Anchieta

 

Para encerrar, estive neste fim de semana numa grande ‘recepção’: a Festa Nacional das Sementes Crioulas, em Anchieta (SC). Cerca de 30 mil pessoas, de todas as regiões. O que teve início, em 2000, como uma festa regional transformou-se, rapidamente, numa festa nacional. O ‘Instituto de agrobiodiversidade e desenvolvimento socioambiental Porerekan’ (2) é a principal força inspiradora por trás do evento. Como o movimento internacional Via Campesina ajuda a puxar a ‘carroça’, o encontro também possui uma forte dimensão internacional, com participantes e estandes de outros países. O evento é parte da campanha ‘Sementes – patrimônio do povo a serviço da humanidade’.

 

A cidade de Anchieta sofreu grande transformação devido a esta festa bienal. A agrobiodiversidade de sementes teve um enorme aumento em sete anos. Em 2000, eram cinco famílias que cultivavam 17 variedades de milho. Atualmente, são 200 famílias envolvidas na guarda e multiplicação de sementes crioulas: 32 variedades de milho, 5 de feijão, 2 de milho pipoca, 5 de adubo verde, trigo, arroz, centeio, verduras, abóbora, morango, melão, amendoim, mandioca, batata… Raças antigas de animais domésticos também: catetos, galinhas, pombas, cavalos, mulas e burros, ovelhas, gansos, patos, vacas, etc.

 

E Anchieta é o último pedaço na grande recepção de ‘Aurora no campo’? Não, vamos tornar a encher os pratos. Há tantos outros grupos, organizações, sindicatos, movimentos no Centro-Oeste do Brasil, no Sudeste, no Nordeste, no Norte, na Região Amazônica. Na Europa ocorre tanto mais do que o pouco que eu consegui relatar nestas crônicas.

 

[Foto 64]

Sementes crioulas: autonomia do agricultor familiar, Anchieta (SC).

 

É por isso que encerro este livro com a indicação de um pequeno número de sites. Uma lista aberta. Os brasileiros completarão sua lista e os europeus a deles. Também assim os asiáticos, os africanos, os norte-americanos… E vamos estabelecer links à vontade. Aí ninguém ficará envergonhado por ser o último a sobrar. Nós somos muitos. Como grãos germinando na luz da aurora. Você ainda não enxergou?

 

Anchieta, 22 de abril de 2007.

 

(1)   ‘Soja e o lobo bravo’, mais atual que nunca? Leia: a crônica de mesmo nome no livro Navios que se cruzam na calada da noite. Soja sobre o oceano. Curitiba: Gráfica Editora Popular/Cefuria, 2006.

(2)   Instituto de agrobiodiversidade e desenvolvimento socioambiental Porerekan. A palavra ‘porerekan’ tem origem na língua da etnia kamaiurá, do Xingu, e significa: a nossa cultura, o nosso saber, a relação do homem com o mundo. Se você quiser entrar em contato com o Instituto Porerekan, envie um e-mail para Adriano Canci, adrianocanci@yahoo.com.br.

 

<http://www.ipep.org.br>.

<http://www.aspta.org.br>.

<http://www.ecovida.org.br>.

<http://www.assesoar.org.br>.

<http://www.apaco.org.br>.

<http://www.bothends.org>.

<http://www.fetrafsul.org.br>.

<http://www.mst.org.br>.

<http://www.viacampesina.org>.

<http://www.foodsovereignty.org>.

<http://www.forumcarajas.org.br>.

<http://www.cefuria.org.br>.

<http://www.deser.org.br>.

<http://www.fase.org.br>.

<http://www.vegetarianismo.com.br>.

<http://www.trabalhoindigenista.org.br>.

<http://www.frutosdocerrado.com.br>.

<http://www.condominiobiodiversidade.org.br>.

<http://www.dakardeclaration.org>.

<http://www.jornaldomeioambiente.com.br>.

Please follow and like us: