Além das folhas O vegetarianismo é mais do que uma dieta, é um estilo de vida, garantem os adeptos

Por Ilana Ramos
26/05/2011  
 

Nem só de pão vive o homem. E nem só de carnes. Ou folhas. Adotar uma dieta vegetariana vai muito além da mudança de hábitos alimentares, garantem seus adeptos. Aspectos pessoais, sociais e ambientais muitas vezes são considerados por aqueles que adotam uma vida sem carne. Além de ser uma dieta fácil, saudável e limpa, ainda contribui para reduzir os maus tratos aos animais e protege o meio ambiente. Famosos como Lima Duarte, Rita Lee, Richard Gere e Paul Mc Cartney reforçam o coro a favor do vegetarianismo.

Existem muitos mitos acerca do que é ser vegetariano, mas um deles é verdade. Ser vegetariano é não ingerir carne, de nenhum tipo. Segundo a socióloga, coordenadora da União Vegetariana Internacional e presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Marly Winckler, “o vegetariano é aquele que não come nenhum tipo de carne e nenhum tipo de derivado, como gelatina, presunto e salsicha. Existem vários tipos de vegetarianos, alguns que consomem certos produtos de origem animal, como leite e ovos, e outros que são estritos. Os frugívoros, por exemplo, são vegetarianos que só consomem frutas. Não existe um tipo melhor ou pior, cada um se adequa ao que lhe faz bem”.

Por que ser vegetariano? Segundo a socióloga, o vegetarianismo entra na vida de uma pessoa porque alguma coisa a faz querer privar-se de alimentos de origem animal. “A conscientização a respeito dos maus tratos com os animais quando são abatidos para o nosso consumo é uma questão que leva muitas pessoas a escolherem parar de comer carnes. Outra que muitos consideram é o impacto ambiental que fazendas agropecuárias causam, já que para produzir um quilo de carne são utilizados cerca de 18 mil litros de água. E tem também, lógico, os benefícios para a saúde que o vegetarianismo traz. Pesquisas realizadas comprovaram que vegetarianos têm 50% menos diabetes, 31% menos cardiopatias e até 88% menos câncer de intestino grosso”, alerta Marly.

Mas o vegetarianismo vai muito além das adaptações alimentares. O vegano, por exemplo, é um vegetariano estrito que adota o repúdio aos maus tratos com animais como um verdadeiro estilo de vida. “Eles não realizam nenhuma atividade ou consomem qualquer produto ou serviço que envolva sofrimento animal. Não visitam zoológicos, não usam roupas de lã ou couro e não consomem cosméticos previamente testados em animais. Eles levam a questão animal para o lado pessoal e para todos os aspectos da vida”, conta a socióloga.

Para aqueles que acreditam que a dieta sem carnes restringe a possibilidade de variação dos pratos, melhor pensar duas vezes: ela pode até ampliar a gama de combinações de alimentos. “Esse é um mito muito comum quando as pessoas tentam definir a dieta vegetariana. Ser vegetariano não é só comer folhas. Existem restaurantes vegetarianos que apresentam cardápios extensos e combinações surpreendentes e muito saborosas, além de serem mais saudáveis. Pesquisas revelam que o brasileiro consome sal, açúcar e carne em grande quantidade. E também mostram que 60% estão acima do peso. Isso tudo nos faz pensar sobre o assunto, não?”, argumenta a socióloga.

Quer dizer que alimentos de origem animal são totalmente dispensáveis na nossa dieta? Bom, não é bem assim. “A vitamina B12, essencial para a correta manutenção do nosso organismo, só é encontrada em alimentos de origem animal. Para os vegetarianos estritos, no entanto, isso não chega a ser um problema. Assim como existem alimentos consumidos por todos que são enriquecidos com nutrientes, como é o caso do sal e da farinha, alguns alimentos vegetarianos também podem ser enriquecidos com a B12. No caso de ausência desses alimentos, o vegetariano pode consumir complementos vitamínicos em forma de cápsula”, finaliza Winckler.

Please follow and like us: