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Romain Rolland PDF Imprimir E-mail

Para um homem cuja mente é livre existe algo ainda mais intolerável nos sofrimentos dos animais do que nos sofrimentos dos homens. Neste ultimo é ao menos admitido que o sofrimento é um mal e que aquele que o causa é um criminoso. Mas milhares de animais são mortos inutilmente todos os dias sem a mínima sombra de remorso. E se qualquer homem fosse falar sobre isto, ele seria ridicularizado - este é em si o crime imperdoável. Esta é a justificativa para que todos os homens venham a sofrer.

 

O importante romance em dez volumes de Rolland, Jean-Christophe, conta a história de um músico e compositor que se afasta do mundo e reflete sobre os seus muitos males. Não é um romance cômico. Está cheio até a borda daquilo que Rolland acredita ser a pior tragédia do mundo: a chacina de animais para comer. Escreve Rolland:

“Com toda a veemência de sua (...) natureza, [Christophe] sondou as profundezas da tragédia do universo: ele sofria todo o sofrimento do mundo e ficara ensangüentado, em carne viva. Não conseguia pensar nos animais sem tremer de angústia. Olhava os olhos dos bichos e via uma alma como a sua, uma alma que não sabia falar; mas os olhos gritavam por ela:

“O que te fiz? Por que me feres?”

“Ele não suportava ver as coisas mais ordinárias que vira centenas de vezes — um bezerro chorando num cercado, com os olhos grandes e esbugalhados, de branco azulado e pálpebras rosadas, e pestanas brancas, os tufos de pelo branco e encaracolado na testa, o focinho arroxeado, as pernas ainda trêmulas; — um cordeirinho sendo carregado por um camponês com as quatro patas amarradas, de cabeça para baixo, tentando manter a cabeça levantada, gemendo como uma criança, balindo e esticando a língua cinzenta; — aves amontoadas num cesto; — os guinchos distantes de um porco sendo sangrado; — um peixe a ser limpo na mesa da cozinha... As torturas inomináveis que os homens infligem a estas criaturas inocentes faziam doer o seu coração. “Concedei aos animais”, escreve Rolland, “concedei aos animais um vislumbre de razão, imaginai que pesadelo apavorante é, para eles, o mundo: um sonho de homens de sangue frio, cegos e surdos, que lhes cortam a garganta, abrem-lhes o peito, evisceram-nos, cortam-nos em pedaços, cozinham-nos vivos, às vezes rindo-se deles e de suas contorções enquanto padecem em agonia. Há coisa mais atroz entre os canibais (...)? Para um homem cuja mente é livre há algo de mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento dos homens. Afinal, no caso destes últimos pelo menos se admite que o sofrimento é cruel e que o homem que o causa é um criminoso. Mas milhares de animais são abatidos inutilmente todos os dias sem sombra de remorso. Se algum homem se referisse a isso, seria considerado ridículo — e este é um crime imperdoável. Esta, sozinha, é a justificativa de tudo o que os homens sofrem. Exige a vingança de deus. Se existe um deus bom, então até a mais humilde das coisas vivas deveria ser salva. Se deus é bom somente com os fortes, se não há justiça para os fracos e os inferiores, para as pobres criaturas que são oferecidas em sacrifício à humanidade, então não existe esta tal bondade, esta tal justiça...”

No meu pensamento, não há palavras mais poderosas, mais reveladoras, mais penetrantes do que estas em toda a literatura do século sobre vegetarianismo. Minha própria alma sangra quando as leio, uma adaga semântica enfiada no coração de tudo o que é decente. O triste disso é que as palavras de Rolland, como as dos outros já citados, são tão pouco conhecidas, tão pouco ouvidas.

Tom Regan - palestra no 1 Congresso Vegetariano Brasileiro e Lation-americano - texto enviado, pois por força maior não pôde comparecer.

   

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