Ainda assim

A história dos últimos 40 anos não é muito animadora para a agricultura familiar. Pode-se chamar de milagre que – apesar das nuvens de veneno, sementes híbridas, transgênicos, dívidas, violência e expulsão – ainda existam tantos agricultores que resistiram. E o que dá mais esperança é o fato de, nestes dias, estarmos reunidos aqui com muitos jovens.

Na universidade em Guarapuava há uma série de palestras. Em seguida, são demonstradas tecnologias adaptadas à pequena propriedade.

O primeiro palestrante utiliza a inesperada expressão ‘tecnologia socialista’. Eu suspeito que para muitos ouvintes isto soou estranho. Aliás, para mim também, principalmente quando se tem em mente que as propriedades comunistas e socialistas eram fazendas de grande escala, industriais, com trabalhadores rurais desvinculados da terra, grandes máquinas, agroquímicos. Esta herança ainda é vista no leste da Alemanha, a antiga República Democrática da Alemanha. É exatamente lá, nestas grandes propriedades, que estão sendo semeadas as primeiras sementes transgênicas na Europa. Também em Cuba a agricultura somente se converteu para a agroecologia após a implosão da União Soviética. E foi por necessidade, porque a importação de petróleo e adubos químicos deixou de existir. O próprio MST, do Brasil, somente voltou seus olhos para agroecologia, sementes próprias, uma agricultura em menor escala e com menos impacto ambiental nos últimos anos, após se firmar na luta socialista. É porque o ‘verde’ não flui automaticamente do ‘vermelho’…

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