A criatividade da agricultura familiar na Bahia

Com o grupo nós visitamos vários tipos de comunidades que desenvolveram alternativas: quilombolas (descendentes dos escravos negros) que juntos administram uma empresa em franca expansão; horticultores; uma plantação de cacau ‘socialmente justa’. A horticultura envolve uma empresa de 8 hectares, com hortaliças, frutas (árvores frutíferas) e flores. Toda a comercialização, principalmente no mercado local e também um pouco mais distante, em Salvador, é administrada pelos próprios agricultores. Desta maneira, dez (!) famílias conseguem sobreviver com 8 hectares e, além disso, todas as dez conseguem uma renda superior a um salário mínimo. Eles cultivam cerca de 20 espécies de hortaliças diferentes e utilizam um mínimo de agrotóxicos. Eles pagam 800 reais por quatro caminhões de esterco de aves, ou seja, o esterco de um lote de aves de uma granja integrada.

 

O patriarca da plantação de cacau familiar tem 12 filhos. Cinco trabalham na propriedade, sete trabalham em outros locais. A propriedade tem 95 hectares, dos quais 40 são plantados com cacau. O restante é ocupado com floresta e mandioca. A plantação de cacau também é uma excelente maneira de fazer reflorestamento, pois as árvores são cultivadas à sombra de árvores mais altas. Além disso, é um policultivo, com frutíferas como coqueiros, mangueiras, cajueiros (tanto para obtenção das castanhas quanto da polpa, utilizada para fazer suco) e jaqueiras. Também aqui eles quase não usam agrotóxicos. Um dos filhos nos contou que, na região, resta pouca tradição de trabalho cooperativo. Assim, a comercialização de mandioca e cacau é feita por até três intermediários, e cada um deles quer lucrar com o negócio. Atualmente, porém, a idéia de trabalhar em cooperativa começa a ganhar força e a Fetraf-Bahia desempenha um papel importante nisso.

 

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Viver de oito hectares com dez famílias

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