O argumento de que os nossos atos devam ser ditados pela natureza, e não pela nossa capacidade privilegiada de raciocínio é fraco. Veja o contra-argumento do filósofo Peter Singer:

“A maior parte dos animais que mata em busca de alimento não conseguiria sobreviver se não o fizesse, enquanto nós não temos necessidade de comer carne animal.

“Depois, é estranho que os seres humanos, que normalmente encaram o comportamento animal como ‘selvagem’, venham a usar, sempre que lhes convém, um argumento do qual se pode inferir que devemos buscar orientação moral nos animais.

“(…) os animais não são capazes de refletir sobre as alternativas que se apresentam a eles, nem de ponderar sobre a ética de sua alimentação. Portanto, é impossível considerar os animais responsáveis pelo que fazem.

“(…) Não se pode fugir à responsabilidade através da imitação de seres que não são capazes de fazer essa opção. É um erro de raciocínio supor que, por ser ‘natural’, alimentar-se de carne é um procedimento sempre correto.

“É sem dúvida ‘natural’ que mulheres gerem uma criança a cada ano ou dois, da puberdade à menopausa, mas isto nao significa que seja errado interferir nesse processo”.

(citações de “Ética Prática”, Peter Singer, trad. Jefferson Camargo, Martins Fontes)