Perguntas e Respostas

47. A natureza é continua e isso significa que não se pode definir um limite de que animais devemos

47. A natureza é continua e isso significa que não se pode definir um limite de que animais devemos conceder direitos. O seu limite não é melhor do que o meu limite. 

A maioria das pessoas aceita que a diversidade da natureza constitui um continuo. Darwin declarou que as diferenças são de grau e não de tipo. O que devemos nos preocupar é com a crença de que não se pode definir um limite de até onde devemos conceder direitos. 

Por exemplo, mesmo que haja um continuo quanto ao uso da forca, desde o tratamento da mãe com o bebê até o tratamento infernal dado em campos de concentração, fica evidente que os direitos humanos estão sendo violados em um caso e no outro não. As pessoas sabem que há um ponto no meio entre os dois 
extremos. 

Da mesma maneira, mesmo que as qualidades relevantes para a atribuição de direitos sejam encontradas em diferentes medidas no reino animal, podemos definir um limite a partir de um certo ponto. 

A sociedade age da mesma maneira hoje em dia quando define esse limite incluindo somente os humanos. Tal limite não pode ser defendido logicamente se existem algumas criaturas abaixo do limite que possuem as qualidades relevantes até em maior grau do que os humanos (por exemplo, um chimpanzé' adulto teria uma vida mental de maior grau do que a de um humano em coma, mas mesmo assim a sociedade protege somente o humano da experimentação medica). Portanto, qualquer limite que seja definido, ele deve incluir alguns animais não humanos na concessão de direitos. 

Mais ainda, a dificuldade de estabelecer um limite não justifica que estabeleçamos um limite incorreto. Ao contrário, essa dificuldade significa que, do ponto de vista ético, o limite deve ser traçado: 
a) cuidadosamente, 
b) para baixo em caso de duvidas. 

O limite definido pêlos oponentes dos DA viola princípios morais tidos como críticos para a viabilidade de qualquer sistema ético, e devido a alguns não-humanos possuírem características moralmente relevantes em comparação com alguns humanos, devemos chegar a conclusão que a situação atual não atende nenhum dos requisitos e que devemos progredir em direção à uma visão moral que engloba tanto criaturas humanas quanto criaturas não-humanas. 

Em adição a isto, deve ser notado que quando é traçado um novo limite mais de acordo com a moral, não devemos nos sentir justificados em explorar ou destruir os seres que estiverem abaixo desse limite. É desejável que tenhamos uma postura moral que preste consideração aos interesses e bem-estar de todas as criaturas, sejam elas portadoras de direitos ou não. 
AECW 

A idéia de que o continuo da natureza torna impossível a definição de um limite a quem dar direitos é facilmente refutada. Por exemplo, a concentração de álcool no sangue é um continuo de zero a 100%, mas a sociedade define o limite em 0,10% para caracterizar um motorista alcoolizado, e isso é tremendamente 
mais sensato do que definir um limite em 0,00000001%. 
DG 

Veja também:  22, 39 – 41 

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