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São tantos deuses, são tantas crenças, Tantos caminhos, tão sinuosos, Mas só a arte de ser bondosos É que nos falta em nosso planeta.
Eu sou a voz dos que não têm voz; Por mim os mudos hão de falar; Até o mundo tão surdo ouvir O grito dos fracos, dos sem lugar. Das ruas, das gaiolas, dos cercados, Das selvas e estábulos, os gemidos Vindos dos meus irmãos revelam o crime Dos poderosos contra os desvalidos É o amor a genuína religião, E a mais sublime lei é o amor; E o toque do tempo fará morrer Tudo o que se criar no desamor. Que se envergonhem as mães mortais Que jamais pensaram em ensinar A tristeza que há nos olhos mudos, A tristeza que não pode falar. Seja o pardal, homem — rei —que seja Foram criados por um poder apenas; O deus do todo, alma viva concedeu A tudo o que tem pelo e que tem penas
E sou o protetor do meu irmão, E seu combate, este eu vou travar; De bicho e ave, as palavras eu direi Até que o mundo venha a se aprumar. Sim, somos a voz dos que não têm voz; Por nós, os mudos hão de falar; Até o mundo tão surdo ouvir O grito dos fracos, dos sem lugar. |