Aurora no Campo - Soja Diferente

Amazônia de hoje, Chapecó de ontem

Conversamos longamente sobre passado e presente. Sobre os caboclos (1) que, naqueles tempos, eram assassinados ou expulsos pelos imigrantes europeus, sobre racismo, sobre a versão oficial da história e a história das vítimas – que somente vem sendo estudada nos últimos anos; sobre soja transgênica; sobre trabalho sindical; sobre mudanças nos usos e costumes (“de um banho por semana para duas ou três chuveiradas por dias!”); sobre o descaso dos brasileiros no uso de, por exemplo, energia elétrica, água e outras evidências diárias; sobre consumo elevado de carne e desmatamento (“Porque o que hoje ocorre na Amazônia – desmatamento provocado pela explosão nas exportações de carne de gado e de soja – ocorreu nesta região há cinqüenta anos atrás”). Sobre o sonho de realmente voltar a viver e trabalhar num sítio.

Por causa do trabalho sindical, há dez anos eles se conheceram num ônibus que ia de Brasília a São Paulo e o casal comprou uma chácara em Chapecó. Orlando toma conta do sítio de 24 hectares / 9 alqueires com gado (nove vacas leiteiras e vários novilhos; Jersey e ‘a vaca holandesa’), ovelhas, alguns porcos, a dupla soja/milho, capim-elefante, mandioca, piscicultura, uma horta variada. Chama a atenção a ‘vassoura’, uma planta que lembra o milho, mas é mais alta. Sua panícula ainda é muito utilizadas pelas pessoas para varrer o chão.

Dentro em breve, o filho de Orlando vem ajudar no sítio. Provavelmente a lavoura de soja será transformada em pasto para manter mais cabeças de gado leiteiro. “Em longo prazo, a soja não será mais rentável para a agricultura familiar. A relação entre custo e produção e preço e a ferrugem asiática vão cuidar disso”, é a previsão de Orlando.

 

[Foto 21]

O chimarrão e a garrafa térmica vão juntos para todo lugar

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