Beatriz Medina – jornalista e tradutora

Meu nome é Beatriz Medina . Tornei-me vegetariana há mais de 20 anos por razões bem pouco nobres: preguiça e nojo de carne crua e de gordura. Minha filha mais velha tinha acabado de nascer e tive de assumir mais responsabilidades domésticas, mas não conseguia conter as ânsias de vômito quando tinha de entrar num açougue ou untar um tabuleiro com manteiga. Apresentaram-me um restaurantezinho macrobiótico perto da faculdade, lá consegui alguns folhetos e então mudei (a despeito de todas as acusações de maluquice e irresponsabilidade por parte de minha mãe). Eu era uma jovem saudável de 19 anos na época, mas descobri o que era realmente saúde na primeira semana sem carne e sem açúcar, com arroz integral, feijões, verduras e legumes. Não sentia sono. Ia dormir de madrugada, acordava às seis da manhã, dava de mamar à minha filha Inês e saíamos para uma "voltinha" a pé em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas ou até a praia de Ipanema (para quem conhece o Rio: eu morava no Jardim Botânico – é uma bela caminhada).  Fiquei tão entusiasmada por me sentir tão bem, feliz, animada, cheia de vida, que tive desejo de convencer todo mundo a virar vegetariano. Fui muito, muito chata durante alguns anos, até ver que essa opção é muito pessoal, e que só faz efeito quando a pessoa realmente deseja mudar. Quem muda a alimentação por causa de moda, desmuda depois, e esse "muda-desmuda" acaba trazendo problemas para a saúde – e desacreditando o vegetarianismo. 

Abraços, 
Beatriz Medina 
Rio de Janeiro, Brasil. 

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