Perguntas e Respostas

Animais para entretenimento

69.  Os zoológicos não contribuem para salvar espécies de extinção

Os responsáveis pelos zoológicos freqüentemente alegam que eles são  "arcas", que podem preservar espécies cujo habitat tenha sido destruído,  ou que tenham sido exterminadas por outras razões (como a caça). 

Eles sugerem que podem manter a espécie em cativeiro até que a causa  da extinção tenha sido remediada, e então eles reintroduziriam com  sucesso os animais no meio selvagem, resultando em uma população  saudável, auto-sustentada. Os zoológicos defendem sua existência contra  o questionamento feito pelo movimento dos DA desta maneira. 

Contudo, há vários problemas com esse argumento. Primeiro, o numero de  animais necessários para manter um patrimônio genético viável pode ser  bem alto, e nunca se sabe ao certo. Se o patrimônio genético for muito  pequeno, o desenvolvimento em cativeiro pode resultar em suscetibilidade  à doenças, defeitos congênitos e mutações prejudiciais;  a espécie pode  ficar tão enfraquecida que já não seria mais viável no ambiente selvagem. 

Algumas espécies são extremamente difíceis de criar em cativeiro:  mamíferos marinhos, várias espécies de pássaros e assim por diante.  Pandas, que tem sido o foco de esforços de desenvolvimento em cativeiro 
por várias décadas em zoológicos de todo o mundo, são notórios pela  dificuldade de desenvolvê-los em cativeiro. Com tais espécies, os  zoológicos, por estarem tirando animais do meio selvagem para abastecer 
seus programas de criação em cativeiro, estão prestando um desserviço  exaurindo a população selvagem. 

O conceito de restauração de habitat é pleno de dificuldades criticas.  Os animais ameaçado pela caça ilegal (elefantes, rinocerontes, pandas,  ursos e mais) nunca estarão a salvo em seu habitat enquanto existirem  armas de fogo, necessidade material e disposição para consumir partes  de animais. 

As espécies ameaçadas por contaminação química (como espécies de aves  vulneráveis à pesticidas e à venenos a base de chumbo) não poderão  ser liberadas enquanto não pararmos de usar essas substancias, e até  que tenha passado o tempo necessário para as toxinas sejam recicladas  pelo meio ambiente. E como os metais pesados e alguns pesticidas são  ambos persistentes e bioacumulativos, isso significa várias décadas 
ou séculos antes que seja seguro reintroduzir os animais. 

Mesmo se esses problemas puderem ser superados, ainda há dificuldades  com o processo de reintrodução. Problemas como o costume no convívio  com humanos, a necessidade de ensinar os animais a voar, caçar, 
construir tocas e ninhos e criar seus filhotes são obstáculos sérios,  e devem ser resolvidos individualmente para cada espécie. 

O limite é pequeno quanto ao numero de espécies que a rede global de  zoológicos podem preservar, mesmo sob as perspectivas mais otimistas.  Grandes restrições são impostas pela falta de espaço nos zoológicos, 
seus recursos financeiros e a necessidade de um patrimônio genético  viável para cada espécie. 

Por exemplo, poucos são os zoológicos que mantém mais que dois  indivíduos da mesma espécie para mamíferos grandes.  A necessidade de preservar várias centenas de uma espécie de animal  em particular está além dos recursos até mesmo dos maiores  zoológicos e mesmo todos zoológicos no mundo sofreriam pressões até  por abrigar umas poucas dúzias. 

Compare isso com a eficiência das grandes reservas ecológicas, as  quais podem manter populações viáveis do todo complexo de espécies  com interferência humana mínima. As grandes reservas mantém cada  espécie no ecossistema de maneira predominantemente auto-suficiente,  ao mesmo tempo que mantém as criaturas em seus habitats naturais  sossegadas. 

Se os recursos financeiros (ambos governamentais e de caridade),  e a experiência dos biólogos, atualmente consumidos pelos zoológicos,  fossem redirecionados para a preservação e gerenciamento do habitat,  poderíamos ter uma preocupação bem menor quanto à restauração de  habitats e preservação das espécies cujo habitat foi destruído. 

A escolha dos zoológicos como meios de preservação das espécies, além  de ser caro e de eficácia duvidosa, tem problemas éticos sérios.  Manter animais em zoológicos os prejudica, negando a liberdade de  movimento e associação, que é importante para os animais sociais e  frustra vários de seus padrões naturais de comportamento, deixando-os  no mínimo, com monotonia, e no pior caso, neuróticos. 

Ao mesmo tempo que nos possamos sentir que há algum beneficio que  justifique mantê-los em cativeiro (a espécie ser preservada para  algum dia ser reintroduzida no meio selvagem), isso não é um  beneficio compensador para os animais individualmente. As tentativas  de preservação de espécie por meio de cativeiro tem sido descritas  como o sacrifício do gorila individual para salvar o gorila abstrato  (isto é, o conceito abstrato de gorila). 
JE 

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