Arroz com pequi

Ingredientes

1 quilo de pequi
sal, alho, cebola e molho de pimenta

Modo de fazer

Limpe o pequi e corte em pedacinhos, retirando o miolo. Refogue-o com os demais temperos (a pimenta é opcional). Juntar água e deixar cozinhar até a água secar. Acrescentar o arroz bem refogado, mais água e deixar cozinhar até chegar.


O jejum alimenta a alma

por Fernanda Castello Branco | foto Photonica
Budistas praticam o jejum ao sabor das fases da Lua e com isso descansam o aparelho digestivo e meditam melhor. Durante o Ramadã islâmico, uma das obrigações mais virtuosas é não consumir nada entre o amanhecer e o entardecer. No Novo Testamento, Jesus recomenda jejum para expulsar demônios. Por isso ou por aquilo, o jejum é praticado pela humanidade há mais de 5 000 anos. "Sinto prazer", diz o terapeuta em florais Régis Mesquita, que jejua regularmente há 20 anos. "Fico mais sensível. Estômago e intestino funcionam melhor." Uma figura histórica nesse universo é Mário Sanchez, cujos livros e palestras sobre frugiverismo (dieta à base de frutas) e jejum despertaram muita gente para novas possibilidades na alimentação. Em O Jejum Curativo, uma de suas obras sobre o assunto, ele assinala que o corpo possui um mecanismo de defesa tão perfeito que dispensa medicamentos. Mas para isso precisaria estar menos comprometido com a função digestiva e suas correlatas, que consomem muita energia. "Uma alimentação errada ou em exagero provoca doenças e prejudica o sistema imunológico. Se o organismo estiver sempre ocupado, processando alimentos, não terá a oportunidade de se auto-equilibrar." Sanchez conclui com um argumento recorrente entre os entusiastas dessa prática: "O jejum provoca um ganho em estabilidade física e espiritual." Evelyn Torrence, uma brasileira que vive nos Estados Unidos, vem chamando a atenção com um modelo radical de jejum. Ela garante não ingerir nada além de sucos e frutas há dois anos. "É uma questão de consciência interior e não de crença externa."

Fonte: Vida Simples 


Mude a sua dieta e salve a Amazônia

Ambientalistas relacionam o desmatamento na região aos hábitos alimentares dos moradores dos grandes centros urbanos e levantam o debate sobre a importância do consumo consciente

Pablo Nogueira

Militantes do Greenpeace protestam em frente a uma lanchonete do McDonald's na Inglaterra: rede de fast- food usa soja brasileira para alimentar frangos

Homens e mulheres com fantasias de galinha de 2 metros, protestando e carregando faixas com slogans. Foi essa a cena com que se depararam os gerentes de unidades do McDonald's de sete cidades da Inglaterra quando chegaram pela manhã para abrir suas lojas, em 6 de abril do ano passado. As lojas estavam cobertas de folhetos que mostravam Ronald McDonald segurando uma serra elétrica. Algumas "aves" entraram nas lanchonetes e se acorrentaram às cadeiras, sendo retiradas pela polícia. Por trás do fuzuê estava a organização ambientalista Greenpeace, que buscava chamar a atenção para seu mais recente relatório, no qual acusa as redes de fast-food de contribuir para a devastação ambiental. Resultado de um ano de investigações em dois continentes, o texto chama-se "Comendo a Amazônia" e mostra como a soja plantada em zonas desmatadas era importada pelas cadeias de lanchonetes para alimentar os frangos criados em cativeiro na Europa para rechear McChickens. "Como detectamos que a maior parte da soja brasileira vai para a Europa, queríamos alertar o cidadão comum para o fato de que ele, de alguma forma, está participando da destruição da Amazônia", diz Tatiana Carvalho, responsável pela campanha do Greenpeace contra a soja predatória na Amazônia.

Seis horas depois do início do ataque das galinhas, a direção do McDonald's ligou para a coordenação do Greenpeace e pediu trégua. O resultado foi uma parceria inesperada e poderosa. A pressão exercida pelos dois fez com que os maiores responsáveis pelo comércio de soja no Brasil - os grupos internacionais Cargill, ADM, Bunge, Dreyfus e o nacional Amaggi - se reunissem para debater o tema. Em julho do mesmo ano, as duas principais associações de plantadores de grãos do Brasil anunciaram uma moratória de dois anos para o financiamento da soja plantada em terra desmatada depois daquela data. Ou seja, não haveria dinheiro para bancar a derrubada de mais floresta. A moratória ainda está em vigor, mas os resultados só devem começar a aparecer no ano que vem. "Mas já podemos ver que em regiões onde a soja estava avançando muito rápido, como nos arredores de Santarém, no Pará, a expansão diminuiu de um ano para cá", diz Tatiana.

Gabriel, 5 anos, parou de comer carne vermelha depois que teve aulas de ecologia na escola: aos poucos, o consumo consciente ganha espaço

A campanha do Greenpeace é na verdade a expressão mais bem-sucedida de um debate que aos poucos ganha espaço entre os ambientalistas. Será necessário mudar a nossa dieta a fim de preservar o planeta? É o que sugere João Meirelles, da ONG Instituto Peabiru. Com mais de duas décadas de atuação no ambientalismo, Meirelles diz que o foco do Greenpeace está equivocado e que é a pecuária, e não a soja, o principal vilão do desmatamento. E sustenta seu discurso com números: dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) mostram que 77% das áreas desmatadas na Amazônia Legal se destinam à criação de gado. Entre 1990 e 2003 o rebanho total da região subiu de pouco mais de 26,6 milhões para mais de 64 milhões de cabeças, ou 140%. "Trata-se do maior avanço da pecuária sobre uma região no planeta", diz Meirelles. "Cerca de 85% da carne produzida na Amazônia se destina ao mercado interno, principalmente do Sudeste e Sul. São Paulo, Minas, Rio e Paraná são os grandes responsáveis por comer a Amazônia", afirma Meirelles, que, aliás, vem de uma família de dez gerações de pecuaristas e já administrou fazendas de gado antes de aderir ao ativismo ecológico. Agora que mudou de lado, ele quer conscientizar as pessoas. "Vale a pena destruir a Amazônia em troca de uma dieta carnívora?"

Ainda nesta matéria

Página 1: Mude a sua dieta e salve a Amazônia

MacDonalds

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Vegetarianismo e Cristianismo - Arnaldo Sisson Filho

(Entrevista para a jornalista Viviane Pereira, 01/julho/07)

Nome: Arnaldo Sisson Filho

Idade: 54

Profissão: Economista

Religião: Cristão-católico

Vegetariano desde: 1973

 

1.                  Em sua opinião, na questão religiosa, por que é importante ser vegetariano?

            Dentro do tipo de cristianismo que pratico, baseado nas interpretações e iluminações místicas da Dra. Anna Kingsford, destacaria dois aspectos; o primeiro está dentro da frase do apóstolo Paulo quando escreveu: “Não vos iludais, de Deus não se zomba. De acordo com o que semeardes, assim colhereis.” Essa é a leia da Justiça Divina. Então, nesse primeiro aspecto, se semearmos dor, não colheremos felicidade, alegria, mas sim colheremos dor. É só olhar para o mundo e perceber isso. Semeamos dor e colhemos dor.

            O segundo é que a alimentação baseada na carne embrutece, ou, alegoricamente, mata, nossos sentidos mais nobres, isto é, nossas intuições, ou nossa percepção espiritual.

            Nossos veículos, tanto o físico quanto os psíquicos, são as lentes por meio das quais vemos o universo, o mundo. Se não forem sensíveis (o que depende, inicialmente, de uma alimentação pura e vitalizante), trocaremos nossa herança divina por um mísero prato de lentilhas, como na parábola bíblica.

2.                  Você acredita que a religião pode influenciar a pessoa para escolher uma dieta vegetariana?

            Seguramente. Se uma religião não fizer isso, não merece sequer o nome de religião. O que vemos hoje em nosso país, majoritariamente, não é religião, mas sim “re-perdição”.

            Cristianismo é fazer nascer e crescer em nós o Cristo Jesus que há em nosso interior. Novamente, na linguagem do apóstolo Paulo, “o Cristo em nós, a esperança de glória”. Isso depende, basicamente, de pureza e bondade em nossas vidas.

            O comer carne é o oposto disso, é impureza e crueldade. É o predomínio do materialismo, dos sentidos externos, da ilusão de que é possível nos beneficiarmos por meio da dor alheia. Enquanto não acordarmos para isso, a dita religião continuará, na verdade, re-perdição: cegos perdidos conduzindo cegos também à perdição da cegueira espiritual.

            E o vegetarianismo, como regra geral, é o ABC desse processo de aproximação do ser humano a Deus, do nascimento do Cristo em nós, da luz divina que nasce no seio de nossas almas e de nossas mentes.

3.                  Você acha que as religiões devem determinar ou indicar aos seus seguidores que sigam uma dieta vegetariana?

            Como disse, isso é o início, o alicerce, o ABC da vida religiosa. É verdade que o que sai de nossas bocas é mais importante do que aquilo que entra por nossas bocas. Isso, contudo, não significa que o que entra por elas não seja importante. Significa apenas que o que pensamos e falamos é mais importante ainda

4.                  Sua religião tem tradição em vegetarianismo?

            Infelizmente a tradição vegetariana dos primeiros cristãos, que era muito forte, ao longo dos séculos ficou quase perdida. Ela, no entanto, era muito forte entre o cristianismo dos primeiros tempos, a ponto o apóstolo Paulo se ver obrigado a intervir, de forma conciliadora e fraternal, entre grupos que se acusavam mutuamente, uns vegetarianos e outros não.

            Nesse sentido, entre outros, vemos a importância da obra da Dra. Anna Kingsford, uma grande mística e profeta cristã, ainda não reconhecida pelo cristianismo materialista e idólatra que predomina hoje, e desde muitos séculos.

5.                  Sua religião tem alguma determinação ou recomendação para que as pessoas sigam o vegetarianismo? Em caso afirmativo, por quê?

            Penso que a melhor forma que posso responder é trazendo algumas palavras da Dra. Kingsford e de seu grande colaborador Edward Maitland:

            “Em todos os lugares na cristandade católica os pobres e pacientes animais, que não podem falar, suportam todas as espécies de tormentos sem uma única palavra ser pronunciada em sua defesa pelos instrutores da religião. Isso é horrível – é deplorável. E a razão para tudo isso é que os animais são popularmente considerados como não possuindo almas. Digo, então, parafraseando as palavras de Voltaire que “se fosse verdade que eles não possuem almas, seria necessário inventar almas para eles”. A Terra se tornou um inferno para os animais por causa dessa doutrina. Vejam a vivissecção, e a tolerância da Igreja para com ela. (...) Quais sofrimentos são mais amargos do que os deles, quais injustiças tão profundas, e que necessidade de compensação tão espantosa? Como uma mística eu sei que os animais não são destruídos pela morte, mas se eu pudesse duvidar disso – digo isso solenemente – eu também deveria duvidar da justiça de Deus. Pois como eu poderia dizer que Deus seria justo para o homem se ele fosse tão amargamente injusto para com os queridos animais?”

(Vol. II, p. 312) [Anna Kingsford – Her Life, Letters, Diary and Work. 3ª. Edição, editada por Samuel Hopgood Hart. John M. Watkins, Londres, 1913. Vol. I, 442 pp.; Vol. II, 466 pp.]

            “Indo além dos limites dos iniciados e adentrando a esfera dos ignorantes, a religião sempre se tornou degenerada em alguma forma de adoração de fetiches, variando em seus graus de crueldade e sensualismo de acordo com o estado geral do povo e de seus sacerdotes. E essas duas regiões de sua manifestação, a interna e a externa, a espiritual e a material, a compassiva e a egoísta, a intuicional e a dos sentidos, se tornaram nas mãos dos seus respectivos representantes – o profeta e o sacerdote – tão essencialmente antagônicas uma à outra quanto a luz e a escuridão.

            “O profeta cultivando as intuições e a empatia, apelando diretamente para a alma e para Deus, representando o lado espiritual da natureza humana; enquanto o sacerdote, cultivando formas e aparências, apelando para os sentidos e o ser externo, e fazendo a salvação dependente do sacrifício de outros em prol de seu próprio ser, ao invés do sacrifício do ser inferior em prol do ser superior por meio de viver uma vida melhor.

            “O processo por meio do qual eu fui levado a descobrir a verdadeira natureza e fonte do conflito sempre furiosamente ocorrendo no mundo, entre a alma e os sentidos externos, entre o ser e a aparência, entre o profeta e o sacerdote – um processo no qual o abandono de uma dieta de carne foi uma parte essencial – se provou indispensável para minha preparação para o trabalho ao qual estava destinado a realizar.” (pp. 46 e 47) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers, Londres, 1877. 307 pp.]

            “A interrupção em meu trabalho foi causada por ter sido colocado sob um forte impulso de tomar parte nos esforços que estavam sendo feitos para salvar nossos irmãos animais dos horrores da vivissecção e dos laboratórios de pesquisa. Eu estava consciente de um claro estímulo espiritual para esse propósito, e sob sua influência fui capacitado para produzir algumas palavras de apelo que foram diretamente ao coração da Inglaterra. Pois as duas cartas que escrevi sobre esse assunto foram reimpressas aos milhares, tanto por sociedades quanto por indivíduos, e ambas serviram para conquistar novos adeptos da causa humanitária, e fortalecer as mãos dos trabalhadores então existentes dessa causa.

            “Ao uso que se fez de minha pessoa em favor da questão da vivissecção, e ao vívido insight que me foi dado acerca da verdadeira natureza da influência que se manifesta entre nós sob o nome de ciência materialista – como sendo uma encarnação do princípio do mal em seus mais baixos níveis e em seus mais abomináveis aspectos – eu posso claramente encontrar a causa da plena abertura da visão espiritual que me qualificou para o trabalho que em breve eu seria chamado a realizar. Pois me foi mostrado que os sacerdotes da ciência, possuídos pelo demônio do egoísmo, foram conduzidos a arrastar o mundo a um inferno pior do que jamais os sacerdotes da religião o tinham levado. E o princípio de ambos os sacerdotalismos era o mesmo – a busca da salvação do seu próprio ser por meio do sacrifício de outro.” (pp. 51-52) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers, Londres, 1877. 307 pp.]

6.                  Você acredita que ser vegetariano influencia na aproximação com Deus? Por quê?

            Acho que já respondi antes: – porque purifica nossos veículos, facilitando sobremaneira a percepção espiritual, e porque é uma expressão do amor divino. Como disse um filósofo, o olho só pode ver o sol porque antes se fez semelhante a ele, ainda que em miniatura. Então, talvez possamos dizer que o homem só pode ver a Deus se se fizer semelhante a Ele, ainda que em miniatura. Penso que é isso que está no Sermão da Montanha:

            “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

            “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

            “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.

            “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.

            “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão o Deus.

            O vegetarianismo é o fundamento, a base dessa vida. O vegetariano chora e é manso para com nossos irmãos menores, os pequeninos, ele tem fome de justiça para com os pequeninos, ele é misericordioso para com eles, e é o início da purificação de nossos corações, mentes e corpos.

7.                  Por que você é vegetariano? A religião teve alguma influência sobre essa decisão?

            Sou vegetariano por amor aos nossos irmãos menores. Somos para eles como seres semi-divinos, pois para eles nós detemos faculdades para-normais, por assim dizer. Se os tratamos de forma cruel, a Justiça Divina não nos trará bem-aventuranças, não nos trará a luz, a glória de Cristo, mas nos trará a dor, a tristeza e a cegueira espiritual.

8.                  Você acredita que Cristo era vegetariano? Em caso afirmativo, como explica o milagre da multiplicação de peixes? Você crê que comer carne não corresponde à visão de vida de Cristo?

            Como dizia o próprio Cristo Jesus: “exceto para vocês (os seus discípulos ou apóstolos), eu não falo NADA que não seja em parábolas”. Os evangelistas seguiram o preceito do seu Mestre. Escreveram de forma alegórica seus evangelhos. A alegoria da multiplicação dos pães e dos peixes é uma linda parábola, onde o pão representa o conhecimento religioso superficial, e os peixes o conhecimento religioso profundo, místico. São símbolos milenares. E o alimentar em abundância as multidões com esses conhecimentos é característica dos Filhos de Deus, dos Cristos de todas as épocas e nações.

            A leitura literal dessa e de outras tantas parábolas é conseqüência da cegueira espiritual. Quando fazemos essa leitura literal, pretendendo ser fatos históricos o que é uma alegoria, cometemos, assim, um dos piores pecados, a idolatria. Adoramos a forma, e matamos o sentido vivificante.

            Hoje é fato considerado mais do que provável que Cristo Jesus esteve com os essênios, ao menos em boa parte de sua vida. E os essênios eram todos vegetarianos.

9.                  Se Cristo era vegetariano, por que nem todos os cristãos são, já que, em tese, seguem o caminho do Mestre Jesus?

            Porque os que se chamam cristãos, desde muitos séculos, têm pouco de cristãos. São grupos dominados pelo materialismo e pela idolatria (pelos sentidos e pela cegueira espiritual). Nesse contexto, com grande freqüência os santos e profetas foram incompreendidos e às vezes até mesmo perseguidos pelos próprios ditos cristãos. Veja os exemplos, entre muitos e muitos outros, de Roger Bacon (aprisionado por longos anos), de Thomas More (aprisionado e decapitado), de Giordano Bruno (aprisionado e queimado), de Malagrida, o taumaturgo do Brasil (aprisionado por anos e queimado em Portugal pela “santa” Inquisição), e de Anna Kingsford, ridicularizada e desprezada até nossos dias. Todos por pessoas e grupos que se diziam e se dizem cristãos.

            Os símbolos sagrados do cristianismo precisam ganhar a vida de uma interpretação espiritualmente lúcida, isto é, cristã, ou crística. Como na profecia dos ossos secos que recobram a vida.

            É o espírito dessa interpretação de vivifica a letra e os símbolos, e sua leitura literal e materialista mata, como escreveu o apóstolo Paulo. Mata primeiro espiritualmente, e depois fisicamente.

            E a alimentação de carnes é uma expressão típica dessa matança. Pior do que ela só a tortura da vivissecção e dos testes da dita ciência usando os pequeninos inocentes e indefesos, a qual é a apoteose dessa cegueira espiritual dessa época idólatra e materialista.

10.              Você acha que se a comunidade cristã soubesse e/ou acreditasse que Cristo era vegetariano, mais pessoas deixariam de comer carne?

            Certamente que sim. Mas como saberão se os seus líderes religiosos, a quem seguem, são cegos espiritualmente, que defendem a matança, a crueldade e até mesmo a tortura diabólica da vivissecção e dos testes ditos científicos com os pequeninos? A religião, algum dia, se tornará re-ligação com Deus, e deixará de ser, como hoje, re-perdição na idolatria e no materialismo.

11.       Explique um pouco sobre os principais conceitos e bases da sua religião.

            Já algo foi dito, mas, resumindo: a religião do Cristo Jesus, no Alto, à direita do Pai, e também dentro de nós, em nossos corações e mentes, é a religião da pureza e da bondade. E o vegetarianismo é uma expressão, ainda que básica, desses preceitos eternos.

12.       Fique à vontade para acrescentar o que considerar necessário. 

            Apenas mais uma citação da Dra. Kingsford, que gosto muito:

            “Considero o movimento vegetariano o mais importante movimento de nossa época. Acredito nisso porque vejo nele o começo da verdadeira civilização. Minha opinião é que até o presente momento não sabemos o que significa civilização. Quando olhamos para os cadáveres dos animais, sejam inteiros ou cortados – que com molhos e condimentos são servidos em nossas mesas – não pensamos no horrível fato que precedeu esses pratos; e, não obstante, é algo terrível saber que a cada refeição que fazemos foi a custo de uma vida. (...) Milhares de pessoas são degradadas pela presença de abatedouros em suas vizinhanças, o que condena classes inteiras a uma ocupação aviltante e desumana. Aguardo pelo tempo em que a consumação do movimento vegetariano tenha criado homens perfeitos, pois vejo nesse movimento o alicerce da perfeição. Quando percebo as possibilidades do vegetarianismo e as alturas a que ele pode nos elevar, me sinto convencida de que ele se provará o redentor do mundo.” [Anna Kingsford – citada por Samuel H. Hart, em In Memoriam Anna Kingsford. Este livreto contém o texto completo da palestra proferida por ele para a Sociedade Vegetariana de Leeds, em 15 de setembro de 1946, na comemoração do Centenário do nascimento de Anna Kingsford.]


Navios que se cruzam na calada da noite - Luc Vankrunkelsven

 Luc Vankrunkelsven

Soja sobre o oceano

Navios Noturnos

A história foi fortemente determinada pela evolução das embarcações e da navegação. A Grécia Antiga se dispôs a sacrificar suas florestas e solos férteis pelo controle militar do Mar Mediterrâneo e regiões vizinhas.


Introdução à História da Naturopatia

Índice
 

  • Os Povos Tradicionais
  • Civilização Romana
  • Grécia
  • Vitalismo
  • Rases e Avicena
  • Organicismo e Opoterapia
  • Revolução Médica
  • Lezaeta
  • Doutrina Térmica da Saúde
  • O Índice que teria um Possível Curso

 

Os Povos Tradicionais

Os Mais Tradicionais...

Melhor do que nós, os povos primitivos – tradicionais, como agora os designamos – sabiam o que era necessário para os cuidados com a sua saúde.

É certo que o conceito de enfermidade se revestia de aspectos mágicos, encerrando mistérios que se interligavam às suas convicções e à sua percepção do mundo, onde quase tudo era mais espiritual do que físico. Por isso, as funções de médico só deviam ser desempenhadas por alguém com conhecimentos do mundo espiritual: o Xamã. Como facilmente podemos compreender, não se adoecia por excessos alimentares, nem por consumo de substâncias refinadas, transformadas, aditivadas, cozinhadas em micro–ondas, ou em recipientes de teflon.... Por isso, procuravam as causas da enfermidade em coisas mais “simples”, como o desrespeito a uma regra da sociedade, um “bruxedo” ou “mau olhado”, a “possessão” por uma entidade espiritual, a “perda da alma” por um susto, etc..

No mecanismo da cura, desencadeado pelo Xamã através de rituais apropriados, entrava em funcionamento a capacidade sugestiva ou força psíquica do enfermo, pela mobilização de poderosas ideias que faziam parte do inconsciente colectivo da comunidade.

As substâncias medicamentosas coadjuvantes da cura actuavam não apenas pela sua composição, mas, e principalmente, pelo “prestígio espiritual” do administrante, a quem se acreditava dominar forças e poderes ocultos. E mesmo assim, a utilização destas substâncias era precedida e acompanhada de rituais apropriados, assim como também a sua colheita e preparação.

O facto do enfermo acreditar que poderia estar doente por ter transgredido uma regra social, dota o Xamã de meios eficazes de cura, ainda que extremamente simples. Passam estes meios pela Confissão, que liberta o doente de toda a angústia, inerente ao mortificante sentimento de culpa (e também deste próprio sentimento), e pela Purificação (água, jejum, dieta rigorosa, vómitos e purgas), que não são outra coisa do que a utilização de alguns dos meios naturais de cura.

Os incas, por exemplo, dedicavam um dia, todos os anos, para se purificarem nos rios. Este ritual incluía a confissão, à qual não faltava o próprio imperador. Os actuais povos tradicionais ameríndios purificam-se pelo vapor da água, tanto em rituais de iniciação, como em rituais de cura, e os hindus ainda efectuam ritos de purificação nas águas do Ganges. Longe do primitivismo e superstição com que as “mentes rápidas” classificam as práticas antigas, são exactamente os conhecimentos antigos que provam o estado de atraso da ciência moderna. Limitando-nos apenas aos aspectos médicos, e sem nos alargarmos muito, foram os hindus que descobriram, cerca de 2000 anos antes dos europeus:

-     a presença de açúcar na urina dos diabéticos;

-     a relação entre o paludismo e os mosquitos;

-     os sinais clínicos externos das fracturas.

Guaiaquis, Guaranis, Polinésios, Iberos...

No alto do Paraná (Brasil), a sudoeste do Paraguai, os Guaiaquis são provavelmente um dos povos que conserva costumes mais primitivos: em vez de edificarem casas, resguardam-se em simples abrigos constituídos por humo prensado e seco, o qual untam com cera, para deter a água; não cobrem o corpo; as suas armas de caça são arcos e flechas de madeira, cujas pontas são constituídas por lascas de pedra. No entanto, com excepção da morte natural (por velhice), a única causa de morte que se lhes conhece resulta da mordedura de víboras.

Na obra “Medicina Geral”, da autoria do Dr. Moisés Santiago Bertoli, existem importantes referências acerca do modo de vida de um outro povo, os Guaranis, que, pelas suas palavras:

“...possuem conhecimentos higiénicos e médicos praticamente tão adiantados como os nossos e comem apenas quando sentem fome, lentamente e em silêncio. A sua alimentação, em grande parte crua, compõe-se de fruta, mel, mandioca e milho, raramente comendo carne. Praticam o jejum com uma certa frequência, como meio de fortalecer o carácter e adquirir domínio sobre o seu corpo. Com o mesmo objectivo e para se conservarem fortes e ágeis, praticam constantemente jogos e lutas, sempre com o corpo nu, molhando-se de vez em quando...”.

Antes das últimas guerras mundiais, os polinésios mantinham as suas tradições e viviam em condições parecidas às dos povos referidos. Eram gente sã, equilibrada e pacífica, antes do contacto com a nossa civilização; a influência do contacto com o nosso modo de vida, e as consequentes transformações que neles operou, tornou necessários os hospícios que agora lá existem.

É verdade que prevalecem ainda tribos, em diferentes locais do mundo, onde as condições de higiene e de alimentação não são exemplo para ninguém, incluindo-se nela a carne humana. Mas esta crueldade e estupidez não nos parecem representativas de formas tradicionais de vida, sendo o mais certo que constituam as últimas heranças, cada vez mais degeneradas, de antigas e decadentes civilizações sanguinárias.

Pesquisadores mais antigos, como Cervantes, revelam-nos que os antigos iberos viviam de um modo semelhante aos polinésios.

Quando, em nome da Ciência, são tecidas críticas aos processos tradicionais de curar, como os utilizados pelos “homens da medicina” índios, que a medicina moderna considera supersticiosos, seria bom que os tão pretensiosos “sábios civilizados” se dessem conta de que entre nós o que não falta são superstições, tendo em atenção a pouca racionalidade – a avaliar pelos efeitos – de muitos processos científicos modernos, que são evidentemente muito mais perigosos.

Quando se fala de progressos da ciência, tem-se quase sempre em conta um período relativamente curto e parcial. O mais antigo que se conhece, pelos escritos de Heródoto[1] e de Plínio, refere-se quase exclusivamente à história do Egipto e da Grécia. Possuem-se algumas informações da ciência hindu, chinesa e caldeia, mas os pontos de comparação estabelecem-se geralmente com relação à história europeia, desde a invasão dos bárbaros.

Na realidade, todas as civilizações passam por processos parecidos de vida simples, primitiva, natural e sã. Mais tarde, “prosperam” e aglomeram-se em povoados e cidades, o que equivale a viver em espaços mais fechados e limitados, e logo, promiscuidade, sedentarismo, ódios, vícios, exploração, miséria, degeneração, revoluções e guerras. Como natural reacção a estes males, quando a civilização não perece, produz-se um renascimento ou uma decadência inevitável e mais ou menos definitiva.

 

Civilização Romana

O caso da civilização romana é típico: os primeiros romanos eram agricultores pobres, levando uma vida rude, mas sã; a sua alimentação, à base de cereais e hortaliças, e a sua vida simples, garantiu-lhes um triunfo fácil, fazendo-os donos de quase todo o mundo então conhecido. Mas isto levou-os a deixar aos escravos os trabalhos sãos; transformaram-se em soldados de ocupação, em funcionários e em comerciantes dos países ocupados.

A vida mais regalada da comunidade, e a abundância, debilitou pouco a pouco a virilidade da raça; iniciou-se a decadência e veio a destruição da sua civilização.

Os romanos chegaram a extremos inconcebíveis: as orgias sucediam-se sem parar; instalaram nas casas um compartimento especial – o vomitório – onde os convidados dos banquetes podiam ir despejar os seus estômagos repletos das iguarias mais raras e complicadas, para poder enchê-lo outra vez.

Como consequência, a grosseria e a crueldade das diversões, culminou nos espectáculos sangrentos e repugnantes do circo e nos estúpidos e bárbaros excessos dos tiranos: Calígula, Nero, Vitélio, etc..

Quanto mais decadente a Sociedade, mais prospera a Medicina

A medicina floresceu sempre nas civilizações decadentes. Isto é lógico, porquanto, mais do que da saúde, o médico vive da enfermidade. Assim, a decadente civilização grega providenciou médicos a Roma.

Catão – o “Censor”

Durante muito tempo foi este o mais desprezado dos ofícios e Catão – o Censor – numa reacção contra o princípio da decadência romana, expulsou os advogados e os médicos. São originais as razões que deu:

“...enquanto não houve advogados, as pessoas esforçavam-se por remediar amigavelmente os seus pleitos, e estes nunca chegaram a ser tão graves e numerosos como desde que entregaram aos advogados os cuidados dos seus assuntos.

Assim, também enquanto não houve médicos, as pessoas cuidavam mais da sua saúde; quando as pessoas crêem que o médico pode salvá-las de sofrer a natural consequência dos seus excessos, esquecem-se da prática da virtude e multiplicam-se as enfermidades e os médicos, os quais, além disso, se tornam ricos e poderosos...”.

Expulsou os primeiros por os considerar “inimigos dos bons costumes e da harmonia entre vizinhos”; no caso dos segundos, por os considerar “inimigos da saúde”.

Cláudio Musa e as “Operações Sangrentas”

Durante quatro séculos Roma esteve sem médicos; a medicina era exercida por escravos. O mais célebre foi Cláudio Musa, a quem erigiram uma estátua por ter salvo a vida a César Augusto, curando-o por meio de uns banhos, de uma enfermidade que padecia. Mais tarde, foi linchado pelo próprio povo romano quando lhe ocorreu realizar operações sangrentas.

Grécia

Hipócrates

O médico mais célebre da antiguidade foi Hipócrates, a quem se atribui a honra de ser “O Pai da Medicina”. Hipócrates (460 - 375 a. C.) nasceu na ilha de Cós. Era de uma antiga família de médicos – os Asclepíades, – e pretendia descender de Esculápio – o Deus grego da medicina.

Alguns dos famosos Aforismos de Hipócrates:

“...Certos médicos antigos não ignoravam as diversas categorias de enfermidades e a multiplicidade das suas divisões, mas observamos que se perderam quando pretenderam fazer uma classificação muito detalhada. Com efeito o que é importante não é tanto o dar-lhes um nome e separar cada enfermidade, por pouco que difira das demais, mas representá-las como continuando sendo essencialmente as mesmas, ainda que levem um nome diferente...”;

“...A natureza das enfermidades é a mesma; se se apresentam com tanta diversidade é apenas pela causa da diversidade das partes em que o mal se manifesta. Com efeito a sua essência é uma e a causa que as produz é igualmente uma...”;

“...Mas em que consiste esta causa única?  - Quando se produz uma alteração nos nossos humores, aumenta o calor do corpo, ocorrem em certas partes depósitos destes humores, excita-se a sensibilidade às dores e produzem-se grandes calores. O «fogo», aceso em todo o corpo, produz a febre...”;

“...Quando os humores viciados são abundantes, e arrastam e põem em estado enfermiço tudo o que estava são, toda a substância do corpo se encontra atacada e desorganizada; quando um humor se corrompe, e se estende a outra parte, leva até lá a enfermidade, a menos que seja purgado dela...”;

 “...As enfermidades são crises de purificação humoral, de limpeza orgânica e de eliminação tóxica. Todas as enfermidades se curam por alguma evacuação, quer pela boca, pelo ânus, pela bexiga ou por um outro emunctório. O órgão do suor (a pele) é um dos principais e comum a todos os males...”

“...Os sintomas são defesas naturais. Quantas vezes aparecem sintomas que parecem enfermidades e não são mais que remédios das mesmas...”;

”...Há duas classes de febres: uma ataca a maior parte dos homens ao mesmo tempo – são as epidemias. Quando o ar se encontra infestado de miasmas, que são inimigos da natureza humana, uns homens caem enfermos, enquanto outros atacam os que cometem erros no regime e na maneira de viver...”;

“...O mau regime consiste em que se dê ao corpo mais alimento do que pode suportar, seja sólido ou líquido, sem fazer um exercício que opere a combustão proporcionada pela excessiva abundância de comida, ou bem porque se usam manjares muito variados e diferentes na mesma refeição, que produzem a guerra no corpo por estar um digerido enquanto outro não o é ainda...”;

“...Que o teu alimento seja a tua única medicina; que a tua única medicina seja o teu alimento!...”;

“...Há na economia um só fim, um só esforço, no qual participa todo o corpo. É uma simpatia universal: tudo é subordinado a todo o corpo; tudo o é também a cada parte. É a Natura Medicatrix, que protege, imuniza e cura...”;

“...No interior do corpo existe um agente desconhecido que trabalha pelo todo e pelas partes. É ao mesmo tempo uno e múltiplo. É a natureza a que cura as enfermidades e encontra as vias necessárias sem necessidade de ser guiada pela nossa inteligência: não se ensina a abrir e a fechar os olhos, a mover a língua e a maioria dos actos essenciais da vida. Sem o socorro de nenhum mestre, a natureza é suficiente em tudo, e  para tudo...”

Não devemos endeusar Hipócrates, é um facto, mas também é verdade que descendia dos Asclepíades e que estudou na escola de Cós, considerada a melhor do seu tempo, cujos conhecimentos resumiu.

Na prática, Hipócrates empregou um eclectismo terapêutico, por vezes em contradição com os seus aforismos, especialmente com o famoso:

“...Que o teu alimento seja a tua única medicina; que a tua única medicina seja o teu alimento...”.

Pitágoras

Pitágoras (582-500a.C.) nasceu em Samos. Terá sido ele, com toda a certeza, um dos maiores inspiradores de Hipócrates. Fundou uma escola de iniciação da juventude, baseada em rígidos princípios morais. Entre outras grandes descobertas atribuídas a este grande matemático, encontra-se a tábua de multiplicar. Ainda que nenhum escrito dele se tenha conservado, um discípulo – Lícis – sintetizou os seus ensinamentos nos famosos “Versos Áureos”.

Pitágoras não foi propriamente um «médico», mas sim um verdadeiro instrutor naturista, dentro do significado integral que damos a esta palavra. Ele considerava a sabedoria o objecto integral da cultura – o único susceptível de promover a saúde perfeita e a plena expansão da personalidade humana – sobre a qual assentará sempre o verdadeiro progresso das sociedades humanas.

Os Versos Áureos de Pitágoras:

1.     Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.

2.     A seguir, reverencia o juramento que fizeste.

3.     Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.

4.     Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.

5.     Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.

6.     Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.

7.     Aproveita os seus discursos suaves, e aprende com os actos dele que são úteis e virtuosos.

8.     Mas não afastes teu amigo por um pequeno erro.

9.     Porque o poder é limitado pela necessidade.

10.    Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.

11.    Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.

12.    Não faças junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.

13.    E, sobretudo, respeita-te a ti mesmo.

14.    Pratica a justiça com os teus actos e com as tuas palavras.

15.    E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.

16.    Mas lembra-te sempre de um facto, o de que a morte virá a todos.

17.    E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.

18.    Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.

19.    Dos sofrimentos que o destino, determinado pelos deuses, lança sobre os seres humanos.

20.    Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.

21.    E lembra-te que o destino não manda muitas desgraças aos bons.

22.    O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.

23.    Portanto, não aceites cegamente o que ouves, nem o rejeites de modo precipitado.

24.    Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.

25.    Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.

26.    Não deixes que ninguém, com palavras ou actos,

27.    Te leve a fazer ou a dizer o que não é melhor para ti.

28.    Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas acções tolas.

29.    Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.

30.    Mas faz aquilo que não te traga aflições mais tarde, e que não te cause arrependimento.

31.    Não faças nada que sejas incapaz de entender.

32.    Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, a tua vida será feliz.

33.    Não esqueças de modo algum a saúde do corpo.

34.    Mas dá a ele alimentos com moderação, exercício necessário e também repouso à tua mente.

35.    O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.

36.    Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.

37.    Evita todas as coisas que possam causar inveja.

38.    E não cometas exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.

39.    Não ajas movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.

40.    Faz apenas as coisas que não te possam ferir, e decide antes de as fazer.

41.    Ao te deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,

42.    Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas acções do dia.

43.    Pergunta: "Em que errei? Em que agi correctamente? Que dever deixei de cumprir?"

44.    Recrimina-te pelos teus erros; alegra-te pelos acertos.

45.    Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Deves amá-las de todo o coração.

46.    São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.

47.    Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.

48.    Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.

49.    Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.

50.    Quando fizeres de tudo isso um hábito,

51.    Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,

52.    Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.

53.    Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.

54.    Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.

55.    Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos as suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.

56.    Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.

57.    Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.

58.    Este é o peso do destino que cega a humanidade.

59.    Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis

60.    Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.

61.    Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!

62.    Oh! Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.

63.    Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.

64.    Porém, não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.

65.    E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.

66.    Se ela te comunicar os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.

67.    E ao curar a tua alma libertá-la-às de todos estes males e sofrimentos.

68.    Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.

69.    Avalia bem todas as coisas,

70.    Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.

71.    Assim, quando abandonares o teu corpo físico e te elevares no éter.

72.    Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.

Empédocles

Por autores acreditados foi já posta em questão a autoria da “Teoria das quatro faculdades”, correspondentes aos quatro elementos da matéria, a qual, em vez de ser de Hipócrates, como em geral se supõe, poderá ser de Empédocles.

Mas, voltando ao nosso tema chave, nada se prestou tanto ao ridículo como a medicina.

Heraclito

Heraclito era também médico, e afirmava que “ninguém é mais louco que os gramáticos, a não ser os médicos”.

Demócrito

Demócrito foi um grande químico, a quem se deve a autoria de teorias sobre transmutação de metais, e sobre a composição atómica da matéria. Ele criticou – em sintonia com os empíricos – as teorias médicas oficiais daquele tempo, declarando que “não se devia aceitar como regra de conduta mais do que o resultado dos factos observados”.

Heródicus

Heródicus foi o inventor da ginástica médica, como meio de conservar e devolver a saúde.

Hicus

Hicus era médico e atleta. Permaneceu solteiro, para conservar as suas forças e ganhar os prémios nos torneios. A sua sobriedade era tão proverbial que se recomendavam aos barrigudos daquele tempo os Menus de Hicus.

Eracístrates

Eracístrates dizia: “para curar os órgãos é necessário conhecê-los” e fundou a anatomia patológica.

Hierófiles

Hierófiles criou muitos termos de anatomia, os quais, como bem disse Raspail, “poucos frutos deram à medicina, já que a necroscopia de então, como hoje, só conseguiu surpreender pelos efeitos, ficando sempre fora do seu alcance a causa real da enfermidade, a qual continuaram considerando emanada da fleuma, da bílis, do frio, do quente, do seco e do húmido”.

Eracístrates e Hierófiles separaram a cirurgia da medicina (isto, dois séculos antes de Cristo!) e introduziram a farmácia como novo ramo de comércio na arte de curar. A medicina propriamente dita, de facto, chamava-se dietética – o que mostra o valor que se dava todavia ao regime.

Pródicus

Pródicus, afastou-se destas teorias, pela convicção de que “a saúde depende do atletismo e do estímulo da pele, por meio de fricções e bálsamos”.

Catão...

...a que também já nos referimos, escrevia ao seu filho, em viagem à Grécia:

“...Dir-te-ei o que deves trazer de Atenas: a sua literatura é digna de ser conhecida, mas com cautela, pois quando nos tenha inspirado os seus gostos, terá conseguido corromper-nos; porque razão a Grécia nos manda os seus médicos? Estes hão jurado matar todos os bárbaros com as suas receitas – e para isso existe um salário, a fim de que o enfermo perca mais depressa a fé nos tratamentos! Proíbo-te, pois, os médicos. Estes entraram em Roma, apesar dos romanos os desprezarem, por ser a medicina uma arte de escravos...”.

Plínio

Plínio, o grande historiador, dizia:

“...o médico é o único em quem cremos mais nas suas palavras que em seus actos; assim se crê porque se lhe chama «médico». Sem dúvida, não há arte onde a impostura tenha mais perigosas consequências. Não temos nenhuma lei eficaz para castigar a sua ignorância, que mata, que se instrui à conta da nossa saúde, que experimenta matando. Só há no mundo um nome que pode matar impunemente – é o médico!...”.

E acrescentava:

“...nenhuma profissão há envenenado mais pessoas, caçado mais heranças, levado o adultério até ao palácio dos Césares. Refiro-me às suas avaras exigências, às condições que impõe até à agonia, às suas prendas, que pedem contra a morte, aos seus remédios secretos, que tão caro vendem ao enfermo, a essa dessa teriaca (teriaca ou triaca - famoso medicamento antigo, que chegou a incorporar setenta componentes, e se prescrevia como antídoto de envenenamentos), composta para o luxo – esse antídoto de Mitrídates, composto de cinquenta e quatro drogas, onde cada uma entra em proporção diferente. É para vender mais caro que fazem tanta ostentação de uma ciência prodigiosa, da qual ignoram, com frequência, os rudimentos mais básicos. Foi por isso que Catão repudiou essa ciência insidiosa, na qual o médico honrado encobre os charlatães, tratando, pela sua determinação, combater as alucinações dos espíritos dos enfermos, que pensam que uma droga é tão mais saudável quanto mais cara custa...”.

Na sua “História Natural”- volume 24 – escreveu:

“...a natureza não criou mais do que remédios vulgares, baratos e fáceis de obter, geralmente entre os nossos próprios alimentos; foram a fraude e o charlatanismo quem inventou essas «oficinas» onde se promete ao enfermo devolver-lhe a vida a preço de ouro; é aí que se recomendam misturas misteriosas vindas da Arábia e da Índia, como se só o mar vermelho pudesse produzir remédios para o mais insignificante abcesso, enquanto os pobres encontram o seu remédio na sua própria alimentação...”.

E mais:

“...a medicina tornar-se-ia a mais vil das arte se fosse tomado, no próprio jardim, a erva ou alimento que servisse de específico; a verdade é que a grandeza romana perdeu a sua severidade; os vencedores foram domados pelos vencidos; o romano obedece aos bárbaros, e há uma arte que exerce o seu império sobre os próprios imperadores...”.

É evidente que, entre os próprios médicos, houve os que reagiram contra os vícios da medicina.

Asclepíades, o romano, cem anos antes de Cristo, reclamava contra os purgantes e os vomitivos, recomendando apenas remédios simples, suaves e naturais. Preconizava passeios a pé ou em carroça, fricções e vinho de uva, banhos frios contra a enterite, água salgada contra a icterícia, etc..

Metódicos

A seita dos metódicos afirmava:

“...Os remédios simples são melhores do que os remédios em voga. Se a medicina fosse exercida por homens rústicos e menos eruditos que nós, formados na escola da natureza, mais do que na filosofia, as nossas enfermidades seriam menos graves, os nossos remédios mais simples e fáceis, mas nós saímos desta via natural, pondo todo o nosso orgulho numa certa eloquência e uma grande facilidade para dissertar e escrever...” (Teodóricus Pristiamos)

Ressurge o Naturismo

Como consequência dos fracassos da medicina, e da desconfiança do povo, o naturismo começou a entrar em voga.

Surgiu a seita dos Eclécticos, que pretendiam retirar o bom do dogmatismo como do empirismo, sendo o Eclectismo a tendência filosófica formada de princípios ou teses colhidos em diversos sistemas, com o fim de sintetizar o que de melhor cada um pode oferecer.

Isto permite formar métodos, pela conciliação de partes originárias de diversas escolas, desprezando-se tudo o que não for conciliável com o novo “sistema” assim criado, e acrescentando-se infinitamente a ele tudo o que satisfaça os princípios da coerência estabelecidos.

A história repete-se, e nem sequer faltaram então os espiritualistas que, com Gricípe, tentavam unir o positivismo de Hipócrates ao espiritualismo de Platão.

Celso

Aulo Cornélio Celso (século I) viveu no tempo de Augusto e foi autor do célebre livro De Arte Médica ou De Re Médica, possivelmente tradução de textos gregos. Foi seguidor das teorias de Hipócrates e foi cognominado o Cícero da Medicina, devido à qualidade e pureza do seu estilo. Classificou as doenças que podem ser tratadas por dietas e regimes e aquelas que requerem tratamento cirúrgico ou farmacológico. Ele foi sem dúvida o mais sério dos médicos escritores de Roma. Entre as suas célebres afirmações, dizia:

...o bom médico não deve abandonar o seu enfermo, mas isso não o podem fazer os que exercem sem outra razão do que a de ganhar dinheiro...”.

Em sintonia com Hipócrates, afirmava:

“..a melhor medicina é a alimentação dada oportunamente...”.

Apesar do desprezo dos romanos e das acusações que lhes faziam – de matar, mais do que curar – os médicos multiplicaram-se e fizeram-se ricos e poderosos. Isto foi então, como o é hoje, uma lógica consequência da ignorância geral da arte de bem viver – a única que evitaria a enfermidade e faria inútil o médico.

Recordamos a este respeito o diálogo de um príncipe do oriente com um célebre médico árabe que se instalou no seu país, e que ficou muito surpreendido por os médicos serem raros. Perguntando-lhe o sábio como vivia o seu povo, o príncipe respondeu:

...levam uma vida muito modesta, dedicando-se quase todos às tarefas mais simples e rudes do cultivo da terra; comem o que eles próprios produzem, e só quando têm fome...”. ... Não têm, por outro lado, vícios...” - completou o príncipe.

Neste caso –  disse o médico: “– não me necessitam, e nada tenho a fazer aqui”.

Galeno

No ano 170, Galeno de Pérgamo pretendeu reabilitar Hipócrates, mas à luz das suas próprias convicções. Mais instruído que este em anatomia e fisiologia, retirou ao hipocratismo o seu significado naturista. Galeno foi o verdadeiro «pai» da medicina alopática farmacológica.

O famoso lema contrarie, contrarie curantur, se fosse apreciado de acordo com o critério naturista hipocrático, poderia traduzir-se no seguinte conselho:

se queres curar-te, faz o contrário do que existe para adoeceres”.

Este conselho referir-se-ia então à conduta, onde reside indiscutivelmente a causa principal do mal. Mas o galenismo, pelo contrário, traduz o célebre aforismo, com o lema:

para curar, apliquemos o remédio que produz efeitos contrários à enfermidade”.

Vitalismo

O vitalismo é a teoria que atribui uma propriedade específica aos fenómenos da vida, distinguindo-os radicalmente dos fenómenos físicos e químicos.

O vitalismo postula igualmente a existência de uma força vital imanente aos seres vivos e irredutível às propriedades da matéria inorgânica.

Sob o ponto de vista epistemológico, o vitalismo recusa-se a explicar os processos biológicos e psicológicos pelos conceitos e leis da física ou da química; a autodeterminação dos organismos não seria de natureza causal, devendo antes ser atribuída a um princípio teleológico supramaterial.

A origem filosófica do vitalismo reside no hilozoísmo e no finalismo da Antiguidade. Em seguida, a tese vitalista liga-se com a medicina do Renascimento que, sob a influência dos alquimistas e dos astrólogos, tendia a associar os princípios da harmonia biológica aos princípios de uma harmonia cosmológica, sendo a síntese entre a matéria e o pensamento assegurada por um princípio vital de natureza metafísica.

Leibniz atribuía uma actividade “...dinâmica, agente e contínua...” à matéria; Novalis e Schelling (Séc. XIX) sustinham que “...a natureza é governada por um princípio vital acessível apenas à intuição, estética ou mística...”. A evolução destas teses conduz à concepção dinamista, em resoluta oposição ao mecanicismo de Descartes.

A ideologia materialista encostou-se ao mecanicismo e fez esquecer o vitalismo. Mas os actuais conceitos de “consciência celular”, não são mecanicistas, e sim vitalistas.

O vitalismo, como princípio, foi conservado por muito tempo, até à antiga escola de medicina de Montpellier, mas como consequência lógica do lema alopático acabou também por ser desvalorizado.

A maior desgraça do homem é o seu espírito gregário. O homem corrente teme todas as coisas, até mesmo o uso do seu cérebro, para pensar livremente, e prefere seguir os que pensam por ele. É este o perigo da Ciência!. Quem não pensa não pode compreender e só está capacitado para crer, mas não para criar. Só o pensamento cria e como a vida é uma contínua recriação, só realmente vivem e se auto–realizam os pensadores e os empreendedores. Nesta condição explica-se o deslumbramento e a admiração dos povos pelos seus heróis, admiração que predispõe às multidões a aceitar, sem as discutir, teorias, leis e costumes que as escravizam, as embrutecem e as anulam. A fama e a moda são consequência desta falta de individualidade na maioria das pessoas. Por isso é que as teorias, aceites como dogmas num momento, decaem para voltar mais tarde, tal como as modas. Isto não quer dizer que os homens famosos não tenham muitas coisas boas, mas sim que o espírito humano deve estar sempre alerta e livre, para poder discernir, aceitando ou rechaçando, de forma a não ser nunca um seguidor cego de teorias nem de homens.

 
Rases e Avicena

A fama de Galeno passou de Roma à Arábia, onde se traduziram as suas obras. Rases e Avicena, os mais célebres médicos árabes, inspiraram-se nas teorias hipocráticas, de acordo com a interpretação galénica, e os professores das faculdades do ocidente adoptaram durante séculos a medicina árabe.

Rases (ou Rhazes)

Al-Razi (Abu Bakr Muhammed ibn Zakariya al-Razi; 864-930) nasceu em Rages, Pérsia, e notabilizou-se como médico, alquimista e filósofo, sendo um dos melhores da sua época. Utilizava uma grande quantidade de aparelhos e equipamentos alquímicos, e ensaiou a aplicação da arte hermética na medicina. O seu trabalho mais importante é o Sirr al-Asrar ou Kitab al-Asrar. AL Razi ficou conhecido na Europa como Rhazes, o que resultou da latinização do seu nome.

Avicena

Avicena (Abu Ali al-Husayn ibn Abd Allah ibn Sina. (980-1037) foi médico, filósofo, alquimista, astrólogo, mestre e cortesão. Viveu muito tempo na Pérsia, onde praticou a alquimia e a astrologia, devendo-se a ele os primeiros e melhores tratados sobre alquimia conhecidos na Europa em traduções latinas.

Obras: Qanum fit-Tibb (Cânone da Medicina); An-Najat (A Salvação); Kitab al’isarat wat-tanbihat (Livro dos Teoremas e dos Avisos); Mantiq almasriquyin (Lógica) e os Risalas, opúsculos sobre o Corão, a magia, os sonhos e os talismãs.  As traduções latinas de suas obras alquímicas compreendem Anima in Arte Alchimia; Tractatus Alchimiae e Avicennae de Congelatione et Conglutionatione Lapidum (esta editada em inglês com notas e crítica de E. J. Holmyard e D. C. Mandeville (P. Gauthner, Paris, 1927). M. Cruz Hernandez seleccionou, comentou e transpôs para o espanhol textos deste filósofo em Sobre Metafísica (1950).

Avicena foi um dos sábios mais notáveis do Oriente; deve-se a ele a classificação das ciências, usada posteriormente nas escolas medievais europeias e seu Qanum fit-Tibb adquiriu celebridade sendo diversas vezes traduzido para o latim. Como continuador da tradição aristotélica de seu mestre Alfarabi, na sua doutrina filosófica encontram-se muitos elementos neoplatónicos.

 

Organicismo e Opoterapia

Durante toda a Idade Média a medicina alastrou-se por toda a Europa em condições inconcebíveis. Ainda que, pelo menos em teoria, sempre tenha havido um certo eclectismo, o que na prática triunfava era o organicismo.

Messier

Messier – o antigo –, chamado o evangelista dos médicos, na sua obra Colecta Arti Medici recomendava, entre outros medicamentos, os tão delicados como testículos de raposa ou de carneiro de padreação, secos e misturados com mel e gema de ovo, como afrodisíacos; aos anémicos recomendava sangue e pó de carne; miolos e medula contra e epilepsia.

Avicena recomendava mamilos de ovelha e de cabra como galactógenos (o m. q. galactogogo – agente que aumenta a secreção de leite).

Alberto Magno

Alberto Magno – célebre monge dominicano que pertenceu à escola de medicina de Paris, em 1250 – recomendava testículos de porco aos homens “humilhados”, e para que a mulher pudesse conceber, dava-lhe útero de lebre. Esses sábios tornaram-se precursores de Brown-Séquard.

Brown-Séquard

Charles Édouard Brown-Séquard (1817-94) foi o médico e fisiologista francês que investigou acerca do prolongamento da vida recorrendo a extractos glandulares.

As obras de grandes médicos e farmacêuticos da Idade Média são uma sucessão de relatos imundos e extravagantes – todos os bichos conhecidos, seus tecidos, secreções e dejecções dissecadas, reduzidas a pó ou em pílulas e bebidos encheram as boticas durante esses tenebrosos séculos.

Juan de Rénue

Juan de Rénue, médico de Henrique IV, na sua obra  “Animais e suas Partes, que o farmacêutico deve ter na sua Botica”, dá-nos uma «saborosa» descrição a este respeito. Depois de descrever as virtudes de toda a classe de insectos, cantáridas, cochinilhas, vermículos, lagartos, formigas, víboras, escorpiões, rãs, caranguejos e sanguessugas, atribui também aos órgãos genitais, ao coração, pulmões, rins e bexiga, dos animais e do homem, grandes poderes curativos. A gordura do homem e dos mamíferos, o sangue de cada animal, cada classe de leite, os chifres, as unhas, as conchas das ostras e até as pérolas do seu interior, reduzidas a pó, tinham cada um as suas virtudes para determinados males. Diz Rénue: “...apresentam virtudes especiais, e não será demais que o farmacêutico os tenha na sua botica, particularmente os de cabra, de cão, cegonha, pavão real, pombo, gato de angora e os pelos de vários animais...”.

A grande maioria dos grandes farmacêuticos e médicos do século XVIII, fizeram receituários da mesma natureza. Entre outras drogas famosas, recordamos o album graecum (designado popularmente por “alva de cão”), que não era mais que excremento de cão (seco), ao qual atribuía a virtude de secar as verrugas, fazer desaparecer os tumores, acalmar a desinteria, resolver os edemas e dar excelentes resultados na tuberculose, pelo oxalato de cal que contém.

Ambroise Paré

Ambroise Paré era francês e foi um dos mais famosos cirurgiões da Europa da sua época.

O seu sucesso como cirurgião militar granjeou-lhe o posto de cirurgião real de Henrique II, e dos seus sucessores: Francisco II, Carlos IX, e Henrique III.

O próprio Ambroise Paré (1510-90) tinha fé nessa classe de remédios, como o demonstra a sua descrição de um bálsamo chamado Óleo de cachorrinhos, composto com óleo de lírios e cãozinhos recém nascidos, que se faziam ferver juntos, juntando-se-lhe lombrigas preparadas com terebintina de Veneza. Este bálsamo era excelente dizia contra feridas de arma de fogo. Não pretendemos entrar em detalhes, até porque são demasiado repugnantes, mas remetemos os interessados nesta pesquisa para o tema opoterapia.

Opoterapia

Trata-se de um método terapêutico com alguns pontos em comum à organoterapia. Utiliza os sucos e extractos de diferentes órgãos, assim como das suas mais diversas substâncias, incluindo a próprias estrutura do órgão – mais recentemente glândulas endócrinas liofilizadas.

Na actualidade, o que já era mau passou a pior: utilizam-se hormonas sintéticas, que têm a agravante de uma maior toxicidade, pela presença dos princípios degenerativos inerentes aos produtos que pretendem “enganar a natureza”, isto é, tudo o que é sintético.

Sem dúvida, houve também médicos que conservaram fielmente os grandes princípios hipocráticos, mais ou menos como uma tradição, e deles nos ocuparemos mais tarde.

 

Revolução Médica

Paracelso

Theophrastus Bombast Von Hohenheim (1493-1541). Philippus, Aureolus e Paracelso.

 Fonte:http://pwp.netcabo.pt/naturosofia/


Enviado por Alberto Junior para a veg-brasil

Green Day

quem deu a dica desse vídeo do green day (o vocalista billie joe é vegetariano) foi a mariana tibana bastos, 13 anos, de campo-grande (ms). ela é vegetariana há 7 meses e ativista pelos direitos dos animais e preservação ambiental

segue ai o clipe e o comentário:

 

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"Ai vai o link de um video muuito lindo do Green day. Essa musica foi regravada do johnn lennon, o que é uma verdadeira honra.
A mensagem que o clipe passa é muito bonita, pela paz no mundo^^. Hoje em dia eh o que agente precisa mesmo. E naum podemos esquecer que se engajar eh sempre bom, e é um verdadeiro ato de maturidade e preocupaçao com o meio ambiente."

mariana

 

Green Day é uma banda de punk rock norte-americana, formada por Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool.


Ética e Experimentação Animal - Sônia Felipe

Ética e Experimentação Animal - Sônia Felipe
Neste livro, a filósofa Sônia T. Felipe reconstitui os argumentos contrários à experimentação em animais vivos, formulados a partir de quatro perspectivas morais distintas e influentes: das tradições religiosas antigas, da filosofia moderna e contemporânea, da própria ciência, e da tradição jurídica.