Animais em Laboratórios

77  O que há de errado na experimentação em animais? 

Os alegados benefícios de usarmos animais em pesquisa torna essa pratica o  desafio mais significativo à filosofia dos DA. Ainda que seja fácil  demonstrar que o consumo e a produção de carne não passa de uma satisfação  de um capricho gastronômico, o mesmo não é tão fácil fazer com relação aos  experimentos em animais. 

Primeiro, uma definição. Nos referimos por "vivissecção" quaisquer usos de  animais em ciência ou pesquisa, que os explore e os prejudique. Essa  definição reconhece que há algumas pesquisas e que o uso de animais é 
moralmente aceitável dentro da filosofia dos DA (veja a questão 80). 

A questão da vivissecção é baseada em três propostas. Eles são: 
A) Vivissecção é imoral e deveria ser abolida. 
B) Rejeitar a vivissecção não é ser contra a ciência ou contra as  pesquisas. 
C) As conseqüências de se abolir a vivissecção são aceitáveis. 

É fácil entender a filosofia dos DA a respeito da vivissecção da forma  errada. Freqüentemente, os cientistas vão debater incessantemente sobre  a validade cientifica da pesquisa em animais, e às vezes os ativistas dos 
DA entram nesses debates. 

Tais questões são parte do principio C, o qual afirma que muitas pesquisas  são mal aplicadas, erradas ou levam a conclusões errôneas.  Contudo, o núcleo da proposta dos DA é o principio A, o qual faz objeções 
à vivissecção no campo ético. E nos procuramos tranqüilizar as pessoas  quanto ao progresso da medicina por meio dos princípios B e C. 

No material que se segue, cada trecho de texto está identificado com o  principio ao qual ele se refere. A idéia é mostrar como os trechos se  encaixam na proposta geral. Há trechos sobre B e C que se sobrepõem e 
assim, a classificação pode parecer arbitraria em alguns casos. 
DG 

[Proposta A] 
Mais de 100 milhões de animais são usados em experimentos no mundo a  cada ano. 
Uns poucos exemplos mais notórios da vivissecção podem ser esclarecedores  para os menos informados (tirado do livro "Victims of Science" de R.  Ryder): 

– Psicólogos deram choques elétricos nos pés de 1042 ratos. Eles então  experimentaram dar choques mais intensos, que causaram convulsões, através  de eletrodos pontiagudos aplicados aos olhos dos animais ou através de  prendedores aplicados às suas orelhas. 

– No Japão, ratos famintos com eletrodos em seus pescoços e em seus globos  oculares são forcados a correr em esteiras por 4 horas seguidas por  experimento. 

– Um grupo de 64 macacos foram induzidos à dependeria de drogas por  injeção automática nas veias jugulares. Quando o abastecimento das drogas  foi cortado abruptamente, observou-se que alguns dos macacos morreram em  convulsões. Antes de morrerem, alguns dos macacos arrancaram todos os pelos 
de seu corpo e arrancaram seus próprios dedos das mãos e dos pés à  dentadas. 

Objeções éticas básicas a esse tipo de "ciência" são apresentados aqui e  nas questões 79 e 85. Algumas objeções técnicas são encontradas nas  questões 78 e 80. A questão 92 contem uma lista dos livros sobre 
vivissecção;  consulte-os para mais exemplos dos excessos da vivissecção,  bem como uma discussão mais detalhadas a respeito de seus méritos técnicos. 

A VIVISSECÇÃO TRATA ANIMAIS COMO FERRAMENTAS. 

A vivissecção efetivamente reduz seres sencientes ao status de ferramentas  descartáveis, para serem usadas e jogadas fora em beneficio de outros.  Isso é esquecer que cada animal tem um valor inerente, um valor que não  aumenta ou diminui dependendo dos interesses de outras pessoas. Aqueles  que duvidam disso deveriam pensar nas implicações desse ponto-de-vista  para os próprios humanos:  eles apoiariam a criação de escravos humanos  exclusivamente para uso em experimentos? 

A VIVISSECÇÃO É PRECONCEITO DE ESPÉCIE. 

A maioria dos experimentadores em animais não usaria humanos, sem  consentimento próprio, nesse tipo de pesquisa invasiva. Fazendo essa  concessão, eles revelam a importância que dão a ser membro de sua 
espécie, uma linha biológica que é tão moralmente relevante como o  de cor da pele ou gênero, isto é, não tem relevância nenhuma. 

A VIVISSECÇÃO REBAIXA A CIÊNCIA. 

Suas práticas bárbaras são um insulto para aqueles que propõem que a  ciência deveria dar aos humanos a oportunidade de se situar acima das  leis mais severas da natureza. 

As palavras de Tom Regan sumarizam o sentimento de vários ativistas  dos DA:  "Os feitos laudatórios da ciência, incluindo os vários  benefícios genuínos obtidos para ambos humanos e animais, não justificam 
os meios injustos usados para obtê-los. Como em outros casos, e também  neste, a visão dos direitos não clama pela interrupção da pesquisa  cientifica. Tais pesquisas devem continuar – mas não às custas dos 
animais de laboratório." 
AECW 

Atrocidades não são atrocidades menores quando ocorrem em laboratórios,  ou quando recebem o nome de "pesquisa medica". 
George Bernard Shaw (dramaturgo, Nobel 1925) 

A vivissecção é o pior de todos os piores crimes que o homem está  atualmente cometendo contra Deus e sua bela criação. 
Mahatma Gandhi (estadista e filósofo) 

O que eu penso da vivissecção é que se as pessoas acham que tem o  direito de tirar a vida ou arriscar a vida de seres viventes para o  beneficio da maioria, então não haverá limite para a sua crueldade. 
Leo Tolstoy (escritor) 

Não estou interessado em saber se a vivissecção produz ou não  resultados lucrativos para a raça humana … A dor que ela inflige  sobre os animais à sua revelia é a base da minha inimizade contra 
ela, e isso é justificativa o suficiente para a minha inimizade  sem mais considerações. 
Mark Twain (escritor) 

Veja também:  78 – 82, 85 – 86 

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