23. Se matar é errado, não deveríamos impedir os predadores de matar os outros animais?

23.  Se matar é errado, não deveríamos impedir os predadores de matar os outros animais? 

Esse é um dos argumentos mais interessantes contra os DA. Nos impedimos pacientes morais humanos de ferir os outros, isto é, nos impedimos crianças de baterem umas nas outras, então porque não faríamos o mesmo pelos pacientes morais não-humanos (veja na questão 17 a definição de paciente moral)? 

Antes de tudo, isso deve ser pensado ainda mais seriamente porque a atividade predatória resulta em um dano sério:  a morte. 

Uma primeira resposta consiste em notar que predadores precisam matar para sobreviver e que impedi-los de matar resulta, conseqüentemente, em matá-los. 

Claro que poderíamos argumentar que a intervenção em grande escala para impedir a atividade predatória é completamente impossível e carece de praticidade, mas isso não serve como argumento moral. 

Suponha que aceitemos que devamos impedir um gato de matar um pássaro. E em seguida, descobrimos que o pássaro é predador de vários tipos de cobras. 

Assim, poderíamos ser levados a concluir que na verdade não deveríamos ter impedido o gato de matar o pássaro. A conclusão é que nos humanos não temos o conhecimento e a visão global para fazer todos os cálculos e descobrir todas as conseqüências da nossa interferência na cadeia predatória. 

A resposta é que nossa intervenção no sentido de impedir as atividades predatórias acabariam por destruir os ecossistemas dos quais a biosfera depende, prejudicando toda a vida na Terra. Em milhões de anos, a biosfera desenvolveu ecossistemas complexos que dependem das atividades predatórias para seu funcionamento contínuo e estável. Uma intervenção de larga escala para impedir os predadores causaria um prejuízo incalculável nesses ecossistemas, com resultados devastadores para a vida na biosfera. 

Mesmo que aceitemos a idéia de que deveríamos impedir os predadores (e nos não concordamos com essa idéia), não se pode concluir a partir disso que estaríamos justificados em explorar os pacientes morais para o nosso proveito. 

Quando deixamos de impedir um genocídio em um pais distante, isso não implica em que nos devamos apoiar esse genocídio. Similarmente, se não impedimos as atividades predatórias, isso não pode servir de justificativa 
para a exploração de animais. 
DG 

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23. Se matar é errado, não deveríamos impedir os predadores de matar os outros animais?

23.  Se matar é errado, não deveríamos impedir os predadores de matar os outros animais? 

Esse é um dos argumentos mais interessantes contra os DA. Nos impedimos pacientes morais humanos de ferir os outros, isto é, nos impedimos crianças de baterem umas nas outras, então porque não faríamos o mesmo pelos pacientes morais não-humanos (veja na questão 17 a definição de paciente moral)? 

Antes de tudo, isso deve ser pensado ainda mais seriamente porque a atividade predatória resulta em um dano sério:  a morte. 

Uma primeira resposta consiste em notar que predadores precisam matar para sobreviver e que impedi-los de matar resulta, conseqüentemente, em matá-los. 

Claro que poderíamos argumentar que a intervenção em grande escala para impedir a atividade predatória é completamente impossível e carece de praticidade, mas isso não serve como argumento moral. 

Suponha que aceitemos que devamos impedir um gato de matar um pássaro. E em seguida, descobrimos que o pássaro é predador de vários tipos de cobras. 

Assim, poderíamos ser levados a concluir que na verdade não deveríamos ter impedido o gato de matar o pássaro. A conclusão é que nos humanos não temos o conhecimento e a visão global para fazer todos os cálculos e descobrir todas as conseqüências da nossa interferência na cadeia predatória. 

A resposta é que nossa intervenção no sentido de impedir as atividades predatórias acabariam por destruir os ecossistemas dos quais a biosfera depende, prejudicando toda a vida na Terra. Em milhões de anos, a biosfera desenvolveu ecossistemas complexos que dependem das atividades predatórias para seu funcionamento contínuo e estável. Uma intervenção de larga escala para impedir os predadores causaria um prejuízo incalculável nesses ecossistemas, com resultados devastadores para a vida na biosfera. 

Mesmo que aceitemos a idéia de que deveríamos impedir os predadores (e nos não concordamos com essa idéia), não se pode concluir a partir disso que estaríamos justificados em explorar os pacientes morais para o nosso proveito. 

Quando deixamos de impedir um genocídio em um pais distante, isso não implica em que nos devamos apoiar esse genocídio. Similarmente, se não impedimos as atividades predatórias, isso não pode servir de justificativa 
para a exploração de animais. 
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