19. Animais não se importam conosco; porque deveríamos nos importar com eles?

19.  Animais não se importam conosco;  porque deveríamos nos importar com eles? 

Essa opinião significa que deveríamos dar direitos apenas àqueles que forem capazes de respeitar os nossos direitos, o que é conhecido como o argumento da reciprocidade. Esse argumento não convence porque tanto nossa sociedade não age dessa maneira, como também porque não seria uma boa maneira de agir. 

Pela simples observação de que concedemos direitos a um grande numero de indivíduos que não podem respeitar nossos direitos, esse argumento perde sua forca. Esses indivíduos incluem pessoas idosas, pessoas com doenças degenerativas, pessoas com trauma cerebral irreversível, retardados, bebes e crianças. 

Uma instituição que, por exemplo, tem por rotina sacrificar tais indivíduos para testar um novo fertilizante seria certamente considerada criminosa e um atentado hediondo aos direitos destes indivíduos. A frase original também é fraca como prescrição ética. As futuras gerações de humanos não têm como agir reciprocamente com relação à nossa preocupação com o meio-ambiente. Assim, seria eticamente aceitável, sob essa visão, que passássemos a não nos preocupar em deixar um planeta mais salubre para as futuras gerações. 

A falha desse ponto de vista reside em não se distinguir entre dois papéis:  Agente moral e a sua capacidade de compreender e respeitar os direitos de outros. Paciente moral e a sua capacidade de se beneficiar desses direitos. Um indivíduo pode ser um beneficiário de direitos sem ser um agente moral. 

Por exemplo, se tivéssemos que excluir alguém de um determinado curso acadêmico, nos não poderíamos citar que essa pessoa tem sardas no rosto. Nos poderíamos sim justificar que essa pessoa não tem os pré-requisitos acadêmicos (ter feito o curso que antecede o atual, ou ter experiência profissional, etc). A primeira justificativa é irrelevante, a segunda é relevante. 

Sob essa perspectiva, podemos justificar a diferença de tratamento entre os dois indivíduos (humano ou não-humano) com uma diferença objetiva que seja *relevante* para o tratamento. 

Similarmente, quando consideramos o direito de ser livre da dor e sofrimento, o fato de ser um agente moral é irrelevante; ser um paciente moral é que é relevante. 
AECW 

Assumir que os animais não se importam conosco é bastante questionável. Animais de estimação são conhecidos por buscar ajuda quando seus donos estão em perigo. Há animais que confortam seus donos quando eles estão aflitos ou angustiados. Outros demonstram pesar quando seus companheiros humanos morrem. 
DG 

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