Agrofloresta: floresta e lavoura juntas

O conhecimento reunido, ‘re-descoberto’, das famílias de agricultores é decorrente do contato íntimo com a floresta e seus processos de regeneração e já se transformou num movimento pela ‘agrofloresta’. Reunidos na cooperativa, eles ‘re-descobrem’ seu valor. Para eles, é um grande prazer receber regularmente os grupos de interessados. Os jovens enxergam, novamente, que há futuro no campo e não fogem mais para as grandes cidades. Simultaneamente, as famílias percebem que estão num movimento crescente, pois fazem parte da rede maior da ‘Ecovida’.

Assim como outras centenas de famílias da Ecovida, eles participam semanalmente de feiras. No caso deles, trata-se principalmente do amplo mercado de produtos orgânicos, em Curitiba. É maravilhoso vê-los com suas frutas e muito mais. Eles também vendem uma série de produtos feitos a partir de suas deliciosas bananas. O caminho da agrofloresta e do policultivo não é só interessante do ponto de vista ecológico. Quando um agricultor cultiva somente feijão ou somente milho, ele consegue uns 500 reais por hectare. Se optar pela diversificação, ele realmente tem o dobro do trabalho, mas cada hectare rende de 3 a 4 mil reais. Com essa renda, é possível até contratar mão-de-obra, gerando trabalho e futuro no campo.

 

A agricultura e a exploração florestal podem se enriquecer mutuamente. Além disso, as árvores estabilizam o clima e fornecem, gratuitamente, energia verde!

Todos se beneficiam: a floresta, a água, a terra, os frutos, a (agro)biodiversidade. E as pessoas e suas comunidades.

Barra do Turvo e muitas outras localidades são a prova disso (1).

 

Curitiba, 25 de março de 2006.

 

(1)   Estes processos não estão ocorrendo somente no Brasil. Johan D’Hulster é um agricultor agroecológico belga e um simpatizante de Wervel desde seu início. Há alguns anos, ele trabalha num projeto de intercâmbio com a Índia. Indian National Trust for Art and Cultural Heritage (Intach) [Fundo Nacional Indiano para o Patrimônio Artístico e Cultural]: <http://www.lostgardens.com>.

O projeto visa restaurar os recém-descobertos hortos do marajá, que datam do século XVIII. A agrofloresta é um componente importante neste processo. No Brasil, já há uma série de publicações sobre agroflorestas. Elas podem ser encontradas, entre outros, no site <http://www.assesoar.org.br>, em Francisco Beltrão.

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