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Ella Wheeler Wilcox PDF Imprimir E-mail

São tantos deuses, são tantas crenças,

Tantos caminhos, tão sinuosos,

Mas só a arte de ser bondosos

É que nos falta em nosso planeta.

Eu sou a voz dos que não têm voz;

Por mim os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

 

Das ruas, das gaiolas, dos cercados,

Das selvas e estábulos, os gemidos

Vindos dos meus irmãos revelam o crime

Dos poderosos contra os desvalidos

 

É o amor a genuína religião,

E a mais sublime lei é o amor;

E o toque do tempo fará morrer

Tudo o que se criar no desamor.

 

Que se envergonhem as mães mortais

Que jamais pensaram em ensinar

A tristeza que há nos olhos mudos,

A tristeza que não pode falar.

 

Seja o pardal, homem — rei —que seja

Foram criados por um poder apenas;

O deus do todo, alma viva concedeu

A tudo o que tem pelo e que tem penas


E sou o protetor do meu irmão,

E seu combate, este eu vou travar;

De bicho e ave, as palavras eu direi

Até que o mundo venha a se aprumar.
 

Sim, somos a voz dos que não têm voz;

Por nós, os mudos hão de falar;

Até o mundo tão surdo ouvir

O grito dos fracos, dos sem lugar.

   

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