80 Não há circunstancias em que não há alternativas ao uso de animais?

80  Não há circunstancias em que não há alternativas ao uso de animais? 

[Proposta A] 
A resposta e essa questão é sucinta:  "Se houver, e dai'?".  Vamos lembrar que a sociedade (hoje em dia) está contente o bastante em  ignorar o conhecimento que seria adquirido à custa de obrigar humanos a  serem testados, e isso incluiria crianças, os mentalmente retardados e até  mesmo as pessoas que sofrem de doenças para as quais os modelos animais não  são satisfatórios (como a AIDS). Isto é, uma decisão ética previa foi feita  que exclui esses indivíduos da experimentação, e deixa de considerar qualquer  conhecimento potencial derivado desta maneira. 

Por outro lado, o argumento dos DA é consistente:  já que não há  diferença moralmente relevante que possa ser identificada que separe os  humanos poupados da experimentação dos animais usados em testes (os quais 
tem a capacidade de usufruir sua vida), a vivissecção é exposta como imoral,  e essa pratica deveria ser abandonada. 

Da mesma forma que as justificativas oferecidas pelos nazistas nos campos de  concentração eram moralmente ilícitas, assim também são todos e quaisquer  benefícios que possam ser oriundos da vivissecção. Como Tom Regan explicou: 

"Se os benefícios, quaisquer que sejam, são obtidos da maneira errada, nos  devemos acabar com [tais] pesquisas, quaisquer que sejam as perdas." 

[Proposta B] 
O argumento acima torna a procura por alternativas um imperativo moral, e  se a objeção for de que "isso é impossível", alguém poderia responder que  o desprezo às capacidades dos cientistas não vai tornar nada possível.  Tem havido casos em que as alternativas à vivissecção tiveram de ser  investigadas, e – é claro – elas foram encontradas. Por exemplo, Sharpe  escreveu no livro "The Human Cost of Animal Experimentation": 

"Historicamente, um exemplo clássico é a vitória no combate à febre  amarela. Em 1900, não se conhecia nenhum animal que fosse suscetível à  doença, o que levou a estudos com voluntários humanos, os quais provaram  que os mosquitos, de fato, transmitiam a doença. Essas observações levaram  à melhoria nas instalações sanitárias e medidas de quarentena em Havana,  onde a febre amarela, antes abundante, foi erradicada." 

[Proposta C] 
Nos agora citamos algumas das alternativas aos modelos animais para  doenças humanas. Dois tipos tradicionais são: 

a) Estudos Clínicos:  eles são essenciais para um entendimento completo de  qualquer doença. Anestésicos, respiração artificial, o estetoscópio, os  eletrocardiogramas, as medidas de pressão sangüínea, etc., resultaram de  estudos clínicos meticulosos. 

b) Estudos de Epidemiologia: isto é, o estudo das doenças nas populações  inteiras. Estes estudos, e não os testes feitos em animais, tem identificado  a maior parte das substancias cancerígenas em humanos. Um exemplo típico:  porque o câncer de cólon é tão freqüente na Europa e América do Norte, e  tão raro no Japão, mas comum em imigrantes japoneses na América do Norte?  Os avanços tecnológicos mais recentes agora permitem que muitos outros  métodos investigativos sejam aplicados, incluindo: 

– Culturas de tecidos:  células humanas e tecidos podem ser mantidos vivos  em culturas e usados para pesquisa biomédica. E já que o material usado é  humano, os problemas de extrapolação a partir de tecidos animais não  existem. Tais culturas tem sido usadas na pesquisa do câncer pelos  cientistas do Federal Drug Administration nos EUA, por exemplo. De acordo  com eles:  "[os tecidos] oferecem a possibilidade de estudar não apenas a  biologia do crescimento das células cancerosas e invasão do tecido humano  normal, mas também fornecem um método de avaliação dos efeitos de uma  variedade de agentes anti-tumor potencialmente importantes." 

– Métodos físico-químicos:  por exemplo, os cromatografos líquidos e   espectrômetros de massa permitem aos pesquisadores identificar substancias contidas em outras substancias biológicas. Por exemplo, um experimento com  vitamina D envolvia a indução de raquitismo em ratos seguida de alimentação  com substancias ricas em vitamina D. Agora, a cromatografia liquida permite tais experimentos serem conduzidos de maneira mais rápida e mais barata. 

[Para saber mais sobre a cromatografia, veja a seguinte página: 
http://www.scimedia.com/chem-ed/sep/chromato.htm
Para o espectrômetro de massa, visite: 
http://www.invent.org/book/book-text/8.html   – Nota do Tradutor] 

– Simulações por Computador:  de acordo com o Dr. Walker da Universidade do  Texas:  "… as simulações por computador oferecem um amplo leque de  vantagens sobre os experimentos em animais vivos nos laboratórios de  fisiologia e farmacologia. Elas incluem:  economia na obtenção e alojamento  dos animais;  disponibilidade ilimitada quanto ao cronograma dos estudos ou  horário dos estudantes;  oportunidade de correção de erros e repetição das  partes do experimento executadas incorretamente ou mal interpretadas; 
velocidade da operação e uso eficiente do tempo dos estudantes e  consistência com o conhecimento obtido em outras fontes." 

– Projeto de fármaco auxiliado por computador (Computer-aided drug design):  tais métodos tem sido usados na pesquisa do câncer e anemia, por exemplo.  Nesse caso, os gráficos em três dimensões no computador e o campo teórico  da farmacologia quântica são combinados para ajudar no projeto de  substancias químicas de acordo com as especificações requeridas. 

– Modelos mecânicos:  por exemplo, um pescoço artificial foi desenvolvido  pela General Motors para uso em simulações de colisão automobilística. De  fato, os conhecidos bonecos usados hoje em dia são mais efetivos e precisos  do que os primatas que eram usados antigamente. 

E essa lista não é de nenhuma maneira completa. 

[Proposta B] 
Há circunstancias em que os benefícios da experimentação atingem  diretamente o indivíduo envolvido;  por exemplo, a tentativa de implantar  um coração artificial de plástico pode ser proposta para alguém que sofra 
de doença do coração, ou uma nova técnica cirúrgica pode ser tentada para  salvar um animal. 

Isso pode qualificar, para alguns, como um exemplo de uso de animais. A  proposta aqui é simples:  a postura dos DA não é condenar os experimentos  que são conduzidos para o beneficio de um paciente individual. Os testes  clínicos de novas drogas, por exemplo, freqüentemente se enquadram nessa  categoria, e também algumas das pesquisas veterinárias, como o estudo  clinico de animais previamente doentes. 
Um outro exemplo de pesquisa animal aceitável é a Etologia, isto é, o  estudo dos animais em seu habitat natural. 
AECW 

[Proposta B] 
Segue uma lista de alternativas para muitos, senão todos, dos casos de  vivissecção: 

– culturas de células ou tecidos humanos 
– observação clinica 
– voluntários humanos (doentes ou sãos) 
– autopsias 
– material oriundo de mortes naturais 
– visualização não-invasiva em condições clinicas 
– observação em usuários 
– inferência estatística 
– modelos em computador 
– substituição dos animais por plantas 

Essas alternativas, e outras ainda não concebidas, irão assegurar que  a pesquisa cientifica não pare com o fim da vivissecção. 
DG 

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