Fome

Soja e os banqueiros

Na primeira publicação de Wervel, em setembro de 1990, falávamos do poder do capital financeiro. Tratava-se de uma análise da Política Agrícola Comum na Europa (1). O capital financeiro representa o entrelaçamento dos banqueiros com diversos ramos do agronegócio. Juntos eles moldam o modelo agrícola dominante. Em todo o mundo, eles mantêm agricultores e agricultoras sob controle. Ou, dito de maneira mais dura: o capital financeiro exaure, sistematicamente, o meio rural e sua população.   Capital financeiro internacional Tendo a Política Agrícola Comum como instrumento, este processo pôde ser consolidado na União Européia. Dia após dia, entra ano, sai ano,

Agricultura, água e fome

Mergulhada em controvérsias e polêmicas, na próxima semana a Organização Mundial para a Alimentação e Agricultura (FAO), da ONU, comemorará o Dia Mundial da Alimentação. Uma das polêmicas se deve à indignação provocada algumas semanas atrás, quando a FAO terminou uma Cúpula Mundial da Alimentação, em Roma, que discutiu o problema da fome no mundo, convidando centenas de pessoas para um almoço com finas iguarias – até caviar – e requintados vinhos, que custou centenas de dólares por pessoa. Outra polêmica se deve à insistência do diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, em convencer vários países africanos (ZimbábUe, Zâmbia, Malavi, Moçambique,

Produção de alimentos, degradação ambiental e fome

Marly Winckler – socióloga O Banco Mundial e a FAO estimam que, no início dos anos 80, entre 700 milhões e um bilhão de pessoas viviam em absoluta pobreza ao redor do mundo. Ao contrário do que muitos pensam, o pobre está ficando cada vez mais pobre a cada ano. Quarenta e três nações em desenvolvimento terminaram os anos 80 mais pobres do que eram no início da década.  No continente africano, cerca de um em cada quatro seres humanos é subnutrido. Na Ásia e no Pacífico, 28% da população passa fome. No Oriente Próximo, um em cada dez são

Vegetarianismo e fome no mundo

(Minha Odisséia pra tentar responder ao Paulo, um leitor de um blog de uma amiga vegetariana que tinha duvidas sobre vegetarianismo e fome no mundo.) Paulo, obrigada pela mente aberta, pela disposição ao debate saudavel, pela amplitude de pensamento. Não é todo dia que "cruzamos" com pessoas como você! =) Já que seu enfoque a respeito do vegetarianismo é baseado em "impactos gerados no meio ambiente", deixemos de lado então a questão "sofrimento animal", apesar de que para qualquer indivíduo capaz de sofrer, o grau de sofrimento – e não a espécie – é que conta. Mesmo que não façamos