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2. O movimento pelos Direitos dos Animais é diferente dos movimentos pelo Bem-Estar dos Animais e pela Libertação dos Animais? 

O movimento pelo Bem-estar dos Animais reconhece o sofrimento dos não-humanos e tenta reduzir esse sofrimento mediante o tratamento "humano", mas ele não tem como objetivo a eliminação total do uso e exploração dos animais. O movimento de DA vai significativamente além rejeitando a exploração dos animais e concedendo a eles os direitos a esse respeito.  Uma pessoa comprometida com o bem-estar dos animais pode se preocupar se as vacas terão espaço suficiente, alimentação apropriada, etc., mas não necessariamente será contra a matança e o consumo de sua carne, desde que sua criação e abate sejam feitos de maneira "humana". O movimento pelo bem-estar dos animais é representados por organizações como a Society for the Prevention of Cruelty to Animals (SPCA), e a Humane Society (HSUS). 

Tendo dito isso, deve ficar claro que alguns têm uma interpretação mais abrangente do movimento de DA. Eles consideram que os grupos pelo bem-estar dos animais de fato, dão suporte aos direitos dos animais (ex.:  um cão tem o direito de não ser maltratado). Sob essa interpretação, o ativismo de DA é visto como abrangendo os grupos de DA mais particulares e pelo bem-estar dos animais. Essa interpretação tem a vantagem de situar o DA mais perto dos grupos mais conhecidos. 

Mesmo assim, há uma distinção válida entre os grupos pelo Bem-estar dos Animais e os grupos de DA, como descrito no primeiro parágrafo. A Libertação Animal é, para muitas pessoas, um sinônimo de DA (mas veja abaixo). Algumas pessoas preferem o termo "libertação" porque ela traz a mente imagens de outros movimentos de libertação bem-sucedidos, tais como o movimento pela libertação dos escravos e emancipação das mulheres, bem como o termo "direitos" encontra resistência quando se tenta aplicá-lo aos não-humanos. 

A frase "Libertação Animal" se tornou popular depois da publicação do clássico de Peter Singer de mesmo nome. Esse uso do termo Libertação deve ser distinguido do significado literal discutido na questão 88, isto é, um liberacionista não é necessariamente aquele que pratica desobediência civil ou ações ilegais. 

Finalmente, por honestidade intelectual somos obrigados a reconhecer que a explicação está sendo dada em termos gerais (mas aproximadamente corretos) e temos evitado o debate sobre o significado dos termos "Direitos dos Animais", "Libertação dos Animais", e "Bem-estar dos Animais", o debate sobre a história desses movimentos e o debate sobre a posição de seus pensadores. Para dar uma amostra de tais debates, o seguinte texto descreve uma posição coerente. Naturalmente, ela será atacada por todos os lados. 

Alguns podem sugerir que pode ser feita uma distinção entre os movimentos de Libertação Animal e de DA. O movimento de DA, pelo menos como proposto por Regan e seus partidários, requer a abolição total de práticas como a experimentação em animais. O movimento de Libertação Animal, como proposto por Singer e seus partidários, rejeita essa visão absoluta e alega que em alguns casos, tais experimentos podem ser moralmente justificáveis. Devido a esses casos também poderem justificar alguns experimentos em humanos, não fica claro ainda que a distinção mencionada reflita uma diferença entre a visão de DA e Libertação, da mesma forma que não se tem uma visão clara da diferença entre as teorias éticas absoluta e utilitária. 
DG 

Historicamente, os grupos pelo Bem-estar dos animais têm tentado melhorar o conceito dos animais na sociedade. Eles têm lutado contra o conceito ocidental popular de que animais não possuem almas e em decorrência disso não mereceriam qualquer consideração ética. O movimento de DA define-se como uma alternativa abolicionista à opção de Bem-estar Animal. À medida que o movimento de DA tem se tornado maior e mais influente, os exploradores de animais têm sido finalmente forçados a  responder. 

Talvez inspirados pelos esforços de Tom Regan em distinguir DA de Libertação Animal, os grupos industriais tentam manter o "status quo" adotando o termo "Bem-estar animal" ou "tratamento humano". Grupos pró-vivisecção, pró-caça, grupos que defendem o uso de armadilhas, "agronegócio" e entretenimento usando animais se referem a si próprios como grupos de apoio ao "tratamento humano" dos animais. Vários grupos cujo objetivo é defender essas práticas também têm surgido. 

Esse é um caso clássico de metodologia de relações públicas, cujos praticantes reconhecem o problema da crueldade contra os animais apenas verbalmente, mas continuam a permitir o uso e abuso dos animais. O efeito da propaganda é estigmatizar os defensores DA como radicais e retratando a si próprios como moderados com uma proposta razoável. Hoje em dia, a causa do "Bem-estar animal" é invocada pela indústria de exploração animal tão freqüentemente quanto pelos grupos de proteção animal. 
LJ 

Veja também:  1, 3, 87, 88 

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