto possível harmoniosa entre essas formas de vida desde o âmbito local até o âmbito planetário.

É claro que tais propostas encontram e encontrarão muitas resistências. No primeiro momento em que ouvi falar de Bem-viver, minha reação foi de pensar que era um novo nome para uma antiga utopia. Foi preciso estudar um pouco o assunto para perceber sua radical novidade e então entender que aí está uma alternativa viável para a existência humana no século XXI.

Teimoso e forte, o sistema produtivista-consumista regido pelo mercado seguirá destruindo os recursos naturais do Planeta até seu completo apagão. Pode-se prever que aumentarão em número e em intensidade os conflitos pelo controle do petróleo, da água, da terra cultivável e de minerais cada vez mais raros. Ainda que políticas de empoderamento dos setores sociais mais vulneráveis possam reduzir seu sofrimento, não haverá como evitar a crise que vai marcar o fim desse sistema. Será esse o momento de a utopia do Bem viver revelar seu valor. Para isso, ela precisa ser desde hoje alimentada por meio de novas práticas sociais, políticas, econômicas e espirituais.

Pedro A. Ribeiro de Oliveira
Sociólogo, Professor do PPGCR / PUC-Minas
Membro da equipe de ISER-Assessoria
Membro da coordenação nacional do MF&P
 

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