A biodiversidade está na gente

‘Minha’ mulher desaparece atrás de um ônibus. As flamejantes flores vermelhas alegram seu dia e, mais tarde, enfeitarão seu barraco. Talvez seria ela uma das 30 milhões de pessoas que, nos últimos 40 anos, foram obrigadas a abandonar o campo? Devido à ‘Revolução Verde’, que despreza a (agro)biodiversidade. A Revolução Verde que formava um contra-ataque perfeito para a ameaça da Revolução ‘Vermelha’ da reforma agrária. A ‘Contra’-Revolução dos militares, do século XX, que defendiam a ‘Ordem e Progresso’. O Brasil do século XXI, engajado na onda desenvolvimentista das nações. De modo ordeiro. Cada um no seu lugar.

Quer apostar como a mulher das flores sente saudades da riqueza de flores de seus campos sulinos? Eles estão descritos aqui nos painéis como uma relíquia do passado. “Resta somente 1% da área original”, informam os painéis sobre a biodiversidade.

Os ônibus e as paradas de ônibus foram lindamente decorados e ostentam os dizeres: ‘A biodiversidade está na gente’.

 

[Foto 28]

A biodiversidade está na gente

 

Com muito amor e saudade, esta mulher me acompanha quando vou dormir. Ela e as muitas outras pessoas que sentem falta dos campos floridos e da vida na roça, no meio rural.

Será que a recuperação ainda é possível neste mundo?

 

Curitiba, 13 de março de 2006.

 

(1)    MOP3: 3ª Encontro das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que trata do comércio de produtos transgênicos (geneticamente modificados ou GGOs).

COP 8: 8ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica.

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