Dieta livre de carne e rica em vitamina B2 pode regredir Parkinson

Estudo revela que portadores da doença apresentam deficiência da vitamina e ingerem muita carne vermelha; nova dieta fez com que a recuperação média motora dos pacientes saltasse de 44% para 70% em apenas três meses de tratamento

por Ana Cristina Cocolo

A bengala fica no armário
Com três meses de tratamento, a pintora Delphina Madalena Santos, que sofre do mal de Parkinson há dez anos, deixou de apresentar as alterações de equilíbrio responsáveis por várias de suas quedas em casa. A bengala que a acompanhava já está bem guardada no armário
 
Incluir vitamina B2 e tirar carne vermelha. Essas duas pequenas alterações na dieta de portadores da doença de Parkinson estão trazendo grandes benefícios para um grupo de 31 pessoas que participa de um estudo realizado por Cícero Galli Coimbra, neurologista e professor livre-docente de Neurologia Experimental da Unifesp. Os pacientes, a maioria em tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal, estão verificando não apenas a estagnação da doença como também sua regressão. Os dados preliminares da pesquisa foram apresentados no 6º Congresso Internacional sobre doença de Alzheimer e Parkinson, realizado em Sevilha, Espanha, no começo de maio.

Com apenas três meses de tratamento e dieta, a recuperação média da função motora dos pacientes passou de 44% para 70%. "Os melhores resultados são encontrados nos pacientes que estão nas fases iniciais da doença", explica Coimbra. "Entretanto, existem casos de pessoas que se tratam há muito tempo e que tiveram uma melhora na função motora de 15% para 90% após a intervenção." Um dos casos descritos por Coimbra é o da professora Cirlei Favaro, de 66 anos. Portadora de Parkinson há quase dez anos, ela precisava de auxílio para se levantar e reclamava da falta de equilíbrio mesmo com a ingestão dos remédios. Seus sintomas antes de iniciar o tratamento, em setembro de 2002, eram característicos da fase 4 do problema (leia box).

Sete meses depois da administração da vitamina e de ter eliminado a carne vermelha (de vaca e de porco) e derivados (frios e miúdos) do cardápio, Cirlei comemora: os sintomas regrediram, permitindo que ela voltasse a dirigir e a andar a pé nas ruas sem medo de cair. Hoje, suas características se assemelham às de pacientes que estão na fase 1 da doença. "Agora, tenho aversão ao alimento que mais consumi na vida: a carne vermelha."

O alívio também foi grande para a dona-de-casa Nirce Alves dos Santos, 66, que teve a confirmação do diagnóstico há apenas dois anos. Antes de iniciar a reposição da vitamina B2, há seis meses, consumia carne vermelha pelo menos quatro vezes por semana e seus sintomas a colocavam na fase 2 da doença. Atualmente, ela está livre não só desses sintomas como também da medicação indicada a portadores de Parkinson. "Minha única preocupação agora é tomar a vitamina na hora certa."

 
Gordura animal x carne

Conheça os limites impostos por cada fase da doença

A doença de Parkinson é uma alteração do sistem a nervoso central que afeta principalmente o sistema motor, provocando tremores, rigidez muscular e alterações posturais.

Outras manifestações não-motoras também podem ocorrer como o comprometimento de memória, a depressão e alterações do sono.

O neurologista João Carlos Papaterra Limongi, do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que apenas 5% dos portadores da doença apresentam forte componente hereditário.

Outros 75% dos casos ainda desafiam a ciência a descobrir a causa. A porcentagem restante, segundo ele, é classificada por parkinsonismo secundário, no qual é possível identificar uma causa medicamentosa, tóxica, infecciosa ou traumática para o desenvolvimento da doença.

Conheça as fases do Parkinson e as limitações impostas em cada uma delas.

Fase 1 - O indivíduo tem apenas um lado do corpo afetado por tremores, rigidez ou ambos os sintomas
Fase 2 - Os mesmos sintomas afetam os dois lados do corpo
Fase 3 - Além dos sintomas da fase 2,
o indivíduo tem o equilíbrio afetado. Geralmente adquire uma postura encurvada e tem extrema dificuldade para mudar de direção rapidamente ou dar passos para trás sem perder o equilíbrio
Fase 4 - A rigidez já o impede de fazer
a higiene pessoal, precisando de auxílio até mesmo para se alimentar
Fase 5 - Ele não consegue se levantar da cama ou da cadeira sem ajuda. Consegue andar mas, muitas vezes, com o apoio de alguém ou de
uma bengala
As informações presentes até hoje na literatura médica apontam o consumo de gordura animal como um dos fatores de risco para a doença. Mas na opinião de Cláudio Fernandes Corrêa, neurocirurgiã o e chefe do Centro de Tratamento dos Movimentos Involuntários do Hospital 9 de Julho (Cetrami), essa informação é questionável, já que nenhum estudo conseguiu comprovar o malefício do consumo de gordura animal (e sua participação no desenvolvimento do Parkinson). O que existem são trabalhos que indicam que a ingestão de carne está ligada diretamente à produção de neurotoxinas.

Foi justamente esse o caminho que Coimbra seguiu em seus estudos. Associou a informação já conhecida sobre os efeitos nocivos da carne vermelha à falta de vitamina B2, causada pela má absorção do organismo, fatores que, em sua opinião, podem estar associados ao desenvolvimento da doença.

O neurologista afirma que, no início, a idéia da pesquisa era verificar se pacientes com Alzheimer e Parkinson apresentavam, além do aumento característico da homocisteína – substância tóxica apontada como participante do processo neurodegenerativo –, o mesmo grau de deficiência de determinadas vitaminas. "Queríamos saber se haveria um padrão de deficiência vitamínica próprio de cada doença."

Para dosar essas substâncias, Coimbra coletou amostras de sangue de dez pacientes com Alzheimer e de outros 31 com Parkinson. Com a colaboração da bioquímica Virgínia Berlanga Junqueira, chefe do laboratório do Centro de Estudos do Envelhecimento da disciplina de Geriatria da Unifesp, ele verificou que as diferenças encontradas entre os dois grupos, relativas aos níveis de vitaminas B6, B12 e ácido fólico, não foram estatisticamente significantes. Porém, quando foram analisados os da vitamina B2, os portadores de Alzheimer, em geral, apresentaram concentrações normais, enquanto todos os portadores de Parkinson apresentaram níveis considerados abaixo da normalidade.

A partir daí, o neurologista passou a analisar se a dieta dos pacientes não incluía a quantidade suficiente dessa vitamina, encontrada principalmente no leite. "Para minha surpresa, a ingestão era boa. Mas percebemos que o consumo de carne vermelha entre esses pacientes era alto."

De acordo com Coimbra, já é do conhecimento médico que a carne vermelha produz uma substância chamada hemina, extremamente tóxica para as células do organismo, originando a produção de radicais livres. "Para serem eliminados, esses radicais livres precisam de uma substância chamada glutationa que, após utilizada, só pode ser recuperada com vitamina B2", diz Coimbra. "A falta da glutationa é a primeira alteração neuroquímica presente nas células cerebrais que estão degenerando com a doença de Parkinson."

Com a reposição da vitamina, o pesquisador esperava que a doença parasse de progredir. Mas o resultado foi melhor: ela está regredindo. O neurologista ainda não sabe explicar se esse fenômeno se deve à neurogênese (processo que leva à formação do sistema nervoso) ou à recuperação de células que não funcionavam mas encontravam- se ainda vivas na substância negra do encéfalo, principal região afetada pelo processo neurodegenerativo.

"De qualquer forma, o nível de recuperação alcançado em tão pouco tempo é surpreendente, pois estima-se que cerca de 60% das células dessa região já foram perdidas quando surgem os primeiros sintomas."

Coimbra acredita que a falta de vitamina B2 no organismo desses pacientes pode ser decorrente de um problema que atinge 15% da população: o mau funcionamento de uma enzima chamada flavoquinase, responsável pela absorção da vitamina.


 
 
 

FAO alerta que aumento de produção de carne é um perigo para consumidores

ROMA (AFP) — O aumento da produção dos diferentes tipos de carne também incrementa o risco de transmissão de enfermidades dos animais aos homens, alertou nesta segunda-feira a Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
À medida que os países enriquecem e que a população continua aumentando, a demanda de carne e outros produtos pecuários cresce, segundo afirma a FAO, em um documento intitulado "Produção animal industrial e perigos sanitários mundiais".

"Para satisfazer esse aumento na demanda de produtos pecuários, a produção e a densidade animal se incrementaram consideravelmente, no geral perto de centros urbanos", assinala o texto.

"A concentração de milhares de animais confinados aumenta a probabilidade de transferência de elementos patogênicos. Além disso, os gados produzem grandes quantidades de dejetos, que também podem conter concentrações elevadas de agentes patogênicos".

O documento acrescenta que grande parte desses dejetos é eliminada sem tratamento, algo que representa um perigo de infecção para os mamíferos e aves selvagens.

Por isso a FAO pede "aos produtores de carne que apliquem as medidas de biossegurança básicas".

"Os locais de produção não deveriam ser construídos perto de lugares onde vivem aves selvagens; as granjas deveriam ser limpas e desinfetadas regularmente, os movimentos de pessoas e veículos controlados e os empregados formados em medidas de biossegurança", acrescenta o texto.

A FAO adverte que "se o vírus altamente patogênico H5N1 da gripe aviária é atualmente um tema de preocupação mundial, a circulação silenciosa dos vírus da gripe de tipo A entre as aves e os porcos também deveria ser estritamente vigiada".

"Isso pode dar lugar ao surgimento de uma pandemia de gripe entre os homens", afirma ainda o texto.

17/09 - 11:52 - AFP

Fonte:  AFP

http://afp.google.com/article/ALeqM5hCp1B6ytEAcBE8JistyW4jmU_axQ


Vegetarianismo e Paz

Ivana Maria França de Negri

            Num futuro não muito distante, os habitantes deste planeta terão que optar entre continuar a se alimentar da carne dos animais ou aceitar a própria extinção da espécie humana.

            Com a explosão populacional crescente, não haverá espaço físico para criar tanto gado destinado a alimentar esse contingente de novas pessoas dentro da extensão limitada da terra. O rebanho de milhões de cabeças de gado nunca será suficiente para sustentar tantas bocas, e nem as plantações de grãos serão bastantes para nutrir o imenso rebanho. A água, que se tornará artigo de luxo, não poderá servir aos humanos e à criação de gado ao mesmo tempo. Os grãos deverão se destinar aos milhares de novos humanos, ou eles serão fadados a morrer de fome.

Os animais, pequenos “cristos” imolados todos os dias para saciar a voracidade humana, cujos corpos judiados, sanguinolentos e esquartejados são expostos nos açougues e supermercados para a venda, são cada vez mais explorados para atender a demanda de criação, engorda rápida, abate e consumo. Tal alimento só pode fazer mal ao espírito, pois é produto de violência e gera intenso suplício ao animal desde o nascimento até quando sobe  a rampa do matadouro.

            Jamais compreendi o amor que algumas pessoas têm por seus cães e gatos, tratando-os como filhos, sendo que essas mesmas pessoas, adoradoras de cães e gatos, comem a carne de vacas, porcos, coelhos, carneiros, galinhas, peixes e outros animais, incentivando a indústria mais cruel que existe, a da carne. Qual a diferença? Por que amar alguns e devorar outros? Essa é uma incoerência que nunca entendi.

Chegará o dia em que comer a carne de um animal será um sacrilégio, assim como hoje é crime o canibalismo. Matar um animal será como assassinar um ser da própria espécie para devorar sua carne.

A indústria voraz e sedenta por lucro não se importa nem um pouco com o sofrimento das criaturas. Drogas são injetadas em aves para crescimento e engorda rápida. São cortados seus bicos para não ciscarem e não se ferirem no diminuto espaço que dispõem nos poucos dias de vida. Bois são castrados e marcados com ferro incandescente sem anestesia e se contorcem de dor. Patos são forçados a comer através de um funil acoplado em suas gargantas, dia e noite,  até que seus fígados fiquem doentes de tanta gordura, para a fabricação do patê “foie gras”. Bezerros são apartados de suas mães e colocados num engradado no qual não podem se mover para que não criem músculos e a carne  permaneça rósea e macia. Vão para o abate literalmente carregados devido ao alto grau de anemia. Países mais civilizados que o nosso já aboliram a vitela (baby beef) e o “foie gras” devido ao alto grau de tortura a que são submetidos os animais.

A humanidade clama por paz, mas não deixa os outros seres da criação viverem em paz. E por isso não consegue alcançá-la. Enquanto não despertar sua consciência e continuar em sua cegueira mental, o homem não alcançará a almejada paz.

 

Ivana Maria França de Negri é escritora e integrante da Sociedade Vegetariana Brasileira/ Piracicaba   e-mail ivanamfn@yahoo.com.br


Veganismo, uma questão de plena consciência

08/08/2007

Ainda hoje, surpreendo-me com o espanto que muitas pessoas demonstram quando declaro ser vegan (uma classe de vegetarianos que não consome produtos ou alimentos de origem animal). Tenho a impressão de que pensam estar lidando com uma extraterrena, até me questionam como vivo sem comer carne! Na verdade, penso que eu é quem deveria estar questionando em como podem comer cadáveres? Mas não o faço, até porque sei que os questionamentos são oriundos da má informação, da ignorância e da falta de conscientização que levam ao terrível conceito de que “não podemos viver” sem comer a carne, consumo tão incentivado nas prateleiras dos açougues, dos supermercados e pela mídia.

Confesso que ao me tornar vegan, de início, achei muito trabalhoso ficar lendo os rótulos dos produtos nos mercados para selecionar os produtos que não tivessem ingredientes de origem animal. Mas movida pela determinação de não ser cúmplice dos assassinatos cruéis com os animais e de não contaminar mais meu organismo com os diversos venenos embutidos nos alimentos, segui em frente.

Milhares de pessoas, mundo afora, já aboliram a carne de seus pratos após tomarem conhecimento dos poderosos venenos utilizados na criação de gados e afins, e com isso, estão preservando a saúde de si próprias e a do planeta, já que aos poucos, a conscientização de que a pecuária é uma das maiores culpadas pela degradação do meio ambiente e de que será no futuro próximo a grande causadora da falta de água potável também, vai tomando vulto, finalmente. Inclusive, já foi constatado, tecnicamente, que o desmatamento de áreas imensas para o cultivo de grãos para o gado e para seu pasto poderiam muito bem serem utilizadas para o cultivo de alimentos para matar a fome das crianças famintas do planeta!

Infelizmente, não se faz um trabalho de esclarecimento para a população que ainda pensa que só a carne é capaz de torná-la saudável; ledo engano, é justamente o contrário! Várias doenças graves estão ligadas diretamente ao consumo da carne! É preciso que a grande população saiba que os vegetais, as leguminosas, os cereais e as frutas são os maiores responsáveis por uma saúde equilibrada e onde podemos encontrar em abundância os elementos principais para uma vida sadia, pois proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, sais-minerais, fibras e muito mais são encontradas fora da carne. Os alimentos derivados do trigo, como, por exemplo: o pão e o macarrão são fontes de proteínas, carboidratos, vitaminas, ferro, zinco, além das fibras vegetais. Diria: bom, bonito e barato!

Se observarmos o porte dos bois, dos elefantes e dos cavalos veremos que não é a carne que os faz tão majestosos. Todos são vegetarianos! Se você quer adquirir proteína, consuma, além dos alimentos citados acima, o grão de bico, o arroz, o feijão, a soja, o amendoim, o brócolis, a batata, o pão, o espinafre, as leguminosas, aveia, etc. As proteínas existem em fartura na natureza! Não é necessário ser conivente com a morte de outros seres vivos para continuar vivendo. Se todos tivessem a chance de ver como esses animais vivem e são abatidos, tenho certeza de que a visão de suas tripas ensangüentadas e de seus gritos de dor, enquanto pendurados, retalhados e queimados fariam o ser humano abolir definitivamente a morte de seus pratos!

Hoje, quase 6 anos após a minha determinação de não viver à custa do sofrimento de outros seres, sento à mesa com muita satisfação, pois ser vegan, para mim, é uma questão de solidariedade ao próximo - homem ou animal. É uma questão de respeito às gerações futuras, é contribuir para a erradicação da fome no planeta, é proteger o meio ambiente e, sobretudo, livrar os animais das barbaridades que lhes são impostas em nome da ganância e da insensatez humana

A autora, Fátima Borges, é vice-presidente da ONG Defesa Animal e Ambiental com Apoio Jurídico (DAAJ). www.vegetarianismo.com.br. fafiestrela@terra.com.br

Fonte: JCNET  


Bruschettas de Ratatouille

1/2 xícara de tomate sem pele e sementes em cubinhos
1 xícara de berinjela em cubinhos
1/3 xícara de pimentão vermelho em cubinhos
1 xícara de abobrinha em cubinhos
1/2 xícara de pimentão amarelo em cubinhos
12 fatias de baguete, cortadas na diagonal
2 colheres de sopa de manjericão picadinho
azeite extra-virgem e sal

1. Aqueça bem a frigideira, coloque um fio de azeite, junte os pimentões e salteie-os por cerca de 3 minutos.

2. Acrescente a abobrinha e salteie por mais dois minutos.

3. Junte a berinjela e salteie por mais dois minutos.

4. Junte o tomate.

5. Acerte o sal, misture bem e retire do fogo. Adicione o manjericão, misture bem e reserve.

6. Umedeça as fatias de pão com um fio de azeite e doure-as rapidamente na frigideira.

7. Coloque colheradas do ratatouille sobre as bruschettas e sirva em seguida.

A palavra Ratatouille (pronuncia-se "ratatui") caiu na boca das crianças após a estréia do filme da Disney/Pixar. O ratinho Remy quer ser um grande chef e conquista o mais severo crítico gastronômico da França preparando o prato, um guisado de legumes da região francesa da Provence. Aproveitando a deixa, as chefs Carla Pernambuco, mãe de Floriana, Felipe e Julia, e Carolina Brandão, filha de Valéria e Marco, do restaurante Carlota, criaram essa versão deliciosa para sua turma roer legumes sem reclamar.

Fonte: Revista Pais e Filhos


Carne Kosher é uma contradição

Citações sobre o Judaísmo e Vegetarianismo - Newsletter online da JVNA 9/8/07

"Não deveria ser crença generalizada que todos os seres existem só para servir o Homem. Pelo contrário, todos os outros seres existem para si mesmos e não para outra finalidade qualquer. Não há diferença entre a dor dos animais e a dor dos seres humanos."
--» rabino Moses Maimonides (1135-1204), Guia Para os Perplexos

"Há crueldade na matança de animais."
--> Rabino Joseph Albo, Sefer Ha-Ikarim, Vol. III, Ch. 15

"Fazer animais sofrer é proibido pelo Torah."
--> Rabino Shear Yashuv Cohen, Rabino-Mor Ashkenazi de Haifa, Israel

"As leis sobre a alimentação servem para nos ensinar a ter compaixão e levar-nos lentamente (de volta) ao vegetarianismo."
--> Rabino Shlomo Raskin

"Ter compaixão pela vida animal não é só uma questão de ser responsável pela vida animal, questão essa bem exposta no Torah e expandida pelos nossos mentores espirituais, mas também uma questão de nos imbuirmos dos valores que realmente são importantes.
Se formos indiferentes em relação à vida animal, então somos indiferentes como seres humanos. Assim, um ser humano verdadeiramente sensível, compassivo em relação a outros seres humanos, também é compassivo para com os animais."
--> Rabino David Rosen, antigo Rabino-Mor da Irelanda

"A destruição ambiental causada pela agro-pecuária, pela quantidade de fezes produzidas, pela quantidade de detritos que vão parar aos nossos sistemas de águas e saneamento, não deixa dúvidas de que está a destruir o nosso mundo e está (...) em violação do mandamento Judaico de proteger e cuidar da Terra. (...) Estamos a ignorar coisas que são essenciais e que são fundamentais ao carácter do Judaísmo, de forma a ceder aos nossos desejos egoístas.
--> Rabino Adam Frank

"Este é o caminho dos pios e dos espiritualmente mais elevados. (...) Eles não desperdiçam nem um grão de mostarda e sofrem com cada desperdício e destruição que vêem, e, se forem capazes de salvar ou poupar, eles salvarão qualquer coisa da destruição com todas as suas forças."
--> Rabino Aaron HaLevi de Barcelona, Século XIII, Sefer HaChinuch 529

"Penso que a forma de como me alimento está de acordo com a minha prática Judaica.(...) Não acho que o Judaísmo diga que "tens que ser vegetariano" mas há muitos indícios na literatura que nos dizem que isso é algo bom."
--> Rabino David Small

"Aquele que mata um boi é como se matasse uma pessoa."
--> Isaías 66:3

"Quem destrói uma única vida, considera-se que tenha morto um mundo inteiro, e alguém que tenha salvo uma vida, considera-se que tenha salvo um mundo inteiro."
--> Talmud, Sanhedrin 4:5

"O destino dos Homens e o destino dos animais, ambos têm o mesmo e único destino. Quando um morre, também o outro, e ambos têm o mesmo espírito."
--> Eclesiastes 3:19

"Não quero que as minhas preferências alimentares sejam coniventes com o sofriemento que ocorre na indústria alimentar animal. O Judaísmo toma muito a sério a ideia da responsabilidade pessoal. A mudança comunitária para melhor e o comportamento ético em sociedade começam com o indivíduo.
--> Rabino Adam Frank

"As Leis do Kashrut vêm ensinar-nos que a primeira preferência de um Judeu deveria ser uma refeição vegetariana."
--> Rabino Pinchas Peli, Torah Today

"O vegetarianismo é uma forma superior de ser Kosher."
--> Rabino Daniel Jezer

"Devemos manter todos os nossos consumos o mais sagrados possível. (...) Quanto mais tentarmos viver como se estivéssemos na era messiânica, mais próximos estaremos dela."
--> Rabino Rami Shapiro

"O que, um dia, possa ter feito sentido, não mais pode ser justificado. Podemos, hoje, chegar à conclusão de que, na maior parte dos casos, "carne Kosher" é uma contradição.
--> Rabino Fred Scherlinder Dobb

"Ao não comer carne, estou muito mais seguro de nunca violar, mesmo acidentalmente, as proibições bíblicas e rabínicas, no que respeita a carne não Kosher. A produção de carne Kosher nunca previu matadouros massivos ou quintas industriais. É questionável se a maior parte da carne ou aves produzidas neste país que são vendidas como sendo kosher, estarão, realmente, de acordo com as leis tradicionais do Kashrut, assim como a proibição da crueldade para com os animais."
--> Rabino Jon-Jay Tilsen

"A maneira mais simples (de manter o Kashrut), que é o melhor caminho aos olhos da tradição, é ser-se vegetariano."
--> Rabino Michael Cohen

"Se não comes carne, és certamente Kosher. (...) E acredito que deveríamos dizê-lo aos nossos amigos coelhos."
--> Rabino Shear Yashuv Cohen, Rabino-Mor Ashkenazi de Haifa, Israel

"Os Nazis explicitamente estruturaram a sua destruição industrial dos Judeus usando como modelo o massacre dos animais. Não serve para comparar o sofrimento de animais e humanos, mas mostra que a forma de como tratamos os animais é semelhante à forma de como os Nazis nos trataram.
--> Rabino Hillel Norry

"Sejam compassivos e carinhosos para todas as creaturas que Deus, abençoado seja, criou neste mundo. Não batam nem inflinjam dôr a nenhum animal, besta, ave ou insecto. Não atirem pedras a nenhum cão ou gato, nem matem moscas ou vespas.",
--> Sefer Chasidim [Livro dos Pios]

"Não se pode pedir constantemente o perdão dos pecados, enquanto se usa artigos feitos com a pele de animais massacrados"
--> Shulchan Aruch [Código da Lei Judaica]

"Talvez o argumento mais poderoso a favor do vegetarianismo hoje mais do que nunca (...) seja a proibição contra o 'chillul HaShem', a blasfémia contra o nome de Deus. É, decerto, uma blasfémia quando Judeus praticantes comem animais produzidos sob condições de crueldade que violam flagrantemente os ensinamentos e as proibições Judaicas."
--> Rabino David Rosen, antigo Rabino-Mor da Irlanda

"Comer a carne de animais não traz nenhum benefício. De facto, é prejudicial à saúde humana, destrutivo para o ambiente e desperdiça recursos valiosos que poderiam ser mais bem utilizados para alimentar os que têm fome e prover aos que têm necessidades básicas. Todos estes são valores do Torah."
--> Rabino Hillel Norry

"A minha repulsa pela ideia de matar e comer animais tornou-se maior, por isso parei."
--> Rabino Jon-Jay Tilsen

"As necessidades básicas da vida não incluem carne."
--> Rabino David Golinkin

"A minha decisão para abster-me do consumo de produtos animais é o reflexo da minha adesão à Lei Judaica." --> Rabino Adam Frank

"Mesmo o próprio Torah reconhece que comer carne não é o ideal para um ser humano. Não é a dieta ideal para a raça humana. race."
--> Rabino Simchah Roth

"Não há simplesmente nenhuma defesa espiritual nas tradições religiosas tanto do Ocidente como do Oriente para se comer carne." --> Rabino Marc Gellman, "The First Hamburger"

"Eu relaciono o vegetarianismo com o Judaísmo de diversas formas (...) a tortura dos animais e o sofrimento por que eles passam, ao serem criados em fábricas e depois comidos vai contra as leis do Judaísmo."
--> Adam Stein, estudante para Rabino

Fonte: The Schwartz Collection on Judaism, Vegetarianism, and Animal Rights

Data: 08-12-2007

Carta de Belém aos libaneses, em especial aos tironeses, sidônios e beirutenses

Irmãos,

Neste mês de julho cerca de 40.000 bois em 19 navios saíram de Belém rumo ao Líbano. Não levam esperança para o fim das guerras no Oriente Médio. Levam bois vivos para serem sacrificados e se tornarem iguarias, como o quibe cru e o kebab.

Neste ano a Amazônia provavelmente exportará ¼ de milhão de bois vivos, um recorde! Bois também irão para a Venezuela e para as churrascarias e super-mercados de São Paulo, Brasília, Recife e Rio de Janeiro.

Acontece que a pecuária bovina responde por 4/5 dos desmatamentos e das queimadas da Amazônia. Em 50 anos a Amazônia brasileira viu 70 milhões de hectares de floresta virarem pasto (70 vezes a superfície do Líbano, de pouco mais de 1 milhão de hectares).

De minha casa, a mil metros do porto de Belém, vejo os milhares de caminhões boiadeiros do sul do Pará dividirem a madrugada com o belo nascer do sol do rio Guamá; sinto o cheiro do medo e o desespero dos animais a caminho do sacrifício e da guerra.

Se o Cedro do Líbano, símbolo nacional, está confinado à sua bela bandeira e a alguns poucos parques e montanhas, a Castanheira-do-Pará não tem a mesma sorte. A “rainha da floresta”  não faz parte de nossa bandeira. Também não será fácil avistar os seus bosques ao longo das estradas. Vocês as encontrarão mortas, em pé, de braços abertos, crucificadas e queimadas, devoradas pelas carvoarias e pastagens, de onde saem os bois para seus milenares portos de Beirute, Sidon e Trípoli.

Ao exportar bois vivos, globalizamos o aquecimento global, a miséria e a desertificação, enfim, globalizamos a nossa falta de compromisso com nossos filhos e netos. O aquecimento global, pois derrubada e queima de florestas tropicais contribui com pelo
menos 1/10 do aquecimento global. A miséria, pois o boi gera uma renda pífia e poucos empregos aos milhões de amazônidas.

Desertificação, pois a pecuária destrói a floresta, não respeita a diversidade de plantas e animais, não respeita o índio, o caboclo, não respeita a água, tão rara a vocês libaneses. Falta de compromissos com nossos filhos e netos pois não haverá Amazônia para eles deixarem para seus filhos e netos.

A pecuária bovina já tomou ¼ do Brasil (220 milhões dos 850 milhões de hectares). Segundo a FAO (2006) a pecuária bovina ocupa 30% da superfície de nosso planeta Terra. O boi come o equivalente a 2 bilhões de pessoas num planeta em que há 2 dos 6 bilhões de habitantes que passam fome.

Se insistirmos na dieta bovino-carnívora, em poucas décadas, na Amazônia, pastará o maior rebanho do planeta. Não haverá castanheiras, angelins, mognos, ipês ou maçarandubas. Restarão as árvores e as florestas das bandeiras e dos brasões.

Aprendo que o “Líbano” vem de “Olíbano”, árvore que produz uma resina aromática. Brasil, o nosso nome, também vem de uma árvore, ameaçadíssima, símbolo da Mata Atlântica, a nossa outra floresta tropical. A Mata Atlântica, onde morei a maior parte de minha vida, perdeu 93% de sua área original, mais de 100 milhões de hectares (100 Líbanos), para dar lugar à pecuária bovina e às cidades.

Sempre ouvi que os três reis magos levaram ouro, incenso e e mirra ao menino Jesus que acabara de nascer. Hoje aprendi que na verdade, levavam ouro, olíbano e mirra.

Com esta carta, meus irmãos tironeses, sidônios e beirutenses quero lhes pedir que considerem a possibilidade de desistir da carne bovina da Amazônia. Enviem-nos os navios de volta, com sementes de oliveiras, símbolos da paz, de olíbano, para perfumarem os nossos cais, tão machucados com a dor bovina e mirra para espalharmos juntos com os nossos banhos de cheiro.

Esta carne fresca não saciará a sua fome nem resolverá os nossos problemas. Convido-os para conhecerem a Amazônia como turistas, seu povo maravilhoso, sua Natureza. Escolha que riquezas vamos carregar em seus navios, ânforas e arcas, produzidas, naturalmente, de maneira pacífica e sustentável.

De pronto posso lhes recomendar: algumas das três mil espécies de madeiras, o incenso do breu branco para perfumar seus ambientes, o cumaru para perfumar suas roupas e as castanhas-do-Pará, a pílula natural da felicidade e da longevidade, como brasão da paz para reconstruir os lares cansados de guerra.

João Meirelles Filho

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João Meirelles Filho nasceu em São Paulo e mudou-se para Belém há três anos. É empreendedor social, autor do “Livro de Ouro da Amazônia” (Ediouro, 2004) e dirige o Instituto Peabiru – ww.peabiru.org.br


E se não comêssemos carne?

Apesar dos seres humanos serem considerados omníveros, há no mundo um considerável número de pessoas adepto do vegetarianismo. Por razões de saúde, ecológicas, religiosas ou outras, o tradicional bife mal passado não faz as delícias de todos. Madalena Muñoz explica porquê.

Madalena van Zeller Muñoz, nutricionista licenciada em Ciências da Alimentação pela University of California, fala-nos da história, da prática e das vantagens do vegetarianismo. Ponto por ponto.

Vegetarianismo, prática milenar
À menção de cozinha vegetariana muitos visualizam um grupo de hipies a comer saladas de cenoura com feijão, sentados à mesa de pernas cruzadas. Embora seja verdade que o vegetarianismo se tornou uma moda a partir dos psicadélicos anos 60, as suas origens são muito anteriores. O termo vegetarianismo surgiu pela primeira vez em 1847, aquando da fundação da Sociedade Vegetariana do Reino Unido. A palavra deriva do latim “vegetus”, que significa “vigoroso, vivo, saudável”. Antes disso, as pessoas que não comiam carne eram conhecidas como pitagorianas, em referência a Pitágoras, o filósofo e matemático grego, e tal como o seu famoso teorema, que se aplicava a um triângulo, também a sua argumentação favorável a uma dieta sem carne assentava em três ângulos: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica. Em 1889 já havia 52 restaurantes vegetarianos em Inglaterra; em 1889, Gandhi (o herói da independência indiana) tornou-se membro da Sociedade Vegetariana de Londres. Na Ásia, a tradição de não comer carne remonta às religiões hinduístas e budistas, se bem que nem todos os budistas sejam vegetarianos. Os chineses, aliás, praticavam uma alimentação sem carne muito antes dos monges indianos trazerem a religião Budista Mayhan para a China, entre 25 e 60 A.C.: abstenção de carne era uma tradição local e, tal como os vegetarianos militantes dos nossos dias, os chineses excluiam todos os materiais e roupas derivados de produtos animais.

Motivos e razões
O vegetarianismo tem evoluído de uma necessidade para uma escolha pessoal. Actualmente as pessoas optam por uma dieta vegetariana por uma série de razões: higiénica, ética, de saúde, económica e ecológica. Mais e mais pessoas concluem que matar animais para nos alimentarmos é uma prática cruel e desnecessária. Outras apercebem-se que a carne alimenta poucos à custa de muitos, e que com o cultivo arável se produziria muito mais comida por hectare: uma vaca ingere 23 quilos de proteína vegetal por cada quilo de proteína que nos fornece; esse rácio para porcos é de 8 para 1; para galinhas de 5 para 1. Em termos de saúde, uma alimentação vegetariana proporciona geralmente uma mais elevada ingestão de hidratos de carbono, vitamina A, vitamina E, beta-caroteno, vitamina C, magnésio e fibras, limitando a ingestão de colesterol e gordura saturada. Por fim, muitas pessoas aliam estas vantagens ao facto de se poupar dinheiro quando se opta por verduras e massas em vez de carnes.

Dietas à la carte
Uma alimentação vegetariana é a que exclui todos ou alguns produtos animais, ou seja, não inclui carne mas pode incluir leite, lacticínios e ovos. Há várias modalidades (das mais restritas às mais moderadas):
- Vegatariana - dieta que inclui apenas alimentos de origem vegetal;
- Lacto-vegetariana - dieta vegetarina + lacticínios;
- Ovo-lacto-vegetariana - dieta vegetarina + lacticínios + ovos;
- Semivegetariana - dieta à base de alimentos de origem vegetal mas que pode incluir aves ou peixe, leite e seus derivados e ovos. Exclui as carnes vermelhas.
As dietas vegetarianas que incluem alguns produtos animais são nutricionalmente equilibradas; as vegetarianas restritas requerem uma planificação mais cuidadosa. Mas mesmo não seguindo à risca nenhuma delas, incluir práticas vegetarianas garante-nos uma alimentação mais saudável: por exemplo, reduzindo as doses de carne, ou comendo-a apenas três vezes por semana em vez de quase todos os dias.

Valores nutricionais obrigatórios
A reputada organização American Dietetic Association (Associação Dietética Americana)afirma que uma alimentação vegetariana equilibrada é nutricionalmente sã, ajudando na redução do risco de muitas doenças crónicas degenerativas.
Ao optarmos por uma alimentação vegetariana, temos, contudo, que nos certificar que incluímos todos os seus requisitos alimentares (ver a pirâmide vegetariana que ilustra este artigo). Numa alimentação vegetariana desiquilibrada estarão em falta, sobretudo, as proteínas, vitaminas B12 e D, riboflavina, cálcio, zinco e ferro. Um suplemento de vitamina B12 é obrigatório se não se ingerirem quaisquer produtos de origem animal. Se não come carne, assegure-se que ingere cereais de pequeno-almoço enriquecidos com ferro, espinafres, agriões, feijões e figos secos. Se não ingere leite e seus derivados, deve incluir feijões, soja, couve galega, nabiças e figos secos na sua dieta para garantir e quantidade diária de cálcio indispensável.

A questão das proteínas
As proteínas são compostas por elementos denominados aminoácidos e são indispensáveis a uma boa saúde. Há dois tipos de proteínas: completas e incompletas. As completas contêm todos os aminoácidos em quantidades suficientes e encontram-se nos produtos de origem animal (peixe, ovos, leite etc). As proteínas incompletas contêm todos os aminoácidos, mas não em quantidades adequadas; geralmente um deles não apresenta valores suficientes. Os cereais e os feijões são exemplos de proteínas incompletas.
A boa notícia é que não temos obrigatoriamente de comer produtos animais para obtermos proteínas completas. Basta ingerir duas proteínas incompletas (ex: arroz + feijão) ou uma incompleta e uma completa (ex: cereais + leite) para obtermos todos os aminoácidos necessários.

Vegetarianismo ao alcance de todos
Uma dieta de tipo vegetariano pode ser apropriada a todas as idades (bébés, crianças e adolescentes) e praticada sem risco durante a gravidez ou a amamentação. Oferece inúmeras vantagens: níveis reduzidos de gorduras saturadas, colesterol e proteínas animais; níveis superiores de hidratos de carbono, fibras, magnésio, potássio, acido fólico, antioxidantes (vitaminas C e E), e fitoquímicos.
As pessoas vegetarianas têm demonstrado ter um IMC (Índice de Massa Corporal, ou seja, Kg/m2) inferior (menos risco de obesidade), apresentam menor incidência de morte resultante de doenças cardíacas, níveis de colesterol do sangue e tensão arterial mais baixos, menos hipertensão, menos incidência de diabetes tipo 2 e menos cancros do cólon e da próstata.
Note-se que, como qualquer dieta especializada, é recomendável a consulta de um nutricionista, tanto no caso de adultos como de crianças.

Vegetarianos famosos
O dramaturgo irlandês G. Bernard Shaw dizia, em defesa do seu regime alimentar, que "os animais são meus amigos e eu não como os meus amigos”. Mas a lista de vegetarianos famosos vai mais longe. Além de Pitágoras, refira-se, a título de exemplo, Leonardo da Vinci, Benjamin Franklin, Charles Darwin, Gandhi ou Albert Einstein.

Fonte: http://www.madalenamunoz.com/layout.php?op=sop04_4 


Cottage Pie Vegetariana

Ingredienes para o purê de batata
2 batatas de tamanho médio
½ xícara de leite desnatado ou leite de soja não adoçado
1 colher de chá de margarina light (ou manteiga)
sal a gosto

Ingredientes para P.T.S.
1 xícara de P.T.S. sem hidratar
1 lata de tomates pelados
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de molho “barbecue”
1 pitada de canela
1 colher de sopa de molho de soja
cebola, alho e sal a gosto

Modo de preparo
Prepare o purê: passe as batatas cozidas pelo espremedor, acrescente o leite, a margarina e o sal. Reserve. Aqueça o óleo e refogue a cebola e o alho. Junte o tomate e deixe apurar de 5 a 10 minutos com a panela semi tampada. Acrescente molho barbecue e de soja. Coloque a P.T.S., a canela e corrija o sal. Desligue o fogo. Tampe a panela e deixe hidratar por 5 minutos. Coloque a mistura de P.T.S. em uma travessa untada com azeite e cubra com uma camada do purê de batata. Leve ao forno para gratiar. Sirva quente acompanhado com salada.

Rendimento:
2 porções

Fonte: endonutri 


Comer para quê?

a Folha de São Paulo, 29/07/2007 Jornalista elabora experiência para entender os dilemas da vida de quem pode comer de tudo

Flávio Florido-01.ago.2003/Folha Imagem
O Dilema do Onívoro
Estudante almoça sozinha em refeitório; escritor descreve como nossos hábitos alimentares mudaram ao longo do tempo

GIOVANA GIRARDI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A clássica teoria segundo a qual nós somos aquilo que comemos ganha um adendo no livro "O Dilema do Onívoro", recém-lançado no Brasil. Para o jornalista americano Michael Pollan, você é sim "o que" come, mas também "como" come.

Ao contrário de outras espécies, que têm dietas muito restritas -e para os quais comer é uma questão meramente biológica-, nós podemos nos alimentar de praticamente qualquer coisa do reino animal ou vegetal. E se isso foi uma vantagem para nossa evolução e expansão pelo mundo inteiro, hoje deixa muita gente no dilema a que Pollan se refere em seu livro. Diante de inúmeras possibilidades, às vezes parece simplesmente impossível decidir o que comer, acredita o autor.

Senão, vejamos. Para um coala, o cardápio se restringe às folhas de eucalipto. Para os humanos modernos e urbanizados, as dúvidas vão desde "carne ou massa?" na hora do almoço a "óleo de girassol ou de milho?", na frente de uma gôndola de supermercado.
Mas a dúvida está longe de ser apenas questão de gosto. Cada vez mais se trata dos possíveis benefícios e malefícios dos alimentos. Quantas vezes nos deparamos diante da dúvida sobre comer ou não comer algo porque aquilo pode aumentar nossa taxa de colesterol; se devemos abandonar a carne e sermos vegetarianos; se para viver mais é preciso se alimentar disso ou daquilo. Isso sem falar na questão calórica.

Da caça ao fast food
Pollan usa esta inquietação como fio condutor de uma espécie de história natural dos nossos hábitos alimentares. Ele investiga as origens e a evolução da nossa relação com a comida -como passamos de caçadores-coletores, que sabiam exatamente o que estavam ingerindo, para consumidores de produtos industrializados que não fazem a menor idéia do que está por trás de um nugget congelado e frito na lanchonete.

E mais do que isso: como nos deixamos influenciar por pesquisas de resultados duvidosos que dizem o que faz bem ou o que faz mal ingerir quando historicamente fomos evoluindo para distinguir essas coisas na natureza.

É bem verdade que Pollan baseia toda a sua tese na população norte-americana, paradoxalmente obesa e neurótica com dietas da moda, que ao mesmo tempo come as mais complexas gorduras, mas corta totalmente os carboidratos acreditando que vai emagrecer.

Mas de modo algum esse regionalismo tira a validade da obra aqui no Brasil. A impressão que dá é que isso tenha sido mais uma opção mercadológica que antropológica. Afinal, o sucesso dos livros de dietas mirabolantes é mundial, e a própria obra de Pollan ficou na lista dos mais vendidos por semanas nos Estados Unidos.

A idéia do jornalista foi então investigar a cadeia alimentar -na verdade as cadeias, porque ele defende que hoje existem três totalmente diferentes: a industrial, a orgânica e a "associada à esfera da caça e da coleta". O intuito era, escreve ele, "recuperar as realidades biológicas fundamentais que as complexidades da moderna indústria de alimentos fazem o possível para manter longe dos nossos olhos".

Para isso ele acompanha, do começo ao fim, cada uma dessas cadeias. Vai da plantação de milho que abastece a indústria alimentícia à fast food comida em um carro em movimento. Visita fazendas inovadoras e experimenta pratos orgânicos até encerrar sua expedição, por fim, na "refeição perfeita" -caçada, colhida e cozida com suas próprias mãos.

Para saber o que mudou na visão humana sobre alimentos, essa etapa se fazia necessária. "Esperava lançar alguma luz sobre a maneira como comemos hoje ao me impregnar da maneira como comíamos então [na pré-história]", escreve, enquanto conta o processo de aprender a caçar atirando e matando -e a crise de consciência por trás disso- até comer.
Nesta etapa, pela primeira vez ele diz ter noção exata do que estava comendo, e dos custos físicos, emocionais e financeiros de sua obtenção. Todos os produtos que estavam no prato. O prazer da refeição, diz, foi acima de tudo resultado da consciência completa.

LIVRO - "O Dilema do Onívoro"
Michael Pollan; ed. Intrínseca, 479 págs., R$ 49,9

Fonte: Folha de São Paulo, 29/07/2007