Paul Carton

 Paul Carton

Se quisermos nos libertar do sofrimento, não devemos viver do sofrimento e do assassínio infligidos a outros animais. 

"A saúde do espírito adquire-se pela obediência às leis espirituais, que regulam a elevação dos pensamentos, a formação da inteligência e a educação da vontade. A saúde do corpo físico obtém-se pela pureza e pelo equilíbrio dos humores, graças a uma alimentação pura e mode- rada, a um exercício regular e proporcionado, e a uma higiene natural.

O progresso e a felicidade decorrem fatalmente da perfeição e do emprego harmonioso das forças espirituais, vitais e físicas. Uma educação que despreza os cuidados do corpo ou do espírito, produz discordâncias de caráter, desarmonias de desenvolvimento, e fatalmente desordens de espírito ou do corpo. É assim que homens de um poder mental prodigioso podem arruinar-se prematuramente, por falta de cuidados físicos racionais, e encontrarem-se privados do desenvolvimento integral que podiam conseguir. Do mesmo modo, a educação física demasiado exclusiva acaba em falta de cultura espiritual. Tanto é verdade que não se pode pensar corretamente maltratando o corpo, como também em bom estado orgânico pensando de uma maneira defeituosa."

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O Dr. Paul Carton, higienista e pioneiro da dietética natural, costumava chamar a atenção para os malefícios dos três alimentos brancos, desvitalizados, que são:

a) o sal branco ( lavado)

b) o açúcar branco (refinado)

c) o pão branco (de farinhas purificadas).

Afirmava também que esses três alimentos, desmineralizados, desvitalizados e destituídos dos fermentos necessários, eram agressivos em extremo para o organismo e responsáveis pela decadência do aparelho digestivo e a generalização do artritismo entre a espécie humana.

1. O sal branco, privado de magnésio e de vários oligoelementos, não fornece ao organismo todos os minerais da água do mar.

O sal cinzento, menos empobrecido desses elementos, é ainda, apesar de tudo, muito incompleto. O melhor dos sais de mesa é, sem dúvida, a água do mar concentrada, género «soro marinho», enriquecido pelos noventa e quatro elementos minerais conhecidos.

2. O açúcar branco, obtido da cana do açúcar, ou de outra planta que o forneça, fica completamente desprovido de vitaminas e quase sem vestígios de minerais, depois das sucessivas operações de purificação mecânica e química.

Apresenta, além disso, vestígios de alguns produtos tóxicos que serviram para as operações de refinação.

Este açúcar, seja branco ou escuro, é sempre sacarose, de difícil utilização digestiva e hepato-pancreática. Mal armazenado, mal transformado e mal queimado ( utilizado nos tecidos para fornecer energia) é responsável por muitas enfermidades, devidas à irritação das mucosas e glândulas e à desmineralização.

Há que ponderar ainda um facto importante pelas suas consequências e dada a sua origem quase que insuspeitada: referimo-nos aos estados de alcoolismo provocados pelo açúcar, a embriaguez ou etilismo dos bébés e das pessoas idosas que nem sequer consomem uma gota de álcool mas cujo organismo recebe grandes quantidades de açúcar e doçarias.

Sobre o açúcar branco escreveu o médico e biólogo P.V. Marchesseau:

«Os açúcares brancos são açúcares desmineralizados, desvitaminados, sem diásteses, numa palavra, desvitalizados. Só com dificuldade são transformados em açúcares orgânicos, armazenam-se mal no fígado e são queimados de maneira imperfeita nos músculos, pelo que, pensando nesses açúcares, temos de pensar na diabetes. Favorecem o etilismo oculto, dissimulado, nos glutões e que aparece por vezes nas mulheres cujo fígado já se encontra esclerosado pelo alcoolismo.

«Os bébés também são vítimas do mesmo algumas vezes. Para a saúde, o melhor açúcar não é sacarose refinada (açúcar branco) nem tão pouco o açúcar escuro que é afinal, do mesmo modo, sacarose.

O melhor são as levuloses, açúcares dos frutos que as próprias formigas identificam e escolhem e que escorre, por exemplo, das maçãs assadas. As levuloses são assimiláveis, desintegram-se nos músculos sem detritos excessivos e favorecem a cura dos diabéticos. O mel contém cerca de 50% de levulose, directamente assimilável e queimado nos músculos com um mínimo de resíduos de combustão.

Tratar-se-ia, para os naturovegetarianos, de um mal menor, embora para os macrobióticos seja um mal absoluto e completamente para rejeitar.

3. Quanto ao pão branco, purificando as farinhas até à inércia completa, é responsável por outro estado mórbido e muito disseminado que é a hemogliase ou viscosidade do sangue, causa da maior parte das doenças do coração e dos vasos, na actualidade.

Vasos, consideram-se tantas as artérias como as veias, umas e outras afectadas pela circulação do sangue com acentuada viscosidade e pelos entraves que daí resultam na sua passagem pela enorme rede circulatória. Devemos ainda apontar o enfarte do miocárdio, tão generalizado entre os países mais industrializados e que dá maior número de óbitos do que o próprio cancro.

4. Ainda outro alimento que a industrialização degradou: as gorduras animais refinadas e principalmente as gorduras cozinhadas.

As gorduras animais digerem-se com dificuldade, também fazendo aumentar a viscosidade do sangue e sobrecarregam o fígado, deixando resíduos perigosos como o colesterol. Afectam a vesícula biliar sobretudo quando as glândulas da secreção de mucina do dudoeno se encontram inactivas.

Quanto às gorduras cozinhadas, de origem animal e de origem vegetal, todas são cancerígenas em princípio. Durante a cozedura excessiva libertam por decomposição das moléculas da gordura, alcatrões e acroleínas, substâncias cancerígenas por excelência (conforme pesquisas realizadas em ratos) .

5. Os drs. Cleave e G.D. Campbell, médicos ingleses, defendem em livro, uma curiosa teoria: nem só a diabetes mas também a obesidade, a cárie dentária, o enfarte de miocárdio, a úlcera péptica, as veias varicosas, a obstipação ou prisão de ventre, as hemorroides e as colibaciloses são devidos essencialmente à incapacidade do homem para se adaptar com rapidez ao consumo de hidratos de carbono refinados, em especial a farinha branca e os açúcares brancos.

«Sabe-se - afirmam os médicos ingleses - que o consumo excessivo de hidratos de carbono é um erro alimentar prevalente em certos países, mais deletério talvez do que o abuso de gorduras animais. Também é do conhecimento geral que o consumo excessivo de hidratos de carbono é um dos factores importantes no aparecimento da diabetes, da obesidade e da cárie dentária.»

Os drs Cleave e Campbell consideram o abuso de farinhas e de açúcares refinados o único factor causal importante destas e de muitas outras doenças. »

6. Quase ao mesmo tempo que o Dr. Paul Carton, também o prof. Pierre Delbet defendia tese idêntica, pelo menos em relação às farinhas refinadas. Pierre Delbet, os seus discípulos e depois deles Henri Geffroy sustentaram em França as mesmas afirmações, chegando Delbet a definir a existência de uma substância designada hemogliase, que tornaria o sangue excessivamente viscoso, devido à influência do exagerado consumo dos amidos levados ao organismo pelas farinhas refinadas.

Não é só pelo facto de o organismo receber praticamente só amido que a questão se complica. No caso das farinhas como no caso do açúcar, a refinação, a purificação implicam a eliminação de sais minerais e vitaminas. E, como é do conhecimento geral, os sais minerais, os elementos (oligoelementos) e as vitaminas desempenham importante papel na assimilação e na própria desassimilação, factores essenciais do metabolismo dos hidratos de carbono.

7. O complexo B e em particular a Vitamina B1 actuam no metabolimo dos açúcares. Conhecem-se cardiopatias por falta de vitamina B1; sabe-se da existência de nevrites e perturbações do metabolismo do sistema nervoso por deficiência de vitaminas do complexo B.

Esta deficiência, que na gíria médica se designa por hipovitaminose, tem origem na qualidade de certos alimentos e também no seu consumo excessivo.

Os drs. Cleave e Campbell dizem que as enfermidades (por eles citadas) são devidas essencialmente à incapacidade do homem para se adaptar com rapidez ao consumo de hidratos de carbono refinados - em especial farinha branca e açúcares brancos.

O consumo excessivo de hidratos de carbono é talvez mais nocivo do que o abuso das gorduras animais, afirmam eles.

Também em Inglaterra, o Prof Wudkin, quando director do departamento de pesquisas sobre nutrição da Universidade de Londres, ocupou-se igualmente deste assunto.

Baseando-se em dados estatísticos, afirma que o consumo excessivo de hidratos de carbono e em particular o açúcar refinado é a causa de doenças coronárias e outras doenças degenerativas que se tornaram epidémicas.

 

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Naturistas históricos

Amílcar de Sousa; Ardisson Ferreira, Delio Esteve, Dora Vivacqua (Luz del Fuego), Francisco Laissie, H. Collière, Jean Esteve Dulin, Jaime de Magalhães Lima; O. L. M Abramowshi; Paul Carton, Viaud-Bruant. William Taylor

 

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Livros de Naturopatia

Accolla, D. and P. Yates (1996). Back to balance: a holistic self-help guide to Eastern remedies. London, Newleaf.

Airola Paavo, O. (1974). How to get well: Dr. Airola's handbook of natural healing. Phoenix, Ariz., Health Plus Publishers.

Alexander, J. (1996). Supertherapies. London, Bantam.

Allardice, P. (2001). Feel good: little changes to simplify your complicated life...
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